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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Nariz de cera

27
Jan21

roda humana da fortuna

Cecília

Lucie Matuzewitz continua a sua narrativa: «Um dia, o meu marido, Joseph, conheceu um rabino de barba e cabelo ruivo, que pelas longas tranças mostrava ser muito ortodoxo e tradicional do ponto de vista religioso, e que lhe disse algo de muito espantoso: "Imagine que há dias fui abordado pelo cônsul de Portugal em Bordéus, que me perguntou onde é que estava alojado. Respondi-lhe que infelizmente estava a dormir em cima de um banco, na sala de espera da estação de caminhos de ferro, com a minha mulher e cinco filhos. O cônsul respondeu que compreendia a situação que os judeus estavam a viver, devido às mentiras que os nazis andavam a espalhar acerca das pessoas da nossa religião, e como tal ofereceu-me hospitalidade na sua própria casa - venham morar em minha casa, convidou. Desde há vários dias que estamos a viver em casa do cônsul, que é de uma amabilidade extrema connosco, e que me disse para ir aos lugares públicos da cidade e dirigir-me aos refugiados que querem sair de França para os informar de que ele dará vistos para Portugal a todos os que o desejarem." O cônsul explicou que não tinha autorização para o fazer, pois só podia passar vistos a quem já tivesse bilhete ou passagem para outro país fora da Europa, o que obviamente não é o caso para a grande maioria das pessoas. Disse saber que iria perder o seu lugar, mas daria a Portugal a honra de receber refugiados da nossa religião, podendo assim apagar os crimes dos anos 1496, quando Portugal e a Inquisição expulsaram os judeus, tal como fez Espanha. 

 

António Moncada S. Mendes – Aristides de Sousa Mendes, Memórias de Um Neto
Edições Saída de Emergência e António Moncada S. Mendes  (2017)

 

s

 

28
Nov20

mente de coração

Cecília

Por vezes, um problema não se resolve pela sensatez da mente, mas antes pela sabedoria do coração. 

 

Grace Burrowes – Coração Ardente (2017)

Quinta Essência (2019)

 

 

18
Nov20

justos

Cecília

Há cerca de 22 mil pessoas no mundo que são reconhecidas como Justos Entre as Nações, mas diplomatas são menos de cem. Atualmente, há quatro portugueses nessa lista: o padre Joaquim Carreira, o embaixador Sampaio Garrido, José Brito Mendes e Aristides de Sousa Mendes. São heróis que devem ser conhecidos e estudados em todas as escolas. Mas há outros Justos estrangeiros que merecem ser conhecidos: o cônsul japonês Sugihara, que também desobedeceu ao seu governo em 1940 e, como Aristides, passou vistos a milhares de refugiados na Lituânia; Giorgio Perlasca, italiano, fez-se passar por diplomata espanhol para "falsificar" documentos, salvando muitos refugiados; Giovanni Roncalli (que veio a ser o Papa João XXIII, em 1958) "falsificou" certificados católicos de batismo para salvar judeus; e Georg Duckwitz, adido na embaixada alemã em Copenhaga, que soube dos planos nazis de deportação para a população judaica dinamarquesa - conseguiu avisar as comunidades e ajudou milhares de pessoas a fugir para a Suécia, salvando-as assim da morte certa [...]

Para salvar inocentes da morte, todos os meios são justos, e nenhum destes homens cometeu crimes ao fazê-lo, contrariamente ao que certos indivíduos extremistas escreveram em Portugal. A medalha dos "Justos" do Yad Vashem tem inscrito: «Quem salva uma vida, salva a humanidade.» Por vezes, a tradução varia, o que origina diferentes versões, mas a ideia é que cada pessoa contém em si todos os elementos do universo, todo o bem e todo o mal e, como está escrito nos livros santos, o «homem é feito à imagem e semelhança de Deus». 

 

António Moncada S. Mendes – Aristides de Sousa Mendes, Memórias de Um Neto
Edições Saída de Emergência e António Moncada S. Mendes  (2017)

 

 

11
Nov20

as bruxas e o além

Cecília

Mas em 2017, 77 anos depois dos acontecimentos de Bordéus, num Portugal democrático, é bom que os cidadãos portugueses possam ver estas "amostras" do regime que oprimiu Portugal. É bom que possam ver como foi a perseguição atroz movida ao meu avô, por ter ousado desobedecer ao chefe supremo dos espíritos e das mentes em Portugal. O chefe que do Além ainda consegue dominar certas cabeças... 

