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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

01.10.19

fala-se


Cecília

No princípio de janeiro de 1956, vivia-se um dos invernos mais rigorosos de que há memória e quando António Joaquim Rodrigues Ribeiro chegou a Lisboa, a cidade estava debaixo de um temporal. A vaga de frio que submergia toda a Europa, chegara a Portugal com o seu cortejo de aguaceiros, temporais, trovoadas e cheias e enxurradas violentas que fustigaram campos, aldeias, vilas e cidades. As inundações catastróficas, no Porto e em Lisboa, ilustram bem o ímpeto das tempestades, que mais a sul destroem pomares, as hortas e as sementeiras do Algarve. Bem como as searas do Alentejo e as lezírias ribatejanas, as quais, sepultadas sob um imenso lençol de água, não podem ser cultivadas. O que resta é destruído pelas geadas (...)

Às inundações de janeiro, segue-se, em fevereiro, uma segunda vaga de frio ainda mais intenso, que transforma as águas em gelo nos tanques, nas ruas, nas canalizações. A Basílica de Fátima aparece coberta de neve da noite para o dia 24 de fevereiro de 1956. No norte do País regista-se o maior nevão que há memória, com os comboios bloqueados ou descarrilados, sob um manto branco de um metro de espessura. Desde 1860 não fazia tanto frio em Lisboa. Imagens para recordar: a água dos lagos do Rossio gela. Em São Pedro de Alcântara há estalactites nos chafarizes. 

Toda a Europa, do Atlântico aos Balcãs, treme de frio e de horror num dos invernos mais rigorosos de que há memória e que deixará atrás de si o saldo de muitas centenas de mortos. A prodigiosa vaga de frio que atinge a Península Ibérica, deixa grande parte de Espanha e Portugal cobertos de neve, chegando às Baleares e ao Norte de África. Roma, tal como Paris, estava sob neve, que, no norte de Itália, chegou a atingir os cinco metros de altura. A Escócia sofria inundações brutais. Holanda e Bélgica, fustigadas por nevões intermináveis, e densíssimo nevoeiro. A França e a Grã-Bretanha são varridas por violentas rajadas de vento gélido e, em Londres, os arrepiantes relatos referem centenas de mortos e intoxicações pela mistura de nevoeiro e smog que envolve a cidade e arredores. Na Jugoslávia, uma barragem de gelo é demolida por bombardeamento aéreo.

Fala-se numa miniglaciação. 

 

 

Manuela Gonzaga – António Variações, Entre Braga e Nova Iorque (2018)
Manuela Gonzaga e Bertrand Editora (2018) 

 

 

(...)

Vaca profana, põe teus cornos
Pra fora e acima da manada
Vaca profana, põe teus cornos
Pra fora e acima da man...

(...)

Dona das divinas tetas
Quero teu leite todo em minha alma
Nada de leite mau para os caretas

Mas eu também sei ser careta
De perto, ninguém é normal
Às vezes, segue em linha reta
A vida, que é "meu bem, meu mal"

No mais, as "ramblas" do planeta
"Orchta de chufa, si us plau"
No mais, as "ramblas" do planeta
"Orchta de chufa, si us...

 

 

03.09.19

knickknack


Cecília

No passado dia 19 de Agosto, o Presidente da República, depois de ter dado luz verde às alterações a diversos códigos fiscais uns dias antes, promulgou o chamado pacote laboral que introduz diversas alterações no Código do Trabalho. Em causa, estão 3 mudanças fundamentais: regras dos contratos a prazo, período experimental e bancos de horas.

 

Bancos individuais e grupais

 

A principal novidade consiste numa reviravolta relativamente aos bancos de horas individuais: conforme referimos em Abril de 2018, o Governo tinha previsto a sua extinção imediata. Contudo, na redacção final, aqueles que já foram acordados ainda se mantêm em vigor por mais um ano. Para além disso, o último artigo da lei permite a criação de novos bancos de horas individuais durante algum tempo.

 

in Newsletter Revista Gerente

 

 

 

 

11.07.19

honra deliciosa


Cecília

Vá Com Deus
Vanessa da Mata
(Sereia de Água Doce)

 

Vejo o povo dizer
Que perdeu um amor
Que quando estava lá
Só rimava com dor
Isso não é perda
Isso é livramento

Nesse mundo tonto
Que vive rodando
Vejo tanta gente desesperada
Criando histórias
Criando pessoas
Criando paixões
Medo da solidão

Qual é o problema
De estar na sua própria companhia?

