Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

09 Mar, 2020

impaciente, cega

  Alguém a viu sair, essa mulher descalça que marcha ao longo do muro impaciente e cega?      António Ramos Rosa in CICLO DO CAVALO - Obra Poética I Assírio & Alvim (2018)    
10 Fev, 2020

pratas

  há quantos séculos a minha mulher não alisa uma prata de chocolate com a unha    António Lobo Antunes – A Última Porta Antes da Noite (2018) Publicações Dom Quixote (2018)      
  tudo o que entra na gente transforma-se na gente, comida, episódios antigos, molares,    António Lobo Antunes – A Última Porta Antes da Noite (2018) Publicações Dom Quixote (2018)      
Escrever sobre Lorde B provocou em mim grande melancolia. Lamento imenso nunca lhe ter dito que o amava, porque a minha ingenuidade me fazia pensar que o coração só pode amar uma vez. Percebo agora que amei três pessoas, que esses três amantes eram muito diferentes uns dos outros e que cada um ocupa um lugar diferente no meu coração. Mercy, Lorde B. E o maior e menos mobilado espaço do meu coração é o do amor que sinto por si. Tem nele pouco mais que uma cama. Como é estranho (...)
18 Dez, 2019

gosto pelo medieval

As visões românticas da Europa medieval omitem os requintados instrumentos de tortura e ignoram candidamente a taxa de homicídio de então, trinta vezes superior à actual. Os séculos pelos quais sentimos nostalgia eram tempos em que a mulher de um adúltero podia ver o nariz amputado, uma criança de sete anos podia ser enforcada por roubar um saiote, a família de um prisioneiro teria de pagar pelos seus grilhões, uma bruxa podia ser serrada ao meio e um marinheiro açoitado até (...)
16 Dez, 2019

ponteiros

quantos amantes terão desejado parar o tempo. Teria pago com a alma para parar os ponteiros do relógio.    Wray Delaney - Memórias de Uma Cortesã  (2016) Quinta Essência, Oficina do Livro (2017)      
22 Out, 2019

tempo

  Põe o tempo o cuidado que ignora o ouvido e que o livro não dá. É dele este silêncio, este saber, este ouvir e calar. (...) É dele o pouco a pouco, o aproximado, o justo.  (...) É doce e grande  o tempo. (...) Põe o tempo o cuidado. Mas não põe as estrelas.   Perde o olhar o brilho. Mas o mar não se perde.        António Ramos Rosa in Antecipação à Velhice - Obra Poética I Assírio & Alvim (2018)