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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

encontrões na vala comum


Cecília

18
Jul19

Queria

Que me levasses no coração pelo Universo 

(...)

«Que nenhum filho da puta se me 

          [atravesse nos teus versos como a multidão aos 

                                                                         [encontrões»

 

 

Paulo da Costa Domingos in Vala Comum

 

 

Paulo da Costa Domingos – Carmina (1971-1994)
Antígona (1995)

 

O Jardim das Delícias Terrenas (1504)

Hieronymus Bosch

 

 

 

comportamento perigosamente seguro


Cecília

09
Mai19

Não existe meio mais seguro para fugir do mundo do que a arte, e não há forma mais segura de se unir a ele do que a arte.

 

Johann Goethe

 

 

 

prisão


Cecília

08
Out18

Para encherem a noite, os grilos não precisam mais que de uma lura. 

Mesmo no cativeiro continuam a cantar...

 

Para o homem, momentos há -- e é doloroso reconhecê-lo -- em que até o universo é uma prisão.

 

Jorge Sousa Braga - Ao Relento

 

 

in O Poeta Nu [poesia reunida]

Assírio & Alvim (abril 2014)

 

 

 

 

buracos negros


Cecília

07
Ago18

A vida (...) virada para apenas um lado do telescópio, o espaço sideral, sem perceber que, quando se olha através dele, é ao espelho que nos vemos: não existem buracos negros no espaço sideral, algures a milhares de anos-luz da Terra. Esses buracos negros que vemos ao telescópio são os mesmos que não conseguimos ver dentro de nós. 

 

 

Afonso Cruz - Jesus Cristo Bebia Cerveja (2012)

Penguin Random House (2016)

 

 

 

 

universo sem cartão


Cecília

20
Jun18

Para quem é amigo do universo, o universo é amigo. 

 

 

Italo Calvino - Palomar (1983)

Planeta DeAgostini (2001)

 

 

 

Le Rat des Villes et le Rat des Champs

Jacques Offenbach

(20 de junho, 1819 — 5 de outubro, 1880)

 

 

o sol, o pão, o ouro, a Terra e o coração


Cecília

03
Mai18

Deus não é uma entidade separada de nós (...) Ele é o sol, e o pão, e o céu e o ouro do cálice, e as forças da natureza e a Terra, e o coração do homem. Habita em nós e à nossa volta; nós estamos dentro dele, e nunca fora. Espírito universal, revela-se em todo o lado através dos véus opacos e cerrados da matéria, e a nossa alma é um santuário que ele inunda com a sua essência (...) Procure-mo-lo, pois, dentro de nós: quanto mais assim o procurarmos, mais aprenderemos a encontrá-lo, mais transparente será o véu e mais abrasador o clarão misterioso 

 

 

George Sand – Diário Íntimo

Antígona (2004)

 

 

 

 

 

bruno de nola


Cecília

17
Fev17

Ao peso da sua condenação se deverá, certamente, o silêncio quase total dos contemporâneos, quaisquer que fossem as suas razões - «alguns por medo, outros por remorso» - e as formas externas de que se revestiram: e que vão desde as versões piedosamente «atenuadas» do suplício (e não menos empenhadas em justificá-lo), à remoção do nome Frei Giordano «dos registos da Ordem de S. Domingos» e das Universidades e Academias em que tinha ensinado.

Silenciaram também o facto da sua morte, com unânime cumplicidade, não só «os escritores da história profana» - que não deixaram, porém, de relatar as condenações de outros heréticos «daquele fim de século» - como ainda «os da história eclesiástica» e até os que, em vida, o protegeram, lhe deram  hospitalidade e partilharam da sua amizade.  

 

Giordano Bruno - Acerca Do Infinito, Do Universo E Dos Mundos

Fundação Calouste Gulbenkian (junho 1998)

 

 Giordano Bruno

(Nola, Reino de Nápoles, 1548 — Roma, Campo de Fiori, 17 de fevereiro, 1600)

 

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Apresento-vos agora a minha especulação acerca do infinito, do universo e dos mundos inumeráveis. 

(...)

começa-se a demonstrar a infinidade do universo, e apresenta-se o primeiro argumento, tirado o facto de não saberem onde termina o mundo aqueles que mediante a fantasia lhe querem fabricar muralhas. 

 

 

Giordano Bruno - Acerca Do Infinito, Do Universo E Dos Mundos

Fundação Calouste Gulbenkian (junho 1998)