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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

06
Abr21

bemzinho fedorento

Para o capitão gostinho Lourenço, «o cônsul de Bordéus andava mesmo a pedi-las», e essas contas teriam de ser ajustadas, quanto mais cedo, melhor! A PVDE, entretanto, ia-se substituindo ao próprio MNE na decisão de atribuição de vistos, como o demonstra a comunicação da polícia política de 22 de abril de 1940, recebida a 23 do MNE: «Tem notado esta diretoria, de há uns tempos a esta parte, que os pedidos de judeus holandeses para virem para Portugal tomam um volume que não é de desprezar, atendendo à convulsão que agita a Europa. Por outro lado, os nossos serviços têm registado uma agitação por parte dos judeus, que nos tem feito tomar medidas rigorosas sobre a sua atividade. Nestes termos, rogo a V.Exa. que a bem do serviço público, os senhores cônsules na Holanda sejam avisados, para antes de pedirem autorização para visarem os passaportes, averiguarem bem se os indíviduos que desejam vir são ou não judeus, a fim de se evitar a entrada em Portugal de indivíduos dessa qualidade. A bem da Nação. Lisboa, Secretaria-Geral da Polícia de Vigilância e Defesa do Estado. 22 de abril de 1940.»

 

António Moncada S. Mendes – Aristides de Sousa Mendes, Memórias de Um Neto
Edições Saída de Emergência e António Moncada S. Mendes  (2017)

 

 

10
Dez20

quanto mais dívidas, melhor

(uma daquelas situações)

O seu ex-marido, Arnold, estava ligado ao show-business e ao mundo da arte. Não soube o que fazia concretamente. Assinava constantemente contratos com estrelas do rock, pintores, etc. O negócio tinha 60.000 dólares de débito, mas florescia. É uma daquelas situações em que, quanto mais dívidas se tiver, em melhor posição se fica. 

 

Charles Bukowski – Mulheres (1978)
Coleção Mil Folhas PÚBLICO (2003)

 

 

27
Nov20

ou se imagina ou se lava as mãos

Chegaram a Bordéus mesmo no fim de setembro, na altura exata em que se desenrolavam os tristes célebres Acordos de Munique (29 e 30 de setembro de 1938), no âmbito dos quais os representantes de França e de Inglaterra acabariam por ceder periogosamente às pressões da Itália de Mussolini e, sobretudo, da Alemanha de Hitler, deixando que este último anexasse o território dos sudetas, na Checoslováquia. Não só não apaziguaram Hitler e o Reich, como, pelo contrário, lhe deram mais força e convicção para os seus avanços [...] E todos estavam muito longe de imaginar as consequências. O Anschluss, que anexou a Áustria à Alemanha, tinha sido consumado em março desse ano, e a Noite de Cristal iria acontecer daí a dois meses. Essa noite marcaria o início da ofensiva aberta contra os judeus, aos quais já tinham sido retirados os direitos cívicos, e que já estavam afastados da vida económica na Alemanha e nos territórios anexados [...]

Em Portugal, o governo e as autoridades que, claro, iam acompanhando os acontecimentos apesar da distância, iam definindo uma espécie de orientação no sentido de "afastar" possíveis problemas que certas "categorias de pessoas" pudessem vir a causar, em função dos interesses de Salazar e do regime. Assim, em outubro de 1938 (11 meses antes da declaração de guerra), Salazar introduz novas restrições aos vistos para judeus que quisessem entrar no nosso país, exigindo-lhes que adquirissem vistos de turismo por períodos de 30 dias, se precisassem de entrar no nosso território. Uma forma de limitar o acesso a Portugal e de travar assim eventuais planos de "certas pessoas". Surgiu, então, a célebre Circular 10, de outubro de 1938, que seria progressivamente endurecida por outras, até 11 de novembro de 1939, já em plena Segunda Guerra Mundial, com a Circular 14, e sob forte controlo da polícia política portuguesa, a então PVDE (a Polícia de Vigilância e Defesa do Estado). 

 

António Moncada S. Mendes – Aristides de Sousa Mendes, Memórias de Um Neto
Edições Saída de Emergência e António Moncada S. Mendes  (2017)

 

 

 

21
Out20

(covid, oms, gds, ordem dos médicos, app) entretanto, no mundo...

Petition for President Buhari to be charged before the ICC for crimes against humanity.

fotong.png

Soldiers shot at Nigerians protesting against police brutality, Amnesty International says

 

Quisiera de mi mente se borrara

aquello que pasado no se olvida:

El odio del hombre que por vida

con sangre de inocentes se gozara. 

