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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Nariz de cera

26
Jan21

máscaras que funcionam

Cecília

A outra má experiência, que ainda hoje recorda, foi com outra instituição de Pedrógão Grande. Sílvia ligou, a directora respondeu-lhe que tinha os armazéns cheios. Sílvia diz que insistiu. «O que temos para levar não são bens usados, é artigo novo, embalado; jogos de lençóis, atoalhados, edredões, toalhas de mesa, panos de cozinha, tudo de que uma casa precisa. E oitenta pares de calçado novo, em caixa.» Do outro lado fez-se um curto silêncio, antes da resposta que a promotora do grupo Esposende com Pedrógão no Coração reproduz: «Ela diz-me: " Vamos fazer assim, faça uma triagem. O que estiver usado ponha numas carrinhas à parte e, se não se importar, entrega nos bombeiros de Castanheira de Pêra, que estão a recolher esse tipo de artigo. O que for novo põe noutra carrinha, e quando vier a caminho dá-me um toque para o meu telemóvel particular, que lhe vou dar, e um assistente meu estará à vossa espera para recolher esses bens." 

 

Patrícia Carvalho – Ainda aqui estou (2018)

Fundação Francisco Manuel dos Santos e Patrícia Carvalho (2018)

 

 

28
Jun18

passatempo entre guerras

Cecília

Curioso é constatar que, após o homem ter inventado as primeiras armas logo se iniciaram as conversações para reduzir os armamentos, o que durante milhares de anos, devia ser o passatempo preferido nos intervalos das guerras. 

 

 

Vilhena – História Universal da Pulhice Humana (1960/1961/1965)
Edição Completa, Integral e Nunca Censurada dos Três Volumes Originais Pré-História / O Egipto / Os Judeus

Herdeiros de José Vilhena / SPA 2015, E-Primatur (2016)

 

 

 

 

19
Ago16

supercouraçados

Cecília

" - E s'a guerra continuar?

- Então emitimos votos onde, sem deixar de dar razão ao mais fraco, não negamos a razão do mais forte. E pedimos aos dois países em guerra que declarem solenemente que não fazem guerra um ao outro, mas que procedam a operações de ordem para regulação do conflito. É mais pacífico. Em geral, as operações militares sempre acabam por acabar. Admitimos então que a parte mais forte proceda a uma determinada tomada de território que lhe agrade, desde que não se pronuncie a palavra anexação. No referente à Etiópia fomos terríveis de início e não receámos protestar contra a atitude da Itália. Mas depois de termos desse modo provado o nosso apego ao ideal de justiça, tivemos mesmo que encarar a realidade de frente. É que, digam o que disserem os foliculários com falta de assunto, nós não somos utopistas. Por isso nos contentámos com dar aos Estados membros a liberdade de reconhecer ou não esta conquista. Bela táctica, não acham? Com efeito, as conveniências são respeitadas. Primo, a Sociedade das Nações permanece fiel ao seu ideal, visto que não reconhece, ao menos por agora, a conquista da Etiópia. Secundo, os Estados membros não infringem os seus deveres para com a Sociedade das Nações, uma vez que esta autoriza a reconhecer a conquista da Etiópia, se assim quiserem. Temos, como vêem, uma grande preocupação com a liberdade de pensamento e com a soberania dos Estados membros da Sociedade das Nações ainda não vencidos. Cada um dos Estados que faça o que quiser. Nos daí lavamos as nossas mãos. No fim de contas, o nosso papel é emitir votos prudentes, é votar resoluções hábeis que não desgostem ninguém. A nossa tarefa resume-se a isto: ser anódinos! Cumpriremos essa tarefa com um vigor cada vez maior. (Confidencial:) De resto, aquele négus é bastante antipático. Parece que nao está nada doente, que tudo aquilo é uma comédia. E, além disso, tenho ouvido dizer que vive com dificuldades. É claro que tudo aquilo é muito triste. Mas que se há-de fazer? O que a Etiópia tinha a fazer era servir-se de gases asfixiantes, e a verdade é que não temos culpa de ela ter um exército deplorável, não receio dizê-lo, deplorável. (Deu uma palmada na mesa.) Eis, num breve resumo, senhor ministro, a actividade da Sociedade das Nações. Mas não é tudo. Tenho dois grandes projectos que de certo modo são a carne da minha carne, filhos do meu pensamento e do meu coração, que concebi no silêncio e na meditação. Eis o primeiro projecto, que lhes conto confidencialmente. Se Sir John Cheyne estiver de acordo, pediremos aos grandes países que chamem Humanidade, Concórdia, Paz Internacional e assim por diante a todos os supercouraçados actualmente em construção. O meu segundo projecto consiste em suprimir os soldados e os canhões nas lojas de brinquedos. Desarmemos as crianças! Do ponto de vista moral, as crianças são mais importantes que os pais. O futuro! " 

 

 

Albert Cohen  – Trincapregos (1938)

Tradução de Pedro Tamen 

 

Contexto Editora, Lda., para Círculo de Leitores (outubro,1999)

 

 

 

TRINCAPREGOS

também chamado Dentolas e Olho de Satanás

e Lord High Life e Sultão dos Tossegosos

e Crânio-em-Sela e Pés Pretos

e Chapéu Alto e Bei dos Mentirosos

e Palavra de Honra e Quase Advogado

e Complicador de Processos e Médico de Clisteres

e Alma do Juro e Poço de Astúcia

e Devorador de Patrimónios e Barba de Forquilha

e Pai da Imundície e Capitão dos Ventos 

 

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