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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Nariz de cera

30
Mar22

bentos traficantes

Cecília

(A propósito disto e disto.)

 

Em São Bento juntavam-se os traficantes de todas as províncias - dizia ele. «Portugal, no gozo duma podre tranquilidade, não sai do marasmo vergonhoso da sua cadência, hipocritamente desmentida por charlatães, incapazes de administrarem uma aldeia», escrevia no Porto e Carta, em Março de 1855.

 

Agustina Bessa-Luís – Fanny Owen (1979)

Colecção Mil Folhas / Bibliotex SL / M.E.D.I.A.S.A.T. e Promoway Portugal Ltda (2002)

 

in https://somdorock.comunidades.net/serrabulho-revelam-capa-de-porntugal

 

23
Jun21

só com um gato morto no focinho (termo tripeiro)

Cecília

Os Médicos de Saúde Pública defendem que todo o país deve recuar no desconfinamento, para a fase em que está Lisboa.

“Pode levar à necessidade de colocar novas medidas ou até mesmo de parar o plano de desconfinamento, e recuar um passo. Se nós pusermos muitas medidas para Lisboa e Vale do Tejo e nenhumas à volta, os lisboetas vão, como é natural, pegar no seu carro e sair, meter-se no avião e ir para o Algarve ou para as ilhas. Para serem eficazes, as medidas têm que ser a nível nacional”, disse à Rádio Renascença o vice-presidente da Associação de Médicos de Saúde Pública, Gustavo Tato Borges.

“O país precisa de perceber que enquanto não estivermos todos no mesmo ritmo e na mesma onda, no continente, será difícil termos o Norte a desconfinar, Lisboa a confinar e o Centro no meio termo”, disse o especialista.

 

in https://multinews.sapo.pt/uncategorized/governo-pondera-travar-desconfinamento-em-todo-o-pais-saiba-as-medidas-que-podem-vir-ai/

 

 

07
Jun21

das tripas, amor

Cecília

A comida faz bem aos nervos e ao espírito. A coragem vem do estômago - tudo o resto é desespero. 

 

Charles Bukowski – Correios (1971)

Antígona (2015)

 

 

14
Mai21

ter norte

Cecília

Cláudia, uma professora de 45 anos, também nunca tinha feito qualquer acção de voluntariado até ao incêndio de 17 de Junho. Nessa altura estava de férias e diz que, depois de saber da calamidade que se abatera não muito longe de Abrantes, onde reside, andou «três dias muito vazia» até decidir que tinha de fazer alguma coisa. Também criou um grupo no Facebook, com o nome Corações Maiores, que, além dos moradores da zona de Pedrógão, apoiou pessoas do concelho de Mação, muito afectado pelos incêndios de 2017. «Éramos e continuamos a ser pouquinhos. Um grupo de pessoas da minha confiança, que foi em busca de bens recolhidos em espaços comerciais. O que conseguimos não é nada como se consegue lá no Norte», diz. 

 

Patrícia Carvalho – Ainda aqui estou (2018)

Fundação Francisco Manuel dos Santos e Patrícia Carvalho (2018)

 

 

05
Mai21

lume aceso

Cecília

O próprio «Chico Fininho» tinha surgido assim, com um desconhecido a cantar acompanhado à guitarra. Segundo António Duarte, «foi a Lena d'Água que me deu uma cassete, na Drogaria Ideal». E acrescentou: «se gostares passa, é de um amigo meu do Porto, chama-se Rui Veloso». 

 

Manuela Gonzaga – António Variações, Entre Braga e Nova Iorque (2018)
Manuela Gonzaga e Bertrand Editora (2018) 

 

 

 

26
Ago20

sonho e memória

Cecília

Acabada a escola, tinham à sua espera o complemento do trabalho familiar. Dar de comer ao gado, ajudar no campo, e mais e mais. Todos os dias. Os relatos sobrepõem-se e não chegam do fundo dos tempos. São frescos de uma arrepiante contemporaneidade:

- Lá em casa dividíamos uma sardinha por quatro. 

- Nós dividíamos uma sardinha por sete.

- Eu passei muita fome.

[...]

- Mas quando tocava a brincar, era uma alegria! Era tudo da nossa imaginação e do nosso engenho. Dançávamos, cantávamos, bailávamos. Foram tempos que ninguém sonha como eram. E, contudo, éramos alegres, divertíamo-nos com nada, construíamos os nossos brinquedos. Tristes das crianças de hoje a quem entregam tudo feito e não aprendem a sonhar. 