[...]

en entraña de gente enloquecida,

la suma de los muertos que ganara. 

 

 

Antonio Portero Soro – Signo de vida (1999)

J.A. Ferrer-Sama y J. Ramírez, Editores Asociados (1999)

 

 

22
Set20

bien que debe consumarse

A quienes leyendo este libro sepan sacar la consecuencia recta.

 

El matar no es legado de ninguna bandería. La vida es bien que debe consumarse. 

 

 

Antonio Portero Soro – Signo de vida (1999)

J.A. Ferrer-Sama y J. Ramírez, Editores Asociados (1999)

 

 

04
Jun20

em 1989, em 1992, em ...,

Em 1989, o quarteirão enfaixado entre a Avenida de Fernão de Magalhães, a Rua Abraços e a Rua da Póvoa abrigava umas quantas pessoas escondidas em prédios do século XIX. Sobreviviam nas cozinhas, nos quartos, nas salas, onde quer que os prédios dessem calor (...)

Nesse Inverno, os buldózeres executaram a ordem de despejo. Os que lá tinham ficado foram acordados pelos operadores que berravam «Fujam, a máquina é cega!». Deram com as paredes destruídas, as camas esmagadas, as molduras das fotografias partidas, conformaram-se e seguiram pelas ruas, uns de roupão, outros de casaco vestido à pressa. Em três dias ninguém se lembrava deles.

O empreiteiro queria construir em tempo recorde por medo de que a Câmara inventasse novas burocracias (...) Depois chegaram as retroescavadoras, que entregaram pazadas de entulho aos reboques dos camiões. E assim cavaram fundações com quinze metros de profundidade protegidas por taipais com placas que avisavam para o óbvio: perigo (...)

Era evidente que a Fernão de Magalhães não merecia o hipermercado pensado para aquele espaço. Veja-se os prédios em volta. Tudo feio, menos os azulejos antigos e o Vila Galé, a torre mais alta da cidade. Dito isto, cuspiam para o chão, concluíam «A vida é assim, o nosso Porto não aprende» (...)

As gruas ainda levantaram um torreão de cinco andares na fachada que dava para a avenida. E então soube-se. Em 1992, as obras pararam por imbróglio jurídico, excesso burocrático, corrupção ou falta de dinheiro, enfim, um dos cenários a que estamos habituados. 

 

Afonso Reis Cabral – Pão de Açúcar
Publicações Dom Quixote (2018)

 

03
Set19

knickknack

No passado dia 19 de Agosto, o Presidente da República, depois de ter dado luz verde às alterações a diversos códigos fiscais uns dias antes, promulgou o chamado pacote laboral que introduz diversas alterações no Código do Trabalho. Em causa, estão 3 mudanças fundamentais: regras dos contratos a prazo, período experimental e bancos de horas.

 

Bancos individuais e grupais

 

A principal novidade consiste numa reviravolta relativamente aos bancos de horas individuais: conforme referimos em Abril de 2018, o Governo tinha previsto a sua extinção imediata. Contudo, na redacção final, aqueles que já foram acordados ainda se mantêm em vigor por mais um ano. Para além disso, o último artigo da lei permite a criação de novos bancos de horas individuais durante algum tempo.

 

in Newsletter Revista Gerente

 

 

 

 

16
Mai19

a proteção de quem manda

«Meu amo manda-me para vos proteger. Eu vos protegerei», lê dom António essa primeira declaração solene do general Junot. Sorri, irónico, pensando que a protecção de quem manda conta sempre mais com a acomodação dos protegidos que com a certeza de poder protegê-los. 

 

Álvaro Guerra – Razões de Coração (1991)
Coleção Mil Folhas PÚBLICO (2002)

 

 

 

 

28
Jun18

passatempo entre guerras

Curioso é constatar que, após o homem ter inventado as primeiras armas logo se iniciaram as conversações para reduzir os armamentos, o que durante milhares de anos, devia ser o passatempo preferido nos intervalos das guerras. 

 

 

Vilhena – História Universal da Pulhice Humana (1960/1961/1965)
Edição Completa, Integral e Nunca Censurada dos Três Volumes Originais Pré-História / O Egipto / Os Judeus

Herdeiros de José Vilhena / SPA 2015, E-Primatur (2016)

 

 

 

 

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