 

António Moncada S. Mendes – Aristides de Sousa Mendes, Memórias de Um Neto
Edições Saída de Emergência e António Moncada S. Mendes  (2017)

 

 

05
Nov20

sinédoques

Cecília

Em julho e agosto de 1940, quando vinha a Lisboa, Aristides reunia-se com amigos e familiares. Precisava de falar dos acontecimentos. Algumas vezes, encontrou-se com o rabino Kruger, que esperava em Lisboa por um barco que o levasse, e à família, para o novo mundo. O tema principal das conversas era, invariavelmente, a guerra. Kruger, naturalmente, mostrava a sua dor pelo sofrimento causado por Hitler ao povo de Israel, mas ao saber que Aristides enfrentava a raiva de Salazar, terá lamentado: «Tudo o que está a sofrer agora por nossa causa!», e Aristides, que procurava sempre dar-lhe algum consolo por tanto infortúnio, respondeu-lhe: «Se milhares de judeus estão a sofrer por causa de um católico [Hitler], então é compreensível que um católico [Aristides] possa sofrer por causa de tantos judeus. Eu não podia ter agido de outro modo, por isso aceito, com amor, tudo o que me aconteceu e poderá vir a acontecer por causa do meu gesto.»

 

António Moncada S. Mendes – Aristides de Sousa Mendes, Memórias de Um Neto
Edições Saída de Emergência e António Moncada S. Mendes  (2017)

 

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16
Jul20

haja dó

Cecília

A porta que se escancarava para os que se haviam portado de acordo com o que se sabia que estava correcto. Os antigos. De acordo com o que eles já diziam. 

Era o medo de não estar certo que se via nos olhos dele. 

Só que não era possível que se andasse há dois mil anos a ensinar uma doutrina errada. Esse era o argumento. 

 

Hugo Mezena – Gente Séria (2017)

Planeta Manuscrito (2018)

 

 

 

30
Jun20

se, mas não é

Cecília

Se os pecados fossem uma coisa simples, as pessoas só precisavam de deixar de os fazer. 

 

Hugo Mezena – Gente Séria (2017)

Planeta Manuscrito (2018)

 

 

16
Jun20

reformulações

Cecília

Reformulação do registo de pecados 

(...)

Este registo de pecados devia ser um registo de pensamentos. Não são pecados: são pensamentos. Pensamentos que uma pessoa deve ter para se perguntar acerca das coisas. 

 

Hugo Mezena – Gente Séria (2017)

Planeta Manuscrito (2018)

 

 

09
Jun20

Aristides III

Cecília

O ano de 1991 é de eleições legislativas em Portugal, e como é habitual os partidos vão para a estrada, percorrer o país em campanha eleitoral. O PSD, liderado pelo então primeiro-ministro, Cavaco Silva, passa por Carregal do Sal, perto de Cabanas de Viriato. Uma senhora amiga da minha tia Joana ("a teimosa") convida-a a passar lá uns dias, de modo a que possa encontrar-se, de passagem, com Cavaco Silva, para o interpelar sobre o 3.º artigo da Lei de Reabilitação de 1988 (a indemnização à família), que continuava por cumprir. Cavaco Silva, amavelmente, respondeu a Joana:« O seu pai era certamente um homem bondoso, mas... desobedeceu, lamento, minha senhora.» O processo não avançou (...)

Em 2005 recebo um convite para ir assistir a uma conferência na Universidade Católica, no Edifício João Paulo II. Era de Otto von Habsburg, que tinha vindo a Lisboa proferir uma conferência sobre o seu falecido pai, o último imperador da Áustria, recentemente beatificado. O auditório estava cheio de gente, e entre eles, em lugar de destaque, o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, e a mulher. As primeiras palavras de Otto von Habsburg foram para dizer que iria dedicar 15 minutos à memória de Aristides de Sousa Mendes, o homem a quem ele devia a vida e a possibilidade de ali estar naquele dia, graças à sua ação de salvamento em Bordéus, durante a Segunda Guerra, desobedecendo a ordens superiores. 

 

António Moncada S. Mendes – Aristides de Sousa Mendes, Memórias de Um Neto
Edições Saída de Emergência e António Moncada S. Mendes  (2017)

 

 

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