Vi um casal com sangue
Ligação de ódio
Eu sei que os dois
Já não viviam
Andavam nas ruas
Meio mortos vivos
Até que entenderam seu desamor

Qual é o problema
De estar na honra
De sua própria companhia?

Fazer o que der na telha
Autossuficiência
Que delícia
Qual é o problema?


(...)


Vá com Deus...

 

 

26.06.19

glórias alheias


Cecília

Os soldados de Mafra estão já no limite daquilo que os generais esperam deles, porque são o povo. E todos os povos regressados à condição de rebanho se cansam de morrer em seu próprio nome, quanto mais por uma glória que os deixa no anonimato. Nas pequenas misérias do dia-a-dia, num pequeno burgo dos confins da Península, os libertadores vão descobrindo o seu cansaço e amolecendo numa missão que se esfuma na sua condição de estrangeiros, condição que os povos «libertados» se não esquecem de lhes lembrar. 

 

Álvaro Guerra – Razões de Coração (1991)
Coleção Mil Folhas PÚBLICO (2002)

 

 

 

25.06.19

prophecy


Cecília

Skin head, dead head
Everybody gone bad
Situation, aggravation
Everybody allegation
In the suite, on the news
Everybody dog food
Bang bang, shot dead
Everybody's gone mad
All I want to say is that
They don't really care about us
All I want to say is that
They don't really care about us
Beat me, hate me
You can never break me
Will me, thrill me
You can never kill me
Sue me, Sue me
Everybody do me
Kick me, kick me
Don't you black or white me
All I want to say is that
They don't really care about us
All I want to say is that
They don't really care about us
Tell me what has become of my life
I have a wife and two children who love me
I am the victim of police brutality, now
I'm tired of bein' the victim of hate
You're rapin' me of my pride oh, for God's sake
I look to heaven to fulfill its prophecy
Set me free
Skin head, dead head
Everybody gone bad
Trepidation, speculation
Everybody allegation
In the suite, on the news
Everybody dog food
Black man, black mail
Throw your brother in jail
All I want to say is that
They don't really care about us
All I want to say is that
They don't really care about us
Tell me what has become of my rights
Am I invisible because you ignore me?
Your proclamation promised me free liberty, now
I'm tired of bein' the victim of shame
They're throwing me in a class with a bad name
I can't believe this is the land from which I came
You know I do really hate to say it
The government don't want to see
But if Roosevelt was livin'
He wouldn't let this be, no, no
Skin head, dead head
Everybody gone bad
Situation, speculation
Everybody litigation
Beat me, bash me
You can never trash me
Hit me, kick me
You can never get me
All I want to say is that
They don't really care about us
All I want to say is that
They don't really care about us
Some things in life they just don't want to see
But if Martin Luther was livin'
He wouldn't let this be, no, no
Skin head, dead head
Everybody gone bad
Situation, segregation
Everybody allegation
In the suite, on the news
Everybody dog food
Kick me, kick me
Don't you wrong or right me
All I want to say is that
They don't really care about us
All I want to say is that
They don't really care about us
All I want to say is that
They don't really care about us
All I want to say is that
They don't really care about
All I want to say is that
They don't really care about
All I want to say is that
They don't really care about us

Michael Joseph Jackson

(29 de agosto de 1958 — 25 de junho de 2009)

 

 

O Dia Mundial do Vitiligo observa-se a 25 de junho.

Esta data, também conhecida por Dia Mundial do Combate ao Vitiligo, pretende aumentar o conhecimento das pessoas sobre o vitiligo e travar a progressão da doença.

Foi escolhido o dia 25 de junho em alusão à morte de Michael Jackson, que sofria de vitiligo e lúpus.

in https://www.calendarr.com/portugal/dia-mundial-do-vitiligo/

 

25.06.19

Decreto-lei 164/2006 de 9 de Agosto


Cecília

Portugal, por razões históricas e políticas, nunca conseguiu instalar na cidade de Lisboa um museu de arte moderna e contemporânea com forte acervo internacional, amplamente integrado nos circuitos internacionais de arte.

(...)

O protocolo celebrado entre o Estado, através do Ministério da Cultura, a Fundação Centro Cultural de Belém, a Associação Colecção Berardo e o coleccionador José Manuel Rodrigues Berardo vem permitir não só que a Colecção Berardo seja colocada à disposição da população portuguesa mas também que seja viabilizada a instalação de um museu de arte moderna e contemporânea a partir de um acervo que hoje se encontra integrado no património do coleccionador.

