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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Nariz de cera

24
Mai22

a duas ruas

Cecília

Não consigo flutuar com suavidade nem misturar-me com os outros. Prefiro o olhar dos pastores que encontro no caminho; o olhar das ciganas que alimentam os filhos ao lado das carroças

 

Virginia Woolf – As Ondas (1931)

Colecção Mil Folhas / Bibliotex SL / M.E.D.I.A.S.A.T. e Promoway Portugal Ltda (2002)

 

 

04
Mai22

tumulto

Cecília

Não somos obrigados a vergar as costas e a apanhar todas as chicotadas que nos quiserem dar. Também não somos carneiros, prontos a seguir um mestre. Somos criadores.

 

Virginia Woolf – As Ondas (1931)

Colecção Mil Folhas / Bibliotex SL / M.E.D.I.A.S.A.T. e Promoway Portugal Ltda (2002)

 

 

25
Mar22

ladrei-te, meu bem (e sempre ladrarei)

Cecília

"Es la canción con la que quiero definir -en esencia- a ese grupo de personas que solemos ladrar, pelear ante la vida y la adversidad, hacerles frente a veces con dureza, a veces firmes como una roca, pero siempre en el ánimo de arreglar las cosas. Para los amantes de la diatriba no beligerante, esa que aspira a escuchar todas las posturas manifiestas. Esas personas. Esas. Esas que son tan distintas de las que nunca dicen nada pero que, cuando menos lo esperas, atacan y asestan un mordisco mortal para herir como única finalidad.

Yo ladro, mucho, pero no muerdo. El bozal es para los que muerden. Esto lo digo como mujer."

 

Vega.

 

 

18
Mar22

quebra verniz(es)

Cecília

... por entre as algas, vejo a inveja, o ciúme, o ódio e o desprezo rastejarem como caranguejos por sobre a areia. 

 

Virginia Woolf – As Ondas (1931)

Colecção Mil Folhas / Bibliotex SL / M.E.D.I.A.S.A.T. e Promoway Portugal Ltda (2002)

 

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18
Mar22

Qu'à t-on fait de la vérité?

Cecília

Não faz nada. É uma pessoa que não faz nada e a quem esse estado de não fazer nada ocupa a totalidade do tempo.

 

Marguerite Duras – Olhos Azuis, Cabelo Preto (1986)

Colecção Mil Folhas / Bibliotex SL / M.E.D.I.A.S.A.T. e Promoway Portugal Ltda (2002)

 

Plus j'avance et plus je sais
Que t'es là, toi mon ego
Faut que je m'en aille
Je sais que je déraille
Aujourd'hui je t'écris
Je brûle tout ce que tu me dis, maudit
Vomis tout ce qui brille
La guerre s'en suit
On est loin, on est loin
Du jardin d'Eden
Éternelle réalité
Libérez, libérons, nous de nous-même
Qu'à t-on fait de la vérité?
Brisez les, brisez les, brisez toutes les haines
Dévoilez, n'affrontez que moi
Le seul combat
Auquel je crois
C'est contre moi, moi, moi, moi, moi
Libère ton esprit
Ecoute chanter le monde
Pourquoi passer sa vie
À courir après une ombre?
Juste une pâle copie
Une voix qui t'entraîne
Et petit à petit
Elle prend ton oxygène
We are the war
The war en nous même
J'veux voir
J'veux voir
J'veux voir la lumière
Libère toi
C'est l'é, c'est l'é, c'est l'é, c'est l'é
L'ego, l'ego, l'ego, l'ego
C'est l'é, c'est l'é, c'est l'é, c'est l'é
L'ego, l'ego, l'ego, l'ego
C'est l'é, c'est l'é, c'est l'é, c'est l'é
L'ego, l'ego, l'ego, l'ego
C'est l'é, c'est l'é, c'est l'é
L'ego, l'ego, l'ego
On est loin, on est loin
Du jardin d'Eden
Entre joie et fatalité
Libérez, libérons, nous de nous-même
Pourquoi souffrir lorsqu'on peut s'aimer?
Brisez les, brisez les, brisez toutes les chaînes
Dévoilez, être que soi
Le seul combat
Auquel je crois
C'est contre moi, moi, moi, moi, moi
Libère ton esprit
Ecoute chanter le monde
Pourquoi passer sa vie
À courir après une ombre?
Juste une pâle copie
Une voix qui t'entraîne
Et petit à petit
Elle prend ton oxygène
We are
The war
The war en nous même
J'veux voir
J'veux voir
J'veux voir la lumière
Libère toi
C'est l'é, c'est l'é, c'est l'é, c'est l'é
L'ego, l'ego, l'ego, l'ego
C'est l'é, c'est l'é, c'est l'é, c'est l'é
L'ego, l'ego, l'ego, l'ego
C'est l'é, c'est l'é, c'est l'é, c'est l'é
L'ego, l'ego, l'ego, l'ego
C'est l'é, c'est l'é, c'est l'é, c'est l'é
L'ego, l'ego, l'ego, l'ego
Libère toi

 

11
Mar22

super bowl

Cecília

Ele diz: E havemos de nos recordar [...] Do desejo também. Ela diz: É verdade, do nosso desejo um do outro de que não fazemos nada.

