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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Junho 19, 2020

Cecília

O Caso Gisberta motivou uma espécie de levantamento nacional que acabou por morrer sem grandes consequências, como quase tudo o que é português. 

 

Afonso Reis Cabral – Pão de Açúcar
Publicações Dom Quixote (2018)

 

 

Junho 17, 2020

Cecília

é tão difícil falar com uma pessoa que não fala 

 

António Lobo Antunes – A Última Porta Antes da Noite (2018)

Publicações Dom Quixote (2018)

 

 

A região continua com falhas nas telecomunicações

 

Tal como há tês anos, Dina Duarte diz que as comunicações continuam a falhar. Admite “alguma mágoa” porque apesar de todo o esforço que a associação tem feito para alertar para a falta de telecomunicações, “nada melhorou em termos de qualidade de sinal”.

Dificuldades que a Associação de Vítimas do Incêndio de Pedrógão Grande quer denunciar junto do Governo, depois de esgotadas todas as outras vias. Dina Duarte garante que já foram feitas inúmeras queixas junto da Autoridade Nacional de Comunicações (ANACOM), e junto de todos os operadores de telecomunicações, mas sem sucesso. Agora vira-se para o Governo, com quem quer reunir para denunciar o que está mal na região de Pedrogão Grande, numa altura em que continuam por aplicar 815 mil euros de donativos de cidadãos e de empresas.

in https://www.agroportal.pt/pedrogao-grande-associacao-de-vitimas-quer-que-seja-feita-justica-pois-ninguem-foi-a-julgamento/

 

Junho 09, 2020

Cecília

Disse-me também que queria organizar uma homenagem ao meu avô no Parlamento Europeu, mas teria de ser com a participação dos colegas portugueses do seu grupo parlamentar. Só que em 1986, os colegas portugueses não estavam preparados para tal iniciativa, e não «desejaram» que tal homenagem se realizasse.

Otto von Habsburg não compreendeu esta atitude dos eurodeputados portugueses, e escreveu-me uma carta de consolação, à qual respondi dizendo que era uma questão de tempo. Aliás, a partir deste encontro, Otto von Habsburg, acompanhará e participará na evolução de toda a dinâmica de reabilitação do bom nome do meu avô (...) « Quero mais uma vez dizer-lhe, por escrito, o quanto estou eternamente grato ao seu avô. Foi um grande cavalheiro, um homem de uma coragem e de uma integridade admiráveis, que serviu os seus princípios em detrimento dos seus interesses pessoais. Num período em que muitos homens foram cobardes, ele foi um verdadeiro herói do ocidente. Pode orgulhar-se do seu avô!»

 

António Moncada S. Mendes – Aristides de Sousa Mendes, Memórias de Um Neto
Edições Saída de Emergência e António Moncada S. Mendes  (2017)

 

 

 

Junho 09, 2020

Cecília

Em 1987, o Presidente da República, Mário Soares, é convidado a ir aos Estados Unidos receber um doutoramento honoris causa pela Universidade de Carlton, em Washington D.C. No seguimento desta troca de cartas, o Congressso Federal americano pede-lhe que conceda uma condecoração ao cônsul, e que a entregue à família na embaixada de Portugal nessa cidade. Pedem-lhe a mais alta condecoração portuguesa, e os jornais americanos dão notícia disso. Mário Soares, apesar de ser o chanceler de todas as ordens honoríficas, como Presidente da República, quis consultar o primeiro-ministro de Portugal, que se manifestou contrário à atribuição da mais alta honra ao meu avô. Mário Soares cedeu. O primeiro-ministro português, nessa altura, chamava-se Aníbal Cavaco Silva (...)

A grande homenagem civil teve o seu ponto alto no Tivoli, em Lisboa. O presidente Mário Soares, desta vez, decidiu não consultar o primeiro-ministro Cavaco Silva, como contou, e surpreeendeu todos quando chamou o filho mais novo de Aristides, John Paul Abranches, e tirou do bolso do casaco uma caixa vermelha contendo a Grã-Cruz da Ordem de Cristo, o grau mais alto, atribuindo-a postumamente ao cônsul de Bordéus. 

