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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

08.09.19

a medida


Cecília

(...)

em nome do sofrimento e da felicidade

em nome dos animais e dos utensílios criadores

em nome de todas as vidas sacrificadas

em nome dos sonhos 

em nome das colheitas em nome das raízes 

em nome dos países em nome das crianças 

em nome da paz

que a vida vale a pena que ela é a nossa medida

que a vida é uma vitória que se constrói todos os dias 

(...)

 

António Ramos Rosa in O BOI DA PACIÊNCIA

 

António Ramos Rosa - Obra Poética I 

Assírio & Alvim (2018)

 

 

 

06.09.19

(g)orgulhos


Cecília

Orgulhos

de bordel... ou calvário. 

 

Paulo da Costa Domingos in Cicatriz

 

 

Paulo da Costa Domingos – Carmina (1971-1994)
Antígona (1995)

 

Agora eu vou cantar pros miseráveis
Que vagam pelo mundo derrotados
Pra essas sementes mal plantadas
Que já nascem com cara de abortadas
Pras pessoas de alma bem pequena
Remoendo pequenos problemas
Querendo sempre aquilo que não têm

Pra quem vê a luz
Mas não ilumina suas minicertezas
Vive contando dinheiro
E não muda quando é lua cheia
Pra quem não sabe amar
Fica esperando
Alguém que caiba no seu sonho
Como varizes que vão aumentando
Como insetos em volta da lâmpada

Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Pra essa gente careta e covarde
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Lhes dê grandeza e um pouco de coragem

Quero cantar só para as pessoas fracas
Que tão no mundo e perderam a viagem
Quero cantar o blues
Com o pastor e o bumbo na praça
Vamos pedir piedade
Pois há um incêndio sob a chuva rala
Somos iguais em desgraça
Vamos cantar o blues da piedade

Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Pra essa gente careta e covarde
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Lhes dê grandeza e um pouco de coragem

 

28.08.19

vividamente


Cecília

irei eu rir quando se descobrir

que a morte é pertença deste lado exausta do milagre e do 

                                                                                                         [ sonho.

 

 

Paulo da Costa Domingos in ARA

 

 

Paulo da Costa Domingos – Carmina (1971-1994)
Antígona (1995)

 

 

 

27.06.19

em primeira mão


Cecília

Na manhã em que o meu cunhado faleceu foi ele mesmo quem me acordou ao telefone para dizer aflitíssimo que sonhara ter morrido 

 

António Lobo Antunes – A Última Porta Antes da Noite (2018)

Publicações Dom Quixote (2018)

 

 

 

14.10.18

uma questão de fé


Cecília

É praxe que Zé Pelintra faça uma espécie de discurso de abertura, antes das consultas começarem. Ele fala sobre a plenitude do ser humano, alcançada somente quando sua verdadeira essência é seguida. Que o passado não dá respostas e que o olhar deve ser à frente. Que todo mundo colhe o que planta (...) Ele está terminando o atendimento de uma senhora e pede para que eu preste atenção. De forma simplista, ela tem um restaurante e acha que um concorrente está de olho gordo pra cima do negócio. Zé Pelintra ri, e diz que o sucesso só depende dela. Essa, aliás, é uma das principais lições que ele passa, de que nós somos responsáveis pelo nosso destino (...). 

Questiono, então, já que o destino a nós pertence, por que aquele lugar está cheio. “É que as pessoas são desesperadas”, me diz Zé Pelintra. Elas não confiam em si mesmas e precisam que alguém lhes diga o que fazer. Ali, aparece gente com os mais variados problemas. Do básico, como a crise financeira que atinge um comerciante, aos números de um processo judicial. Pedem também pelos filhos, por um amor, por emprego.

Agarrado à garrafa de 51, seu Zé me fala que nós somos responsáveis pelo o que acontece em nossa vida.

 

in https://medium.com/uma-quest%C3%A3o-de-f%C3%A9/meu-encontro-com-z%C3%A9-pelintra-8874f1c60acc

 

 

 

 

 

 

 

18.05.18

judiarias errantes


Cecília

minha vida, bisa a da lenda do judeu errante. Não me é permitido morrer. Não me é permitido descansar. 

 

 

George Sand – Diário Íntimo

Antígona (2004)

 

 

 

 

On the turning away
From the pale and downtrodden
And the words they say
Which we won't understand
"Don't accept that what's happening
Is just a case of others' suffering
Or you'll find that you're joining in
The turning away"

It's a sin that somehow
Light is changing to shadow
And casting it's shroud
Over all we have known
Unaware how the ranks have grown
Driven on by a heart of stone
We could find that we're all alone
In the dream of the proud

On the wings of the night
As the daytime is stirring
Where the speechless unite
In a silent accord
Using words you will find are strange
And mesmerized as they light the flame
Feel the new wind of change
On the wings of the night

No more turning away
From the weak and the weary
No more turning away
From the coldness inside
Just a world that we all must share
It's not enough just to stand and stare
Is it only a dream that there'll be
No more turning away?

 

 

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