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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

toque subtil na falha


Cecília

04
Set19

Uma certa atenção treinada pela História poderia discernir neste jovem par (...) o toque subtil da decadência precoce, o drama de uma geração que já não pertence ao passado mas dele traz a herança suficiente para sentir que falhou o futuro. 

 

Álvaro Guerra – Razões de Coração (1991)
Coleção Mil Folhas PÚBLICO (2002)

 

 

 

faxina deliciosa


Cecília

11
Jul19

Hoje Eu Sei
Vanessa da Mata / Jonas Myrin
(Sereia de Água Doce / Duva Songs/Songs of Universal, Inc. [BMI])

 

Na minha vida hoje eu sei
Quem é dor, quem é luz, quem é fuga
Quem estraga ou quem estrutura
Quem é adubo, terra ou rosa
Hoje eu sei quem é conto, romance ou prosa
O silêncio amigo ou a cobra
Só não sei quem é o mistério

Ninguém me ensinou a amar
Me cuidar ou escolher
Das sutilezas entre tédio e paz
Sempre acompanhada e só,
Merecia muito mais, de mim mesma

O tempo entregou você
Depois que aprendi dizer não
E retirei o que me atrasava

Limpei minha estrada antiga
Mudei minhas velhas formas
Fiz a faxina pra você entrar

Ninguém me ensinou a amar
Me cuidar ou escolher
Das sutilezas entre tédio e paz
Sempre acompanhada e só,
Merecia muito mais, de mim mesma

O tempo entregou você
Depois que aprendi dizer: não
E retirei o que me atrasava

Limpei minha estrada antiga
Mudei minhas velhas formas
Fiz a faxina pra você entrar

Lá, lá, lá...

Aonde a fome vivia
Joguei minhas cores fartas
E como a natureza é sábia
Tem mazelas, mas tem cura
A solidão fazia casa mas
Plantei minhas jaboticabas lá

 

 

no tempo certo - fruto inteiro e maduro


Cecília

09
Mai19

Recomeça... se puderes, sem angústia e sem pressa e os passos que deres, nesse caminho duro do futuro, dá-os em liberdade, enquanto não alcances não descanses, de nenhum fruto queiras só metade.

 

Miguel Torga

 

 

tempo da cura


Cecília

08
Abr19

e eu de olhos fechados e nuca apoiada na parede a rezar uma Avé Maria que tinha obrigação de pôr as coisas em ordem e não punha 

 

 

António Lobo Antunes – A Última Porta Antes da Noite (2018)

Publicações Dom Quixote (2018)

 

 

 

 

 

higienizar a mente


Cecília

26
Fev19

Não duvide do valor da vida, da paz, do amor, do prazer de viver, em fim, de tudo que faz a vida florescer. Mas duvide de tudo que a compromete. Duvide do controle que a miséria, ansiedade, egoísmo, intolerância e irritabilidade exercem sobre você. Use a dúvida como ferramenta para fazer uma higiene no delicado palco da sua mente com o mesmo empenho com que você faz higiene bucal.

Augusto Cury

 

 

 

na distância


Cecília

18
Fev19

Todos te viram ninguém te viu e foi então que vi

eras tu não eras tu jamais e eras tu

e sem nome na tua boca sem tua boca

eu vivi na distância inerte e nu 

 

António Ramos Rosa - Obra Poética I 

Assírio & Alvim (2018)

 

 

 

condição humana


Cecília

12
Fev19

nossa condição humana, que é inimiga de tudo o que é infinito. Opõe-se-lhe o nosso sempre insuficiente conhecimento do futuro; e a isto se chama, num caso, esperança; no outro, incerteza do amanhã. Opõe-se-lhe a certeza da morte, que impõe um limite a qualquer alegria, mas também a qualquer dor. 

 

Primo Levi – Se Isto É Um Homem (1947)
Coleção Mil Folhas PÚBLICO (2002)

 

 

 

passar à realidade


Cecília

15
Out18

Que o fosso da memória se transponha,

que seja a solidão atravessada!

Da cálida crisálida renasça

de novo para o corpo o corpo todo!

 

Venham as roucas sílabas da posse

no búzio dos ouvidos enroladas!

Sobre a teia das veias impalpáveis,

reconstrua-se a cúpula dos olhos!

 

Que tudo, tudo, súbito se emprenhe

da realidade que a lembrança apenas

em folha de álbum, ressequida, guarda!

 

Que eu vá de novo decorar-te a seiva,

como um poema líquido que seja

urgente recitar na eternidade!

 

 

 

 

David Mourão-Ferreira - Voto 

Tempestade De Verão (1954)

 

XXXVII


Cecília

23
Set18

Todos descobrem, mais tarde ou mais cedo na vida, que a felicidade perfeita não é realizável, mas poucos se detêm a pensar na consideração oposta: que também uma infelicidade perfeita é, igualmente, não realizável. 

 

 

 

Primo Levi – Se Isto É Um Homem (1947)
Coleção Mil Folhas PÚBLICO (2002)