Pelo referido protocolo as partes outorgantes afirmaram o compromisso de constituir a Fundação de Arte Moderna e Contemporânea - Colecção Berardo, que terá como incumbência a criação, gestão e organização do Museu Colecção Berardo de Arte Moderna e Contemporânea, a instalar no Centro Cultural de Belém. Trata-se de uma parceria público-privada que alia a vontade do Estado na criação de um museu de arte moderna e contemporânea com o espírito empreendedor do coleccionador.

(...)

Artigo 30.º

Dissolução da Fundação

1 - Em caso de impossibilidade, por qualquer razão, de obtenção dos objectivos para que foi constituída, a Fundação dissolve-se nos termos legais, constituindo-se o conselho de administração em comissão liquidatária.

2 - Extinta a Fundação, o respectivo património será partilhado nos seguintes termos:

a) O direito de usufruto do centro de exposições do Centro Cultural de Belém extingue-se, reassumindo a Fundação do Centro Cultural de Belém a sua posse plena e gestão;

b) O comodato extingue-se, reassumindo a Associação Colecção Berardo a posse plena e gestão da Colecção Berardo, caso a essa data o Estado não tenha exercido a opção de compra;

c) Caso já tenha exercido a opção, o património reverte a favor do Estado, que se obriga a integrar em projecto museológico já constituído ou a constituir preservando a memória da Colecção Berardo;

d) Todo o restante património, nomeadamente as obras adquiridas através do fundo de aquisições ou por doações ou legados, reverte a favor do Estado, sem prejuízo do disposto na parte final da alínea c) anterior.

3 - As obras de arte compradas com recurso ao fundo de aquisições podem ser adquiridas por José Manuel Rodrigues Berardo ou por quem ele venha a indicar, pelo respectivo preço de aquisição, sendo deduzida a parte do preço que constituiu a sua participação.

 

Museu Coleção Berardo

Inaugurado em 25 de Junho de 2007

 

 

 

16.05.19

a proteção de quem manda


Cecília

«Meu amo manda-me para vos proteger. Eu vos protegerei», lê dom António essa primeira declaração solene do general Junot. Sorri, irónico, pensando que a protecção de quem manda conta sempre mais com a acomodação dos protegidos que com a certeza de poder protegê-los. 

 

Álvaro Guerra – Razões de Coração (1991)
Coleção Mil Folhas PÚBLICO (2002)

 

 

 

 

13.05.19

convicções e baionetas


Cecília

Vai ao ponto de aconselhar prudência, ao menos esperar os pareceres da hierarquia, a palavra esclarecida do Bispo de Lisboa, do Inquisidor. A Santa Madre Igreja sempre soube conviver em paz com os governos, sempre colocou acima de tudo o sossego dos fiéis e o respeito das leis. Lérias - resmunga o abade de Ribamar. - Cá para mim, hereges que me invadam a casa estão a pedir é cachaporra nos lombos! É uma fanfarronada, mas sempre alivia. Teodósio cala-se, numa censura cautelosa, a depreciar a tendência trauliteira do pároco. Serão mais as vozes do que as nozes quando o abade vir uma baioneta apontada ao saco das tripas. 

 

Álvaro Guerra – Razões de Coração (1991)
Coleção Mil Folhas PÚBLICO (2002)

 

 

 

(...) durante a segunda invasão do Porto pelos franceses, no âmbito da Guerra Peninsular, o tenente-coronel Lameth, particularmente prestigiado entre as tropas de Napoleão, foi morto em Santiago de Riba-Ul numa emboscada liderada por Bernardo Barbosa Cunha, natural de Arrifana.

Foi em retaliação a esse ataque que o marechal Nicolas Soult - tio de Lameth - deu ordem às suas tropas para rumarem a Arrifana, onde, em 17 de abril de 1809, sob o comando do general Jean Guillaume Thomières, assassinaram 71 pessoas, entre as quais 62 arrifanenses que procuraram refúgio na igreja local (...)

"Dando cumprimento às ordens do marechal Soult, o general Thomières fez uma investida sobre Arrifana, exigindo que os assassinos fossem entregues para serem fuzilados e os respetivos cadáveres expostos" (...)

