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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

medição de tempos

Nas relações, o tempo comporta-se de maneira diferente. O único relógio que mede o passar destes tempos são os sentimentos. 

 

 

Afonso Cruz - Jesus Cristo Bebia Cerveja (2012)

Penguin Random House (2016)

 

 

 

 

binários

Numa época em que a intolerância dos mais velhos em relação aos jovens e dos jovens em relação aos mais velhos chegou ao cúmulo, em que os mais velhos não fazem outra coisa senão acumular argumentos para dizerem finalmente aos jovens aquilo que eles merecem, e os jovens não esperam mais do que estas ocasiões para demonstrarem que os mais velhos não percebem nada, o senhor Palomar (...) percebe que ninguém quer sair dos binários do seu próprio discurso para responder a perguntas que, sendo provenientes de um outro discurso, obrigariam a repensar as mesmas coisas com outras palavras, e até mesmo a encontrar-se em territórios desconhecidos, longe dos percursos seguros. 

 

 

Italo Calvino - Palomar (1983)

Planeta DeAgostini (2001)

 

 

 

 

demasiado tarde

demasiado tarde logrou libertar-se das impaciências juvenis e percebeu que a única salvação reside no aplicar-se às coisas que existem. 

 

 

Italo Calvino  - Palomar (1983)

Planeta DeAgostini (2001)

 

 

 

 

momentos de lucidez

Nos momentos de lucidez, devemos habituar-nos a prever as regressões, para que mesmo no delírio possamos conservar a consciência da tranquilidade que nao tardará. 

Ter por hábito não nos deixarmos ludibriar pelo nosso próprio mal. 

 

 

George Sand – Diário Íntimo

Antígona (2004)

 

 

 

 

não segurar o orgulho

Contei o meu desgosto a Delacroix, pois de que mais poderia falar, senão disso? E ele deu-me um bom conselho: deixar de ter coragem. «Deixai-vos ir», disse-me. «Quando eu próprio me sinto assim, não me deixo tomar pelo orgulho; não nasci Romano. Entrego-me ao meu desespero. Consome-me, debilita-me, mata-me. Quando se farta, aborrece-se e deixa-me em paz.» 

 

George Sand – Diário Íntimo

Antígona (2004)

 

 

 

comprar-se / vender-se

OLHE, PRECISO DE DINHEIRO

Preciso de muito dinheiro. Quero abrir um negócio.

Algo meu, sabe como é. Estou farto de patrões.

Não posso passar a minha vida atrás de um balcão.

A levar todas as noites com a baba dos perdidos nas trombas. 

Já não tenho paciência.

Com esta idade, já viu o que é.

Sujeitar-se a todos os labregos.

Já tentei noutros bancos, sim.

Pedi também aos meus pais, é verdade;

disse-lhes que era para me casar.

Não, não tenho casa, nem automóvel. 

Mas, olhe, posso garantir com o meu corpo. 

O meu fígado, senhor, tem que ver o meu fígado. 

É fígado de motard. Isto parece encolhido e tal,

mas anda a mil.

E adiantado, não pode pagar nada como entrada? 

Entrada, não sei. 

Só se for o coração. 

 

 

Golgona Anghel 

 

 

Golgona Anghel in Como Uma Flor de Plástico Na Montra De Um Talho (2013)

Assírio & Alvim (2017)