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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Nariz de cera

25
Mar22

ladrei-te, meu bem (e sempre ladrarei)

Cecília

"Es la canción con la que quiero definir -en esencia- a ese grupo de personas que solemos ladrar, pelear ante la vida y la adversidad, hacerles frente a veces con dureza, a veces firmes como una roca, pero siempre en el ánimo de arreglar las cosas. Para los amantes de la diatriba no beligerante, esa que aspira a escuchar todas las posturas manifiestas. Esas personas. Esas. Esas que son tan distintas de las que nunca dicen nada pero que, cuando menos lo esperas, atacan y asestan un mordisco mortal para herir como única finalidad.

Yo ladro, mucho, pero no muerdo. El bozal es para los que muerden. Esto lo digo como mujer."

 

Vega.

 

 

24
Jan22

sei bem, sé

Cecília

Temos, temos, temos - que palavra detestável. Mais uma vez, eu, que me julgara imune, que dissera: "Agora, estou livre de tudo", descubro que a onda se abateu contra mim, espalhando tudo o que possuía, deixando-me o trabalho de voltar a juntar e a montar as peças 

 

Virginia Woolf – As Ondas (1931)

Colecção Mil Folhas / Bibliotex SL / M.E.D.I.A.S.A.T. e Promoway Portugal Ltda (2002)

 

 

24
Ago20

engolir para fora

Cecília

Certa vez, o avô Jorge cortou a ponta do dedo com a tesoura da poda. Nesse caso, o grito foi curto e grave. Como se o som quisesse sair e ele o metesse para dentro. Lutava não apenas com o sangue que jorrava como de uma mangueira, mas com o próprio grito. E logo de seguida, com um lenço apertado no dedo, o avô conseguiu dominá-lo. Tinha sido uma questão de segundos. Um desleixo. Uma coisa a não repetir.

[...]

Aquele grito existiu, não era possível voltar atrás, mas foi remetido para a escuridão no mesmo momento em que foi produzido. A escuridão das coisas de que não é permitido falar. As coisas íntimas. As coisas que se querem só para nós. 

Os gritos da mãe eram outra coisa. Eram gritos virados para fora. Queriam dizer que existiam. Viajar para longe. Perdurar no tempo e na distância. Era como se fizessem questão de permanecer dentro dela e ela os quisesse expulsar. Como se, de boca aberta, procurasse projectar o som o mais longe que podia. 

E a isto, percebi depois, as pessoas chamavam desabafar.

- Deita tudo cá para fora - ouvi o resto do dia. 

Isso queria dizer que o avô tinha procurado abafar a sua dor, comê-la. Por outro lado, a mãe fazia todos os possíveis para desabafar a sua dor, vomitá-la. Isto era compreensível. À partida, só conseguíamos manter uma dor dentro de nós se ela lá coubesse. E tendo em conta o que ouvi durante esses dias, era natural que a dor da mãe fosse muito maior do que a do avô.

Uma dor maior. Sem comparação possível. 

 

Hugo Mezena – Gente Séria (2017)

Planeta Manuscrito (2018)

 

 

 

30
Jan20

tropeços

Cecília

a tropeçar em si mesmo, não nos sapatos, a tropeçar no interior de si mesmo que é o género de tropeço que provoca as quedas mais graves 

 

António Lobo Antunes – A Última Porta Antes da Noite (2018)

Publicações Dom Quixote (2018)

 

 

09
Mai19

no tempo certo - fruto inteiro e maduro

Cecília

Recomeça... se puderes, sem angústia e sem pressa e os passos que deres, nesse caminho duro do futuro, dá-os em liberdade, enquanto não alcances não descanses, de nenhum fruto queiras só metade.

 

Miguel Torga

 

 

18
Mar19

frente a mis ojos estabas

Cecília

Te amé sin que yo lo supiera, y busqué tu memoria. 

En las casas vacías entré con linterna a robar tu retrato. 

Pero yo ya sabía cómo era. De pronto 

mientras ibas conmigo te toqué y se detuvo mi vida: 

frente a mis ojos estabas, reinándome, y reinas. 

Como hoguera en los bosques el fuego es tu reino.

 

Pablo Neruda - Soneto

 

 

 

02
Mar19

ver o espelho

Cecília

Se sou amado,
quanto mais amado
mais correspondo ao amor.

Se sou esquecido,
devo esquecer também,
Pois amor é feito espelho:
-tem que ter reflexo.

 

Pablo Neruda

 

 

 

 

09
Jan18

sabrás

Cecília

Matsu nunca prometeria parar de chorar. Acalmara, mas sabia bem que a felicidade se compunha da soma de muita tristeza também. 

 

 

Valter Hugo Mãe – Homens imprudentemente poéticos

Porto Editora (2016)

 

 

 

 Sabrás que he cumplido firmemente,
Tú sabrás, mi promesa de quererte hasta el final,
Que he esperado tanto tiempo,
Y aún puedo más.
Sabrás que yo he sido la primera,
Tú sabrás, en escribirte una canción que te recuerde aquella vez,
En que mi cuerpo temblaba,
Porque tus manos en cada abrazo,
Me hicieron sentirme segura,
Siempre a salvo, a salvo.
Y tus besos, a cada paso,
Me hicieron sentirme segura,
Siempre a salvo, a salvo.

Quizás no he encontrado la manera hoy,
Quizás de hacer de tripas corazón,
De conformarme con vivir anclada
A un sueño que amaba
Porque tus manos en cada abrazo,
Me hicieron sentirme segura,
Siempre a salvo, a salvo.
Y tus besos, a cada paso,
Me hicieron sentirme segura,
Siempre a salvo, a salvo.

Quiero que comprendas que sin ti no tengo nada,
Que aposté toda mi vida, y que a lo hecho pecho,
Siento que te marches aunque nunca digas nada,
Aunque no tenga derecho a recibir mañana.
Puede que el futuro no me lleve hasta tu casa,
Pero sigo decidida a no ceder por hoy.
Si tus manos a cada paso,
Me hicieron sentirme segura,
Siempre a salvo, a salvo.
Y tus besos, a cada paso,
Me hicieron sentirme segura,
Siempre a salvo, a salvo.

02
Out17

la conjura de los necios

Cecília

Sería posible citar otro ejemplo emblemático: La conjura de los necios de John Kennedy Toole. El autor, a quien dejó exhausto la letanía incesante de los rechazos, se suicidó en 1969, a la edad de treinta y un años. Como epígrafe a su novela había puesto, con premonitoria ironía, la siguiente frase de Jonathan Swift: « Cuando aparece en el mundo un verdadero genio, se lo puede reconocer por esta señal: todos los necios se conjuran contra él » (...) Tras su muerte, la madre del autor peleó durante años para que se cumpliera el sueño de su hijo: publicar. Ese encarnizamiento obtuvo recompensa y por fin todo el mundo conoció el libro en 1980, y este tuvo éxito internacional inmenso.

 

 

David Foenkinos - La biblioteca de los libros rechazados (2016)
Titulo original: Le Mystère Henri Pick
Traducción de María Teresa Gallego Urrutia y Amaya García Gallego
Penguin Random House Grupo Editorial S.A.U. (febrero, 2017)

 

 

 

 

 

 

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