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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

que viagem

18.11.20

Recém-chegado da tropa no ultramar, no início dos anos 70, António ainda não pertencia ao meio musical. Mas, pela forma de estar, de vestir, e de ser, começava a ser um Extraterrestre, num país onde era pecado ser diferente, numa sociedade que tranquilizava os seus terrores arcaicos com a estandardização. «Sempre Ausente», um poema do álbum Anjo da Guarda, ilustra estes tempos e esta busca:

 

Diz-me que solidão é esta 

Que te põe a falar sozinho

Diz-me que conversa

Estás a ter contigo

Diz-me que desprezo é esse

Que não olhas p'ra quem quer que seja

Ou pensas que não existe

Ninguém que te veja

Que viagem é essa

Que te diriges em todos os sentidos

Andas em busca dos sonhos perdidos 

 

 

Manuela Gonzaga – António Variações, Entre Braga e Nova Iorque (2018)

Manuela Gonzaga e Bertrand Editora (2018)

 

 

 

 

chegado

17.11.20

Porque és sem tensão o resultado,

o chegado. A praia e o centro do olhar

no extremo e simples.

[...]

à varanda de ti próprio.

À varanda do mar.

[...]

No espaço interno mar

onde chegaste

o desejo coincide em si

no mar. 

 

 

António Ramos Rosa in O DESEJADO CHEGADO  - Obra Poética I

Assírio & Alvim (2018)

 

 

até um dia B. (03.11.1982 - 27.11.2017)

03.11.20

as mãos salvas conhecem-se, sem gestos.

[...]

os sonhos que tive desfizeram-se,

percorro agora a terra onde eles nascem

[...]

Ouso ser simples como o pão e a água. 

 

António Ramos Rosa in TERRA IMPONDERÁVEL - Obra Poética I

Assírio & Alvim (2018)

 

 

o estado da arte e da cultura - da praxe

27.10.20

Aristides e César eram grandes defensores das praxes académicas, um tema agora muito em voga e envolto em bastante polémica. O jornal Público fez uma investigação sobre estas práticas estudantis, e descobriu que já no início do século XX as praxes eram consideradas uma forma de cativar os jovens estudantes e assim os integrar na vida universitária, desde que se baseassem em atividades ligadas às artes e à cultura: provas de poesia e criação literária, teatro, pintura, exibições de canto e de música, entre outras disciplinas.

 

António Moncada S. Mendes – Aristides de Sousa Mendes, Memórias de Um Neto
Edições Saída de Emergência e António Moncada S. Mendes  (2017)

 

a(s) verdadeira(s) mudança(s) envolvendo milhões

(e estúdios eco, já agora)

14.10.20

não quero navegar num mar fácil de palavras 

 

António Ramos Rosa in O PAPEL, A MESA, O SOL, A PENA... - Obra Poética I

Assírio & Alvim (2018)

 

 

Inútil muro

25.09.20

Inútil muro sobre outro muro.

Invisível o que se lê,

o visível que se não lê. 

 

António Ramos Rosa in UM RASTRO - Obra Poética I

Assírio & Alvim (2018)

 

A young black girl, scarcely more than a child herself, looks after a baby girl for a white family. 1969, South Africa. © Ian Berry/Magnum Photos

in https://wepresent.wetransfer.com/story/ian-berry-and-bieke-depoorter/

não à ventura (II)

11.09.20

Há um país na terra

que a mão tranquila alcança

 

Há um país onde o corpo

se veste com o corpo

da terra 

 

António Ramos Rosa in HÁ UM PAÍS NA TERRA QUE A MÃO TRANQUILA ALCANÇA  - Obra Poética I

Assírio & Alvim (2018)

 

proverbio_cigano_cachorro_acha_que_corre_por_que_c

 

não à ventura (I)

11.09.20

à ventura
• Sem a reflexão necessária. = AO ACASOÀ SORTE

in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha]

 

Que a palavra tenha

dureza de quina,

firmeza de punho.

Que a palavra seja. 

 

António Ramos Rosa in CAMINHAR HABITAR - Obra Poética I

Assírio & Alvim (2018)