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justos

18.11.20

Há cerca de 22 mil pessoas no mundo que são reconhecidas como Justos Entre as Nações, mas diplomatas são menos de cem. Atualmente, há quatro portugueses nessa lista: o padre Joaquim Carreira, o embaixador Sampaio Garrido, José Brito Mendes e Aristides de Sousa Mendes. São heróis que devem ser conhecidos e estudados em todas as escolas. Mas há outros Justos estrangeiros que merecem ser conhecidos: o cônsul japonês Sugihara, que também desobedeceu ao seu governo em 1940 e, como Aristides, passou vistos a milhares de refugiados na Lituânia; Giorgio Perlasca, italiano, fez-se passar por diplomata espanhol para "falsificar" documentos, salvando muitos refugiados; Giovanni Roncalli (que veio a ser o Papa João XXIII, em 1958) "falsificou" certificados católicos de batismo para salvar judeus; e Georg Duckwitz, adido na embaixada alemã em Copenhaga, que soube dos planos nazis de deportação para a população judaica dinamarquesa - conseguiu avisar as comunidades e ajudou milhares de pessoas a fugir para a Suécia, salvando-as assim da morte certa [...]

Para salvar inocentes da morte, todos os meios são justos, e nenhum destes homens cometeu crimes ao fazê-lo, contrariamente ao que certos indivíduos extremistas escreveram em Portugal. A medalha dos "Justos" do Yad Vashem tem inscrito: «Quem salva uma vida, salva a humanidade.» Por vezes, a tradução varia, o que origina diferentes versões, mas a ideia é que cada pessoa contém em si todos os elementos do universo, todo o bem e todo o mal e, como está escrito nos livros santos, o «homem é feito à imagem e semelhança de Deus». 

 

António Moncada S. Mendes – Aristides de Sousa Mendes, Memórias de Um Neto
Edições Saída de Emergência e António Moncada S. Mendes  (2017)

 

 

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- São rosas, senhor - grunhia a dona Maria da Conceição. - São rosas!

Dizia-o com os olhos tão abertos que conseguíamos ver o trapo em que a rainha transportava o pão abrir-se. O pão para os pobres. E de lá de dentro saltavam flores.

- Flores vermelhas - continuava. - Vermelhas como o sangue com que se fez a nação.

De maneira que era tudo muito bem explicado. Voltávamos para casa cheios de pensamentos acerca dessa rainha, que se metia em alhadas por causa dos pobres. Os pobres que o rei, o rei mauzão, não queria ajudar. E a história de Inês de Castro: «Poupai ao menos os meus filhos, eles não têm culpa, senhor», dizia a professora. Mas a melhor parte era quando D. Pedro dava caça aos assassinos da sua amante, que nos era descrita como sua esposa. Legítima esposa. «E arrancou-lhes o coração pelas costas!», dizia a professora. Sobre o facto, também, de os filhos de D. Inês e D. Pedro serem ilegítimos, nem uma palavra. Acerca do embaraço que isso colocava à coroa, muito menos. Sobre os problemas com Castela, muito menos ainda. Nada. Silêncio.

Os reis desfilavam à nossa frente, seguidos pelos seus séquitos, sempre prontos a partir para a guerra. Havia comandantes a rezar à Virgem Maria atrás de uma pedra antes de a batalha começar. Reis que iam voltar numa manhã de nevoeiro que acabaria por chegar. D. Afonso Henriques, que tinha mentido ao papa acerca da doação de uns quantos sacos de ouro ao ano e por isso estava no inferno.

Depois vinham as perguntas. Quem foi o terceiro rei da dinastia de Avis? Como se chamavam os pretendentes ao trono durante o interregno que perdurou de mil trezentos e oitenta e três a mil trezentos e oitenta e cinco? Por quantas embarcações era constituída a armada portuguesa que partiu nesse saudoso ano de mil quatrocentos e quinze à conquista de Ceuta? 

 

Hugo Mezena – Gente Séria (2017)

Planeta Manuscrito (2018)

 

 

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O prolongamento da vida provocou algo que não era comum noutros tempos: a relação íntima e a mútua pertença devem ser mantidas durante quatro, cinco ou seis décadas, e isto gera a necessidade de renovar repetidas vezes a recíproca escolha. Talvez o cônjuge já não esteja apaixonado com um desejo sexual intenso que o atraia para outra pessoa, mas sente o prazer de lhe pertencer e que esta pessoa lhe pertença, de saber que não está só, de ter um «cúmplice» que conhece tudo da sua vida e da sua história e tudo partilha. E o companheiro no caminho da vida, com quem se pode enfrentar as dificuldades e gozar das coisas lindas. Também isto gera uma satisfação que acompanha a decisão própria do amor conjugal. Não é possível prometer que teremos os mesmos sentimentos durante a vida inteira; mas podemos ter um projeto comum estável, comprometer-nos a amar-nos e a viver unidos até que a morte nos separe, e viver sempre uma rica intimidade. O amor, que nos prometemos, supera toda a emoção, sentimento ou estado de ânimo, embora os possa incluir. É um querer-se bem mais profundo, com uma decisão do coração que envolve toda a existência. Assim, no meio de um conflito não resolvido e ainda que muitos sentimentos confusos girem pelo coração, mantém-se viva dia-a-dia a decisão de amar, de se pertencer, de partilhar a vida inteira e continuar a amar-se e perdoar-se. Cada um dos dois realiza um caminho de crescimento e mudança pessoal. No curso de tal caminho, o amor celebra cada passo, cada etapa nova.

 

Papa Francisco, in 'A Alegria do Amor'

 

 

 

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