Perante o cerco do exército francês, acrescentou, "a população procurou refúgio no interior da igreja, que acabou por revelar-se uma ratoeira - os franceses obrigaram todos os homens válidos a saírem do templo, selecionando em seguida um em cada cinco para serem fuzilados no Campo da Buciqueira".

in https://www.dn.pt/lusa/interior/feira-recria-com-600-figurantes-o-massacre-de-arrifana-durante-as-invasoes-francesas-10828709.html

 

04.04.19

o último


Cecília

Todo este aparato, este cerimonial meticuloso não são novos para nós. Desde que estou no campo, já tive de assistir a treze enforcamentos públicos; mas das outras vezes tratava-se de crimes comuns (...)

Hoje trata-se de outra coisa. 

No mês passado, um dos fornos crematórios de Birkenau foi mandado pelos ares. Nenhum de nós sabe (e talvez nunca ninguém venha a saber) exactamente como é que a iniciativa foi levada a cabo (...) 

O homem que irá morrer hoje diante de nós tomou parte de qualquer forma na revolta (...) todos ouvimos o grito do condenado; ele penetrou as espessas barreiras de inércia e de remissão, percutiu o centro vivo do homem dentro de cada um de nós:

- Kameraden, ich bin der Letzte! - (Camaradas, eu sou o último!)

Queria poder contar que entre nós, rebanho abjecto, uma voz se levantou, um murmúrio, um sinal de concordância. Mas nada aconteceu. Ficámos de pé, curvados e cinzentos, de cabeça baixa, e só descobrimos a cabeça quando o alemão o ordenou. O alçapão abriu-se, o corpo contorceu-se atrozmente; a banda recomeçou a tocar, e nós, de novo formados em coluna, desfilámos diante dos últimos estremecimentos do justiçado. 

Ao pé da forca, os SS olham com indiferença para nós que desfilamos: a sua obra está cumprida, e bem cumprida. Os russos podem chegar; agora, já não há homens fortes entre nós, o último pende por cima das nossas cabeças, e, para os outros, poucas forcas foram suficientes. Os russos podem chegar : apenas nos encontrarão a nós, os vergados, os apagados, dignos da morte inerme que nos espera. 

Destruir o homem é difícil, quase tanto quanto criá-lo; não foi fácil, não foi rápido, mas os Alemães conseguiram-no. Desfilamos dóceis, debaixo dos seus olhares: da nossa parte nada mais têm a recear: nem actos de revolta, nem palavras de desafio, nem sequer um olhar de condenação. 

 

Primo Levi – Se Isto É Um Homem (1947)
Coleção Mil Folhas PÚBLICO (2002)

 

 

 

 

25.03.19

tocadas pela música


Cecília

método de ensino da música criado pelo compositor e pedagogo húngaro Zoltán Kodály (1882-1967), o responsável por todas as crianças húngaras aprenderem música na escola desde o infantário até ao fim do liceu (antes da entrada do país na União Europeia em 2004, as aulas de música eram diárias em mais de uma centena de escolas). E fazem-no ainda hoje através do canto do cancioneiro de música erudita e música tradicional do seu país. Essa que Kodály recolheu com o seu amigo próximo, e também compositor, Béla Bartók (...)

de a educação musical ser para todos, e não para uma elite. O que me fez gostar imenso do sistema da Hungria foram frases como a de Kodály, em que ele diz que "só os melhores professores e só a melhor música deve ser dada às crianças" (...)

"Se quiser, tudo o que seja levar a música às crianças e tê-las envolvidas a fazer musica, pode ser Kodály. Mas também é Orff, Dalcroze, Willems [compositores e pedagogos]. Na maior parte das pedagogias os princípios são muito parecidos, depois há uma ou duas técnicas que variam, mas o que estas pessoas querem é que todas as crianças sejam tocadas pela música, e de uma forma que também desenvolvam capacidades individuais e sociais. É curioso porque a primeira tranche de pedagogos é quase da mesma idade. Têm as ideias do seu tempo. O que esta geração que sobreviveu às duas guerras queria era paz. Os escritos do Kodály e do Bártok falam imenso da fraternidade entre os povos" (...) E reforça: "Para acabar com estes ciclos de líderes da Coreia do Norte, ou dos Estados Unidos, ou de pessoas desvairadas que usam uma metralhadora e matam dezenas de pessoas. Acho que não aprenderam a gostar dos outros, e a ter um objetivo comum."

in https://www.dn.pt/artes/interior/kodaly-ensinar-musica-as-criancas-e-evitar-um-novo-kim-il-sung-8860801.html

 

 

Béla Bartók

( 25 de março, 1881 – 26 de setembro, 1945)

 

 

 

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