 

Manuela Gonzaga – António Variações, Entre Braga e Nova Iorque (2018)

Manuela Gonzaga e Bertrand Editora (2018)

 

 

 

10
Mar20

cidade

Cecília

detesto estar longe das cidades porque tudo me ameaça sob esta paz aparente, este falso sossego em que não acredito 

 

António Lobo Antunes – A Última Porta Antes da Noite (2018)

Publicações Dom Quixote (2018)

 

Porto-II.jpg

City of Porto / Oporto in Portugal

Rui Carruço

 

 

557.jpg

Casamento na Aldeia

Sarah Affonso

 

 

28
Set17

estações

Cecília

O extinto Mosteiro de São Bento da Ave-Maria ficava precisamente onde hoje está a Estação de São Bento, entre as Ruas do Loureiro e da Madeira, tendo à frente um amplo logradouro, que é na actualidade a Praça de Almeida Garrett (...) Do Mosteiro de São Bento da Ave-Maria e da sua igreja já nada resta. Apenas e só a memória escrita, o que já não é mau. Quando começaram as obras para a construção da estação ferroviária, chegou-se à conclusão de que o espaço não era o suficiente para uma estação central. Os técnicos pensaram então em prolongá-la, construindo um viaduto sobre o espaço que é hoje a Praça de Almeida Garrett, expropriando, para tanto, os prédios que estavam na frente. O elevado custo da operação contribuiu para que o projecto se não concretizasse (...) Em 1929, o Engº Jaime Nogueira de Oliveira, numa conferência que pronunciou sobre « A estação do Porto », reconheceu que para se fazer uma estação se sacrificara um monumento. « Agora, nem monumento nem estação que satisfaça. São Bento servirá apenas, no futuro, de estação de trâmueis, destinando-se a de Campanhã aos comboios de longo curso...» Profético.

 

 

Germano Silva e Lucília Monteiro – Porto, a Revolta dos Taberneiros e Outras Histórias (2004)

Editorial Notícias (maio 2004)

 

 

crédito imagem: https://i.pinimg.com/736x/0d/96/9b/0d969bfb380565010715e0587f045619--porto-portugal.jpg

 

05
Set17

o março que marca

Cecília

Na história do Porto, Março aparece como um mês marcado por várias tragédias que, ao longo dos tempos, enlutaram profundamente a cidade. Uma das maiores foi o naufrágio do vapor Porto, a 29 daquele mês de 1852. Quarenta e três anos antes, a 29 de Março de 1809, havia ocorrido a horrível tragédia da Ponte das Barcas, que provocou cerca de cinco mil mortos. Deu-se quando o general Soult entrou no Porto, à frente dos invasores franceses. Outra grande catástrofe que teve o mês de Março como referência foi a do Teatro Baquet, que se verificou no dia 21 daquele mês, no ano de 1888 (...) o Teatro Baquet ardeu na noite de 20 para 21 de Março de 1888 (...) Representava-se a peça Os Dragões de Villares, que foi um dos maiores sucessos teatrais de que há memória em Portugal. Além daquela peça, estava anunciada também a representação de uma revista espanhola em que se parodiava a Gran Via. Foi quando decorria esta representação que o pano da boca do palco desceu abruptamente. O público não percebeu o que se estava a passar. De repente alguém gritou: «Fogo! Fogo!» (...) o fumo começava já a sair do palco em espessos e negros rolos. Uma mole de gente aos baldões e atropelando-se buscou saída pela Rua de Santo António (...) Alguém ainda teve o sangue-frio suficiente para ir fechar o gás. Mas era tarde de mais. Em breves minutos, que pareceram anos, o fogo apossou-se de todo o edifício. O fumo asfixiava e as chamas, avançando, empolgavam a cena macabra. Quando se ia tocar a fogo na torre da Igreja de Santo Ildefonso, a corda do sino quebrou. Aconteceu o mesmo na Igreja dos Congregados (...) O balanço final foi de oitenta e oito mortos e muitos feridos (...) As vítimas da tragédia do Baquet repousam no cemitério de Agramonte, num mausoléu que tem como característica especial ter sido «decorado» com pedras e ferros calcinados retirados dos escombros do teatro. 

 

Germano Silva e Lucília Monteiro – Porto, a Revolta dos Taberneiros e Outras Histórias (2004)

Editorial Notícias (maio 2004)

 

 

 

 

 

 

05
Set17

com o rio à porta

Cecília

 

Com a foz do rio à porta (...) a cidade transformou-se (...). «O Douro», escreveu Cruz Malpique, «foi que fez o Porto tal como foi, tal como é, tal como será sempre: trabalhador, independente, vigoroso, de falas desassombradas, de cerviz bem erguida, batendo o pé a todas as tiranias

 

 

Germano Silva e Lucília Monteiro – Porto, a Revolta dos Taberneiros e Outras Histórias (2004)

Editorial Notícias (maio 2004)

 

 

 

 

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