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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

29.10.19

alterações (eco)comportamentais


Cecília

Abro os olhos

e a terra é verde.

 

Enlaço troncos

e o mundo é meu. 

 

 

António Ramos Rosa in SEIS POEMAS DA TERRA - Obra Poética I

Assírio & Alvim (2018)

 

 

 

01.10.19

fala-se


Cecília

No princípio de janeiro de 1956, vivia-se um dos invernos mais rigorosos de que há memória e quando António Joaquim Rodrigues Ribeiro chegou a Lisboa, a cidade estava debaixo de um temporal. A vaga de frio que submergia toda a Europa, chegara a Portugal com o seu cortejo de aguaceiros, temporais, trovoadas e cheias e enxurradas violentas que fustigaram campos, aldeias, vilas e cidades. As inundações catastróficas, no Porto e em Lisboa, ilustram bem o ímpeto das tempestades, que mais a sul destroem pomares, as hortas e as sementeiras do Algarve. Bem como as searas do Alentejo e as lezírias ribatejanas, as quais, sepultadas sob um imenso lençol de água, não podem ser cultivadas. O que resta é destruído pelas geadas (...)

Às inundações de janeiro, segue-se, em fevereiro, uma segunda vaga de frio ainda mais intenso, que transforma as águas em gelo nos tanques, nas ruas, nas canalizações. A Basílica de Fátima aparece coberta de neve da noite para o dia 24 de fevereiro de 1956. No norte do País regista-se o maior nevão que há memória, com os comboios bloqueados ou descarrilados, sob um manto branco de um metro de espessura. Desde 1860 não fazia tanto frio em Lisboa. Imagens para recordar: a água dos lagos do Rossio gela. Em São Pedro de Alcântara há estalactites nos chafarizes. 

Toda a Europa, do Atlântico aos Balcãs, treme de frio e de horror num dos invernos mais rigorosos de que há memória e que deixará atrás de si o saldo de muitas centenas de mortos. A prodigiosa vaga de frio que atinge a Península Ibérica, deixa grande parte de Espanha e Portugal cobertos de neve, chegando às Baleares e ao Norte de África. Roma, tal como Paris, estava sob neve, que, no norte de Itália, chegou a atingir os cinco metros de altura. A Escócia sofria inundações brutais. Holanda e Bélgica, fustigadas por nevões intermináveis, e densíssimo nevoeiro. A França e a Grã-Bretanha são varridas por violentas rajadas de vento gélido e, em Londres, os arrepiantes relatos referem centenas de mortos e intoxicações pela mistura de nevoeiro e smog que envolve a cidade e arredores. Na Jugoslávia, uma barragem de gelo é demolida por bombardeamento aéreo.

Fala-se numa miniglaciação. 

 

 

Manuela Gonzaga – António Variações, Entre Braga e Nova Iorque (2018)
Manuela Gonzaga e Bertrand Editora (2018) 

 

 

(...)

Vaca profana, põe teus cornos
Pra fora e acima da manada
Vaca profana, põe teus cornos
Pra fora e acima da man...

(...)

Dona das divinas tetas
Quero teu leite todo em minha alma
Nada de leite mau para os caretas

Mas eu também sei ser careta
De perto, ninguém é normal
Às vezes, segue em linha reta
A vida, que é "meu bem, meu mal"

No mais, as "ramblas" do planeta
"Orchta de chufa, si us plau"
No mais, as "ramblas" do planeta
"Orchta de chufa, si us...

 

 

26.09.19

proveitos


Cecília

Ora a acção é sempre mais proveitosa que a propaganda, excepto para os indivíduos cujo feitio os indica essencialmente como propagandistas - os grandes oradores, capazes de electrizar multidões e arrastá-las atrás de si, ou os grandes escritores, capazes de fascinar e convencer com os seus livros. 

 

Fernando Pessoa - O Banqueiro Anarquista (1922)
Antígona (2018)

 

 

 

21.03.19

the enemy is invisible, but the battle is real


Cecília

Toda manhã na africa, a gazela acorda. Ela sabe que precisa correr mais rápido que o mais rápido dos leões para sobreviver.

Toda manhã um leão acorda. Ele sabe que precisa correr mais rapido que a mais lenta das gazelas senão morrerá de fome.

Não importa se você é um leão ou uma gazela.

Quando o sol nascer, comece a correr.

 

Provérbio africano

 

 

Mu kanganhisse wa minssava
hinkwayo, yo kala yinga xiyi
Hi madimoni yawena la makulo,
a nala anga
vonakali kambe a yimpi i ya ntiyisso
Unga lá ndzita sathana hi ku ungamu zandza
Unga landzi sathana hiku Unga mu navela
Mati yo daha
Mati yo Hu luta

 

 

Deceiver from all over the world,
Dashing on earth with his mighty demons,
The enemy is invisible, but the battle is real.
Do not go after the Devil, because you may like it,
Do not go after the Devil, because you may need
(Come) with your healing water, water that saves, water that cleans,
The spirit, mind and body

 

08.08.18

todos, mais o tempo


Cecília

Agora plantam-nos os campos de oliveiras espanholas regadas gota a gota, como as mulheres finas. Dantes era sequeiro. Dizem-nos para poupar no banho e depois regam as oliveiras, que nunca foram regadas desde que Deus criou o mundo. Nós não nos podemos molhar, mas as putas das árvores podem encharcar-se como peixes. E depois temperamos os tomates com aquele azeite aguado, que é o que aquelas oliveiras dão, de tanta água que bebem. Dizem que é a competitividade. Mas um gajo quer competir em quantidade ou qualidade? Eles que produzam mundos aguados que nós ficamos com os frutos a saber a suor e a sangue e a terra. Que se fodam todos, mais o tempo, mais o século. 

 

 

Afonso Cruz - Jesus Cristo Bebia Cerveja (2012)

Penguin Random House (2016)

07.08.18

buracos negros


Cecília

A vida (...) virada para apenas um lado do telescópio, o espaço sideral, sem perceber que, quando se olha através dele, é ao espelho que nos vemos: não existem buracos negros no espaço sideral, algures a milhares de anos-luz da Terra. Esses buracos negros que vemos ao telescópio são os mesmos que não conseguimos ver dentro de nós. 

 

 

Afonso Cruz - Jesus Cristo Bebia Cerveja (2012)

Penguin Random House (2016)

 

 

 

 

10.11.16

terra mãe terra


Cecília

Ô terre, dans ta course immense et magnifique,
L'Amérique, et l'Europe, et l'Asie, et l'Afrique
Se présentent aux feux du Soleil tour à tour ;
Telles, l'une après l'autre, à l'heure où naît le jour,
Quatre filles, l'amour d'une maison prospère,
Viennent offrir leur front au baiser de leur père.

 

Victor Hugo.

 

 

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