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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

09 Dez, 2019

modernidade

Voltando a citar Pinker: «A aversão à modernidade é uma das grandes constantes da crítica social contemporânea. Quer seja a nostalgia pela intimidade das cidades pequenas, pela sustentabilidade  ecológica, pela solidariedade comunitária, pelos valores familiares, pela fé religiosa, pelo comunismo primitivo ou pela harmonia com os ritmos naturais, todos querem que o relógio retroceda. O que a tecnologia nos deu, questionam eles, excepto a alienação, a espoliação, a patologia (...)
26 Nov, 2019

wahala

O riso é de longe o melhor remédio para todas as maleitas da vida. Demasiadas vezes são os nossos dias medidos por desgostos, e raros os momentos em que a sua medida é o humor.      Wray Delaney - Memórias de Uma Cortesã  (2016) Quinta Essência, Oficina do Livro (2017)      
06 Mai, 2019

LZ 129 Hindenburg

Em 6 de maio de 1937 ocorreu a explosão do Hindenburg, em Lakehurst, perto de Nova York. O incêndio do maior zepelim do mundo causou a morte de 35 pessoas (...) O acidente aconteceu no final de uma tarde chuvosa, 77 horas depois da decolagem em Frankfurt. A bordo estavam 61 tripulantes, 36 passageiros, dois cachorros, além de bagagem, cargas e correspondências. O forte vento em Lakehurst havia obrigado o capitão Max Pruss a sobrevoar o atracador por duas vezes. Ao mesmo tempo, ordenou (...)
Apagaram-se as luzes. Ninguém conseguia dormir, mas todos tentaram. Eu nem me dei a esse trabalho. Eu estava sentado junto à janela e fiquei a olhar para a asa e para as luzes em baixo. Estava tudo organizado em belas linhas rectas. Ninhos de formigas.  Deslizámos até ao aeroporto internacional de L.A. Ann, amo-te. Espero que o meu carro arranque. Espero que o lava-louça não esteja entupido. Estou contente por não ter fodido com uma groupie. Estou contente por não ser muito bom a (...)
Eu perdi a vez de ser simples,  perdi a vez feliz de ignorar, perdi a sábia ignorância, perdi a graça de não saber. Deixei passar a vez de ir na corrente  e de ser como toda a gente  às carambolas da sorte.    Eu perdi a vez de ser analfabeto, esse segredo para não ser doutor  e para não saber também o que as letras sabem  do mundo e de mim.    (...) ser ignorante não dói  não dói tanto como não ignorar!   Eu deixei passar a vez de ir na onda  e (...)
29 Mar, 2017

voar

Voar é o contrário de viajar: atravessas uma descontinuidade do espaço, desapareces no vácuo, aceitas não estar em parte nenhuma durante uns momentos que são também uma espécie de vácuo no tempo; depois reapareces, num lugar e num instante sem relação com o onde e com o quando em que tinhas desaparecido.      Italo Calvino – Se Numa Noite de Inverno Um Viajante (1979) Coleção Mil Folhas PÚBLICO (2002)