O escultor João Cutileiro concebeu uma medalha de bronze a evocar o desespero e o isolamento deste cônsul desobediente que se sentiu abandonado e expulso da sociedade por ter reagido contra a violência, e atuado em prol dos direitos humanos. Na medalha, além do nome, apenas se consegue ver um «homenzinho» no meio de um deserto de desumanidade. Esta medalha pode ser admirada na estação Parque do Metro de Lisboa, numa coluna junto à bilheteira. 

 

António Moncada S. Mendes – Aristides de Sousa Mendes, Memórias de Um Neto
Edições Saída de Emergência e António Moncada S. Mendes  (2017)

 

 

Junho 02, 2020

Cecília

Num país velho, sem antiguidade pura

morre-se à míngua de uma palavra nova,

num país que soçobra e subsiste, longe,

longe, mas aqui. 

 

António Ramos Rosa in PARA RESPIRAR UM POUCO - Obra Poética I

Assírio & Alvim (2018)

 

 

Maio 15, 2020

Cecília

Contava a história do pobre que encontrou um maço de notas no chão.

Acontece que tinha acabado de passar um rico naquele caminho e não havia qualquer dúvida acerca da pessoa a quem as notas pertenciam. Depois de pensar no assunto, o homem pobre acabou por ir bater à porta do ricaço e, assim que recebeu o dinheiro, este pegou no maço e tirou uma nota.

- Compra uma corda para te enforcares - disse. 

- Porquê? - perguntou o outro.

- A ti, esse dinheiro resolvia-te a vida. A mim não faz diferença. 

 

Hugo Mezena – Gente Séria (2017)

Planeta Manuscrito (2018)

 

Abril 02, 2020

Cecília

Mas em 1983 e em 1984, as autoridades responsáveis pela saúde dos portugueses não estavam informadas, logo, não sabiam como encarar o problema. Portanto, desmentem-no. A sida não existe. A exstir, é noutros países. Não há pragas nem epidemias. O director do Instituto Nacional do Sangue multiplica-se em entrevistas e vai à televisão desmentir a gravidade da situação e pedir às pessoas para não se preocuparem porque Portugal era um país de bons costumes. Só uma mulher, investigadora, estava atenta, e, pior do que isso, preocupadíssima. Odete Santos tinha ouvido falar da doença em 1983, num congresso em Lausanne, na Suíça, para onde foi a convite da maior especialista mundial em infeções hospitalares, que lhe diz: «Se for o que a gente pensa, vai ser uma desgraça!» Odete Santos, que trabalhava com o Instituto Pasteur, em Paris, pediu para ser apresentada ao professor Montagnier, o virologista francês que isolara o vírus... e contra tudo e contra todos iniciou uma batalha pelo conhecimento da doença, em Portugal... Numa enorme solidão, como ela própria admite, a cientista foi discriminada. As pessoas chegavam a mudar de passeio para não lhe falarem... Mas em 1985, com uma equipa diminuta na Faculdade de Farmácia, Odete Santos entra para a História da Medicina ao isolar o VIH-2... (...) A partir daí, a sida, em Portugal, não apenas existe como tem direito a bilhete de identidade. 

 

Manuela Gonzaga – António Variações, Entre Braga e Nova Iorque (2018)
Manuela Gonzaga e Bertrand Editora (2018)

 

 

 

Outubro 05, 2019

Cecília

Os patriotas são legião quando a pátria não pede que arrisquem o pêlo. 

 

 

Álvaro Guerra – Razões de Coração (1991)
Coleção Mil Folhas PÚBLICO (2002)

 

 

 

 

Outubro 02, 2019

Cecília

Em Lisboa António teve, pela primeira vez, a consciência pungente do abismo que separava as gentes da capital dos camponeses que aqui se apeavam atordoados. Tudo os denunciava, a começar pela própria ingenuidade, pelo espanto indisfarçável, sem falar na forma como se vestiam, andavam e falavam. Eram os alvos fáceis e recorrentes da troça citadina. «Ó patego, olha o balão.»

- O António quando cá chegou, foi trabalhar com uns primos (...) mas julgo que nunca abusaram dele, porque o António nunca se deixou enredar pelas pessoas. Sempre teve a personalidade bem vincada 

 

 

Manuela Gonzaga – António Variações, Entre Braga e Nova Iorque (2018)
Manuela Gonzaga e Bertrand Editora (2018) 

 

 

 

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