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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

amargurados de serviço

14.07.21

No  seu relatório, o embaixador Bessa Lopes escreve, após análise do processo: «Não é de excluir que, a coberto de altas diplomacias, houvesse ajuste de contas e de ódios velhos que não cansam.» Uma clara referência ao "velho episódio" entre o irmão gémeo de Aristides, César, quando era ministro dos Negócios Estrangeiros, em 1932, e o famoso conde Tovar, que lhe pedira "o favor" de ser reintegrado após nove anos de disponibilidade, e a quem César informara, por escrito, que para esses casos havia regras estabelecidas (por outras palavras, César não fazia favores a ninguém). Tovar respondeu ao irmão gémeo de Aristides, em carta pessoal que existe no espólio da família Sousa Mendes «pode ser que um dia venha a ter necessidade de mim...». Em 1940, Tovar foi nomeado Relator do Processo Disciplinar contra Aristides de Sousa Mendes. [...]

O embaixador Bessa Lopes escreve também no seu parecer sobre o processo disciplinar: «Note-se que o ministro dos Negócios Estrangeiros [Salazar], designa como Relator do Parecer do Conselho Disciplinar o próprio participante ou denunciante da falta!» Bessa Lopes acrescenta ainda que, para mais, Tovar, «repele a opinião do instrutor do processo [Paula Brito], que propunha uma simples pena de "suspensão de exercício e vencimento de 30 a 180 dias".» Claro que Tovar rejeita essa sanção, pois Salazar tinha sido bem claro ao informar, a 2 de julho, que «o cônsul já foi afastado» e esse era o castigo a que era preciso chegar. Mas Salazar recompensou bem o conde de Tovar por esta preciosa colaboração. Depois deste processo, enviou-o para o "paraíso": primeiro, para Berlim (bem perto de Hitler, com a possibilidade de o ver ao vivo), e depois para o Vaticano (à procura de Deus), o posto mais cobiçado por alguns diplomatas portugueses.

 

António Moncada S. Mendes – Aristides de Sousa Mendes, Memórias de Um Neto
Edições Saída de Emergência e António Moncada S. Mendes  (2017)

 

 

quaquaraquaquá

21.06.21

he kept thinking of his wife, Betsy, and he wanted to howl. He understood only this: that he deserved all of it. He deserved the fact that right now he wore a pad in his underwear because of prostate surgery, he deserved it; he deserved his daughter not wanting to speak to him because for years he had not wanted to speak to her - she was gay; she was a gay woman, and this still made a small wave of uneasiness move through him. Betsy, though, did not deserve to be dead. He deserved to be dead, but Betsy did not deserve that status [...] 

When his wife was dying, she was the one who was furious. She said, "I hate you." And he said, " I don't blame you." She said, "Oh, stop it." But he had meant it - how could he blame her? He could not blame her. And the last thing she said to him was: "I hate you because I'm going to die and you're going to live."

As he glanced up a seagull, he thought, But I'm not living, Betsy. What a terrible joke it has been. 

 

Elizabeth Strout – Olive, Again (2019)
Penguin Random House UK (2019)

 

 

Koi No Yokan *

17.06.21

* Koi No Yokan se refere à sensação após conhecer uma pessoa de que ambos viverão uma história de amor depois de um tempo. É um sentimento diferente do que chamamos de “amor à primeira vista”, uma vez que o amor de fato ainda não existe, somente a premonição de que é algo inevitável.

Koi no yokan é uma expressão que se define por aquela sensação de encontrar alguém e sentir que acontecerá uma grande história de amor com o passar do tempo.

 

Pobre é a pessoa que não sabe quando já teve o suficiente.

Provérbio Japonês 

 

 

ser mulher

17.06.21

Uma mulher bonita não é aquela de quem se elogiam as pernas ou os braços, mas aquela cuja inteira aparência é de tal beleza que não deixa possibilidades para admirar as partes isoladas.

Sêneca

 

A história da mulher é a história da pior tirania que o mundo conheceu: a tirania do mais fraco sobre o mais forte.

Oscar Wilde

 

Não se ama duas vezes a mesma mulher.

Machado de Assis

 

O coração da mulher, como muitos instrumentos, depende de quem o toca.

Saint Prosper

 

 

Cyd Charisse

(8 de março de 1922 — 17 de junho de 2008)

 

1 ESQ

09.06.21

e da figura frágil que eu amo, o seu espaço

que ignoro, o seu quarto intacto, o seu odor de rapariga.

[...]

Eu desejo as palavras das suas fibras, a saliva da sua língua. 

Desejaria habitar o seu caminho, bater à sua porta. 

 

António Ramos Rosa in FALO DE UM DESIQUILÍBRIO - Obra Poética I

Assírio & Alvim (2018)