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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

escândalos

15.08.21

há uma clara diferença temporal entre Portugal e os restantes países europeus que sofreram a II Guerra Mundial no que toca ao despertar do debate em torno da ideia de raça e das desigualdades com base nessa mesma ideia. O silêncio demasiado longo em torno destas questões, a falta de informação e de categorias mentais para as discutir, a reduzida investigação empírica e a ilusão de que nunca houve nem há racismo em Portugal, tornam esse debate, ainda hoje, demasiadas vezes, um escândalo, acompanhado de um espanto coletivo que confrange. Este espanto de hoje olha para a norma do antirracismo como se fosse uma comoção deslocada no tempo, um extremismo talvez mesmo perigoso, inimigo da liberdade de expressão.

 

Jorge Vala – Racismo, Hoje, Portugal em Contexto Europeu (2021)

Fundação Francisco Manuel dos Santos, Jorge Vala (2021)

 

90221506_3065233903487849_6583643501320208384_n.pnin A Criada Malcriada - Página inicial | Facebook

olha o tempo minha mãe

11.08.21

Letra: Sandro SecO
Música: Thiago Silva, Pedro Luiz Bomfim e Sandro SecO

 

Tempo - Ponto para Logunan

Tudo que foi emprestado haverá de ser devolvido.
O fim de uma etapa, de outra será o início.

Um vaso de barro, seco se quebra,
A terra se espalha, o vento leva.

O o Logunan, Oyá
O o Logunan!

Tudo que foi escondido, um dia será revelado.
Muros que foram erguidos, acreditem serão derrubados.

Um vaso de barro, seco se quebra,
A terra se espalha, o vento leva.

O o Logunan, Oyá
O o Logunan!

 

 

 

FICHA TÉCNICA
Voz: Sandro SecO
Coro: Andressa Asai e Thiago Silva
Atabaques: Thiago Silva e Pedro Luiz Bomfim
Agogô: Sandro SecO e Pedro Luiz Bomfim
Caxixí: Sandro SeCo

Gravação e Mixagem: Felipe "Funan" Destito - Dookie Studio
Masterização - Nelson Bolieiro - NG2 Assessoria Fonográfica

Imagens: Sandro SecO, Andressa Asai e Clayton Ferreira
Edição: Sandro SecO e Andressa Asai

Templo de Umbanda Sagrada Pai João do Amparo
Filmado em 15/11/2018 no Santuário Nacional da Umbanda.

 

 

o jogo do fogo das coisas que são

19.07.21

Era 1h15m. Os jovens militares não compreendiam nada do que se passava. Pouco depois de terem formado, aparece-lhes à frente o tal capitão, que lhes faz um discurso bastante simples: «Há várias formas de Estado: Estados liberais, estados democráticos e... o estado a que "isto" chegou. Vamos fazer um golpe de estado. Só vem quem quer. Quem não quiser, não vem.»

Entre esses «bravos» há um cadete de segundo ciclo que dá pelo nome de Francisco Fernando de Moncada de Sousa Mendes. Tem 21 anos, e é neto de Aristides e de Angelina de Sousa Mendes. É meu primo em primeiro grau, e também ele conhece bem o drama vivido pela mãe, Clotilde, pelos avós e demais familiares. Claro que o jovem diz que sim, que quer viver este momento histórico [...]

Gosto de pensar que é mais do que mera coincidência o facto de, entre os 240 que saíram nessa noite da Escola Prática de Cavalaria de Santarém em viaturas blindadas para irem fazer o tal golpe de Estado a Lisboa, haver um descendente directo de Aristides de Sousa Mendes [...] Alguém terá mais tarde dito a Francisco Fernando que o acaso não existe, e que havia uma razão para ele se encontrar naquele preciso momento na Escola Prática de Cavalaria na especialidade de atirador de cavalaria... 

 

António Moncada S. Mendes – Aristides de Sousa Mendes, Memórias de Um Neto
Edições Saída de Emergência e António Moncada S. Mendes  (2017)

 

 

livre

14.07.21

Estou à beira. Escuto. É todo o mar que em mim ressoa

[...]

e tudo está em si porque as próprias sombras amam. 

 

António Ramos Rosa in NA DISTÂNCIA SEM DISTÂNCIA  - Obra Poética I

Assírio & Alvim (2018)

 

 

compaixão €€€€€€€xpr€€€€€€€ssssss

06.07.21

O tempo passava, e Aristides não perdia a esperança de que melhores dias viessem, apesar do seu estado de saúde deteriorado, pelo derrame cerebral e pela situação absurda em que se encontrava. Houve quem lhe sugerisse que se dirigisse a um influente amigo de Salazar - António Cerejeira, o cardeal-patriarca. Sempre otimista, o meu avô assim fez. Finalmente, obteve uma resposta: «Que se dirigisse a Fátima e aí rezasse pela intercessão de Nossa Senhora.»

 

António Moncada S. Mendes – Aristides de Sousa Mendes, Memórias de Um Neto
Edições Saída de Emergência e António Moncada S. Mendes  (2017)

 

 

 

vivendo e aprendendo

21.06.21

Tu te ofereceste aberta como eras 

no sentido da dança, do fogo e do mar 

 

António Ramos Rosa in ENCONTRO - Obra Poética I

Assírio & Alvim (2018)

 

 

quaquaraquaquá

21.06.21

he kept thinking of his wife, Betsy, and he wanted to howl. He understood only this: that he deserved all of it. He deserved the fact that right now he wore a pad in his underwear because of prostate surgery, he deserved it; he deserved his daughter not wanting to speak to him because for years he had not wanted to speak to her - she was gay; she was a gay woman, and this still made a small wave of uneasiness move through him. Betsy, though, did not deserve to be dead. He deserved to be dead, but Betsy did not deserve that status [...] 

When his wife was dying, she was the one who was furious. She said, "I hate you." And he said, " I don't blame you." She said, "Oh, stop it." But he had meant it - how could he blame her? He could not blame her. And the last thing she said to him was: "I hate you because I'm going to die and you're going to live."

As he glanced up a seagull, he thought, But I'm not living, Betsy. What a terrible joke it has been. 

 

Elizabeth Strout – Olive, Again (2019)
Penguin Random House UK (2019)

 

 

então (lxcat) ... 18 anos depois

09.06.21

Há mulheres que trazem o mar nos olhos
Não pela cor
Mas pela vastidão da alma
E trazem a poesia nos dedos e nos sorrisos
Ficam para além do tempo
Como se a maré nunca as levasse
Da praia onde foram felizes
Há mulheres que trazem o mar nos olhos pela grandeza da imensidão da alma pelo infinito modo como abarcam as coisas e os homens...
Há mulheres que são maré em noites de tardes...e calma

 

Sophia de Mello Breyner Andresen

 

 

o vão do tempo

07.06.21

[...] fomos para a cama, mas já não era a mesma coisa; nunca é - havia espaço entre nós, tinham acontecido coisas. 

 

Charles Bukowski – Correios (1971)

Antígona (2015)