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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

sonho e memória

Cecília, 26.08.20

Acabada a escola, tinham à sua espera o complemento do trabalho familiar. Dar de comer ao gado, ajudar no campo, e mais e mais. Todos os dias. Os relatos sobrepõem-se e não chegam do fundo dos tempos. São frescos de uma arrepiante contemporaneidade:

- Lá em casa dividíamos uma sardinha por quatro. 

- Nós dividíamos uma sardinha por sete.

- Eu passei muita fome.

[...]

- Mas quando tocava a brincar, era uma alegria! Era tudo da nossa imaginação e do nosso engenho. Dançávamos, cantávamos, bailávamos. Foram tempos que ninguém sonha como eram. E, contudo, éramos alegres, divertíamo-nos com nada, construíamos os nossos brinquedos. Tristes das crianças de hoje a quem entregam tudo feito e não aprendem a sonhar. 

 

Manuela Gonzaga – António Variações, Entre Braga e Nova Iorque (2018)

Manuela Gonzaga e Bertrand Editora (2018)

 

 

 

sensatez das regras

Cecília, 21.05.18

A sensatez não é um edifício após cuja construção possamos adormecer tranquilamente; preciso é que nos mantenhamos alerta, pois a mínima brisa poderá fazê-lo desabar, e não passará um só dia sem que uma pedra se desprenda e ponha assim em perigo toda a estrutura. 

 

 

George Sand – Diário Íntimo

Antígona (2004)

 

 

 

 

dessas

Cecília, 22.10.17

numa súplica insegura que principiava a enervá-lo, perguntas acerca do seu casamento, acerca do filho e das filhas pequenas (...)

quase a chorar a cretina, a humilhar-se, se calhar o mesmo que faz com o marido embora jure que não, garante que o trata por cima da burra e o idiota aceita, o enxota, mal lhe fala porém isso dizem todas e a gente faz que acredita, provavelmente a que lá tenho em casa uma história igual com um sujeito que não me interessa um tuste saber quem é desde que o pai me conserve na empresa

 

 

 

António Lobo Antunes – Para Aquela Que Está Sentada No Escuro À Minha Espera (2016)
Publicações D. Quixote | Leya (2016)

 

 

 

 

dores e confusões

Cecília, 01.08.17

A par da angústia afectiva, existe uma angústia intelectiva,

Embora de sabor absolutamente desigual (...)

Com os dedos gelados, pego no giz.

Nesse gesto, começo a sair da confusão que não consola. 

 

 

Maria Gabriela Llansol - O Começo de Um Livro É Precioso
Assírio & Alvim (outubro 2003)

 

 

 

 

meu grande amor

Cecília, 29.12.16

" O granito agarra,

a luz encanta,

o rio marca,

o mar abre horizontes". 

O Porto (...) É difícil de entender; é difícil a entrada... mas, descobrindo a chave adequada, não se esquece e persiste a vontade de voltar". 

 

Manuel Cabral 

 

Digam o que disserem, o Porto continua cidade da liberdade, onde facilmente se troca o "v" pelo "b", mas jamais a autonomia pela submissão.

 

Rui Osório 

 

Para mim que sou de Lisboa, o Porto é um estado de alma, onde é preciso saber viver e admirar a sua luz, o seu claro-escuro, o sol e a sombra. 

Admiro o Porto pela sua verdade. 

 

Eduardo Ramos 

 

O Porto não tem fingimentos, tem a verdade do granito: acolhe e protege os bons, repele os que não prestam. No Porto, as pastelarias chamam-se confeitarias e os cães não mordem, ferram. Mas a lealdade e a solidariedade são valores inalteráveis. 

 

Inês Bustorff Silva 

 

Sente-se que o Porto não será uma paixão à primeira vista mas é, certamente, uma cidade que se aprende a amar para toda a vida (...) uma imagem inesquecível e de tão marcante nos acompanhará por toda a vida, num amor guardado bem fundo no coração. 

 

Manuel Lemos Ribeiro 

 

O espírito do Porto (...) É a graça aberta, a simplicidade, alguma rudeza, mas também pureza delicada. 

 

Antero Braga 

 

 

Porto de muitas partidas mas sempre, sempre de volta. 

Porto-Pai, Porto-Casa, assim sinto esta cidade muito especial. 

Onde nasci, onde cresci, de onde nunca quis sair e onde sempre quero regressar. 

Sou uma Rosa deste jardim muito especial, o Porto. 

Sem esta Terra não consigo viver. 

 

Rosa Mota 

 

 

in Espírito do Porto - Aguarelas de Vasco d'Orey Bobone 

2004 QN - Edições e Conteúdos SA