 

Marguerite Duras – Olhos Azuis, Cabelo Preto (1986)

Colecção Mil Folhas / Bibliotex SL / M.E.D.I.A.S.A.T. e Promoway Portugal Ltda (2002)

 

 

11
Mar22

[gri gri gri gri]

Cecília

[...] estudo mostrou mudanças notáveis na expressão do racismo: uma redução no racismo biológico, tradicional, flagrante, ao mesmo tempo que surgia um racismo mais indirecto e subtil, que se exprime mais no benefício do branco do que em sentimentos antinegro [...] 

Embora o racismo tenha, em muitas situações, evoluído de flagrante para subtil [...] a verdade é que persiste e, consequentemente, a probabilidade de a discriminação racial e a violência contra pessoas percebidas como tendo «origens étnicas ou cor diferente» continuar a ocorrer é elevada.

 

Jorge Vala  – Racismo, Hoje, Portugal em Contexto Europeu (2021)

Fundação Francisco Manuel dos Santos, Jorge Vala (2021)

 

 

21
Fev22

vergonhas [não tão] alheias II

Cecília

A perceção de que estariam a registar-se alterações na expressão do racismo, levou ao conceito de racismo cultural na Europa dos anos 80, quando se regista uma nova argumentação a favor da rejeição da imigração proveniente das ex-colónias europeias [...] 

Embora o racismo biológico não seja posto de parte nestes movimentos, os argumentos contra a imigração de não-brancos e a rejeição em geral de pessoas de origem não-europeia focam a «diferença cultural», sendo progressivamente sistematizados e difundidos os princípios ideológicos do que viria a ser classificado como «novo racismo», ou «racismo diferencialista», ou ainda «racismo cultural», por vários cientistas sociais e filósofos. Esses princípios ideológicos podem ser resumidos da seguinte forma: as diferenças culturais entre grupos de humanos são muito profundas e remetem para diferenças de natureza; algumas culturas são superiores a outras; culturas diferentes são intrinsecamente incompatíveis e dificilmente podem coexistir numa mesma sociedade [...]

É só nos anos 90 que surgem as primeiras pesquisas que examinam se e como o senso comum inferioriza culturalmente, e se esta inferiorização se pode conceptualizar como uma nova forma de racismo.

 

Jorge Vala – Racismo, Hoje, Portugal em Contexto Europeu (2021)

Fundação Francisco Manuel dos Santos, Jorge Vala (2021)

 

 

21
Fev22

vergonhas [não tão] alheias I

Cecília

Uma pesquisa ilustra bem a resistência dos estereótipos à evidência e, das diferentes situações que envolvia, salientamos duas: uns participantes eram confrontados com fotografias de um grupo de pessoas negras, bem vestidas, descritas num pequeno texto como tendo obtido sucesso na vida; outros participantes eram confrontados com fotografias das mesmas pessoas negras, mas agora vestidas de forma simples e descritas como tendo fracassado na vida. Era pedido aos participantes que avaliassem a cor dos membros de cada um dos grupos, num contínuo de mais negro a mais branco. Os resultados foram claros: as pessoas que apareciam bem vestidas nas fotografias e no cenário de sucesso foram percebidas como mais brancas do que as vestidas de forma simples. Das diferenças de sucesso os participantes inferiram diferenças de cor. Ao que parece, quando a realidade não confirma o estereótipo, mudamos a (perceção da) realidade para manter o estereótipo. 

 

Jorge Vala  – Racismo, Hoje, Portugal em Contexto Europeu (2021)

Fundação Francisco Manuel dos Santos, Jorge Vala (2021)

 

 

18
Fev22

anything you wish me, that be your portion

Cecília

Ele assusta-se, de certo modo. Não gosta que lhe falem disso, de certas coisas. Diz que falaram daquilo que não conheciam. Ela não tem a certeza. Diz:

- Engana-se, talvez não seja verdade. Conhecemos tudo de certa maneira, tudo e todos, quero eu dizer. Repare na morte, como a conhecemos bem.

 

Marguerite Duras – Olhos Azuis, Cabelo Preto (1986)

Colecção Mil Folhas / Bibliotex SL / M.E.D.I.A.S.A.T. e Promoway Portugal Ltda (2002)

 

 

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