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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

É que muito antes das portas se terem aberto para deixar entrar o grande público, já António Variações passara estes umbrais e descobrira o seu único, pessoal e intransmissível caminho. Daí a sua singularidade. Daí a sua universalidade.      Manuela Gonzaga – António Variações, Entre Braga e Nova Iorque (2018) Manuela Gonzaga e Bertrand Editora (2018)         
« O álcool é uma molécula rara na natureza. Além da sua produção pelas leveduras, a síntese alcoólica está limitada à germinação de sementes e alguns tipos de bactérias. Essas bactérias tendem a gerar maus sabores - que podem estragar a cerveja e a sidra -, mas, para gáudio dos cervejeiros, dificilmente competem com as leveduras. O álcool também é produzido sem intervenção biológica, em nuvens interestelares. A maior destas nuvens moleculares próxima do centro da (...)
01 Out, 2019

terno abrasivo

Bastou uma pequena água para que o Universo inteiro vestisse a tua cinza perturbada delirante pelos rituais da saliva e da pele. E o nosso sangue queimava terno abrasivo.    Paulo da Costa Domingos in CAMPO DE TÍLIAS     Paulo da Costa Domingos – Carmina (1971-1994) Antígona (1995)      
01 Out, 2019

fala-se

No princípio de janeiro de 1956, vivia-se um dos invernos mais rigorosos de que há memória e quando António Joaquim Rodrigues Ribeiro chegou a Lisboa, a cidade estava debaixo de um temporal. A vaga de frio que submergia toda a Europa, chegara a Portugal com o seu cortejo de aguaceiros, temporais, trovoadas e cheias e enxurradas violentas que fustigaram campos, aldeias, vilas e cidades. As inundações catastróficas, no Porto e em Lisboa, ilustram bem o ímpeto das tempestades, que (...)
26 Set, 2019

proveitos

Ora a acção é sempre mais proveitosa que a propaganda, excepto para os indivíduos cujo feitio os indica essencialmente como propagandistas - os grandes oradores, capazes de electrizar multidões e arrastá-las atrás de si, ou os grandes escritores, capazes de fascinar e convencer com os seus livros.    Fernando Pessoa - O Banqueiro Anarquista (1922) Antígona (2018)      
Queria Que me levasses no coração pelo Universo  (...) «Que nenhum filho da puta se me            [atravesse nos teus versos como a multidão aos                                                                           [encontrões»     Paulo da Costa Domingos in Vala Comum     Paulo da Costa Domingos – Carmina (1971-1994) Antígona (1995)   O Jardim das Delícias Terrenas (1504) Hieronymus Bosch      
08 Out, 2018

prisão

Para encherem a noite, os grilos não precisam mais que de uma lura.  Mesmo no cativeiro continuam a cantar...   Para o homem, momentos há -- e é doloroso reconhecê-lo -- em que até o universo é uma prisão.   Jorge Sousa Braga - Ao Relento     in O Poeta Nu [poesia reunida] Assírio & Alvim (abril 2014)        
07 Ago, 2018

buracos negros

A vida (...) virada para apenas um lado do telescópio, o espaço sideral, sem perceber que, quando se olha através dele, é ao espelho que nos vemos: não existem buracos negros no espaço sideral, algures a milhares de anos-luz da Terra. Esses buracos negros que vemos ao telescópio são os mesmos que não conseguimos ver dentro de nós.      Afonso Cruz - Jesus Cristo Bebia Cerveja (2012) Penguin Random House (2016)