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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Mas em 1983 e em 1984, as autoridades responsáveis pela saúde dos portugueses não estavam informadas, logo, não sabiam como encarar o problema. Portanto, desmentem-no. A sida não existe. A exstir, é noutros países. Não há pragas nem epidemias. O director do Instituto Nacional do Sangue multiplica-se em entrevistas e vai à televisão desmentir a gravidade da situação e pedir às pessoas para não se preocuparem porque Portugal era um país de bons costumes. Só uma mulher, (...)
11 Mar, 2020

falar demais

falam demais as pessoas, dá-lhes medo o vazio    António Lobo Antunes – A Última Porta Antes da Noite (2018) Publicações Dom Quixote (2018)      
14 Nov, 2019

mulher(ão) I

Um pouco de conversa talvez tivesse sido o bastante para despertar em mim algum carinho por ele, mas não havia conversas. Uma vez disse-me que era melhor para um homem estar no meio do mato do que com uma mulher com opiniões (...) Considerava que um homem era mais admirado quando tinha uma mulher bonita ao seu lado, e deliciava-se com os olhares invejosos dos amigos quando estávamos juntos.    Wray Delaney - Memórias de Uma Cortesã  (2016) Quinta Essência, Oficina do Livro (2017)     (...)
10 Nov, 2019

flot futile

Tornou-se evidente que muito poucas pessoas da sociedade compreendiam realmente o que diziam, enquanto nós conseguíamos conversar sem sermos entendidos por elas.  O comentário preferido de Sua Senhoria era: Nous nageons dans un flot futile (1)   (1) « Nadamos numa torrente de futilidade » (N.do T.)   Wray Delaney - Memórias de Uma Cortesã  (2016) Quinta Essência, Oficina do Livro (2017)     Chez Mouquin (1905) William James Glackens    
04 Nov, 2019

décadas de bocejo

Mas neste início da década de 70, enquanto o mundo dá voltas e que voltas!, os jornais, em Portugal, ocupam-se em noticiar, em grandes parangonas de primeira página, acidentes de automóvel ou calamidades atmosféricas, misturando-as com fotografias de atrizes ou princesas em evidência por qualquer razão menor (...) Um interminável bocejo.    Manuela Gonzaga – António Variações, Entre Braga e Nova Iorque (2018) Manuela Gonzaga e Bertrand Editora (2018)        
«Passamos o tempo a criar coisas para não nos mexermos, carros para não termos de andar, controlos remotos para não nos levantarmos do sofá, e depois pagamos um ginásio. Pagamos porque criamos utensílios que nos permitem evitar actividades físicas (...) E é exactamente por isso, devido a essa extrema sedentarização, que nos vemos obrigados a mexer-nos. Para isso, basta pagar por uma coisa que evitamos a todo o custo e pela qual trabalhamos tantas horas diárias durante tantos (...)