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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

11.10.19

sinuosos arpões


Cecília

Num sinuoso acesso de dor 

subia-se à felicidade como um peixe

arpoado pela corola activa da fêmea.

Ajoelho ante essa fúria sensual... 

 

 

Paulo da Costa Domingos in CAMPO DE TÍLIAS

 

 

Paulo da Costa Domingos – Carmina (1971-1994)
Antígona (1995)

 

 

 

10.10.19

dínamo


Cecília

Sinto profusamente aquilo que se furta

às palavras mas não ao entendimento.

Sinto as fases do teu corpo

como um dínamo de luz a atravessar

o meu peito. 

 

Paulo da Costa Domingos in CAMPO DE TÍLIAS

 

 

Paulo da Costa Domingos – Carmina (1971-1994)
Antígona (1995)

 

 

 

09.10.19

não saber ganhar


Cecília

Porque não soube merecer a glória, a mais suave

de me deitar a teu lado

e que do sangue a palavra

abolisse a diferença entre o meu corpo e a minha voz

porque te perdi 

não sei quem sou 

 

 

António Ramos Rosa - Obra Poética I 

Assírio & Alvim (2018)

 

 

 

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02.10.19

mucho mistrust


Cecília

(...)

quando a atracção natural

reunisse os corpos apesar da dúvida.

Lembrar-te-ás da força dos dias de cegueira

dias de puro instinto, tudo 

o mais esquecerás. O vento

contra. O aparente cansaço

que nos atira um ao encontro do outro. 

(...)

 

Paulo da Costa Domingos in CAMPO DE TÍLIAS

 

 

Paulo da Costa Domingos – Carmina (1971-1994)
Antígona (1995)

 

 

 

01.10.19

terno abrasivo


Cecília

Bastou uma pequena água

para que o Universo inteiro vestisse

a tua cinza perturbada delirante pelos rituais

da saliva e da pele. E o nosso sangue queimava

terno abrasivo. 

 

Paulo da Costa Domingos in CAMPO DE TÍLIAS

 

 

Paulo da Costa Domingos – Carmina (1971-1994)
Antígona (1995)

 

 

 

01.10.19

(ob)temos o (horizonte) que fazemos


Cecília

 

São outros, porém, os cravos

da moderna paixão:

casamentos, relógios de ponto,

habitação própria domesticam

o horizonte, e o horizonte

basta.

 

 

Paulo da Costa Domingos in CAMPO DE TÍLIAS

 

 

Paulo da Costa Domingos – Carmina (1971-1994)
Antígona (1995)

 

 

 

30.09.19

ser eterno dentro


Cecília

Volto a ser uma dama instada ao amor

às solicitações e aos rigores vibráteis do corpo

e mais, muito mais, à respiração ondulatória

porque eu sou da terra o sismo e o fulgor

só pelo negrume de meu amado respondo.

 

Entristecem-me as promessas mínimas do ventre aberto

por força do pouco e do muito ele querer

a paz do coágulo, a dor, o espasmo e o rubi

ai tudo posso dar-lhe, ao meu adepto, ruína das lutas,

o soma, o sarcófago e até o ser eterno dentro de mim.

 

 

Paulo da Costa Domingos in CAMPO DE TÍLIAS

 

 

Paulo da Costa Domingos – Carmina (1971-1994)
Antígona (1995)

 

 

(...)

He's gotta be sure
And it's gotta be soon
And he's gotta be larger than life

(...)

I could swear there is someone, somewhere
Watching me
Through the wind, and the chill, and the rain
And the storm, and the flood
I can feel his approach like a fire in my blood

(...)

 

05.09.19

antes ser-do-contra-a-contranatura


Cecília

«La sort natural d'un homme n'est ni d'être enchaîné, ni d'être égorgé; mais tous les hommes sont faits, comme les animaux et les plantes, pour vivre certain temps, pour produire leur semblables, et pour mourir. - Voltaire»*

* A sorte natural dum homem não é a de ser agrilhoado, nem a de ser degolado; mas todos os homens são feitos, como os animais e as plantas, para viverem um certo tempo, para produzirem os seus semelhantes e para morrerem» (Voltaire, Lettres Philosophiques)

 

 

Álvaro Guerra – Razões de Coração (1991)
Coleção Mil Folhas PÚBLICO (2002)

 

 

 

07.08.19

I reprise de agosto


Cecília

A adrenalina trepa o stress dos VIPs desliza

por rasgadas pistas no cobre a pique a pique a pique

lábio cigarro mão morta ao volante

(...)

Um frigo internacional avança slowly

contra a chaparia de todas as

ambições.

 

Paulo da Costa Domingos in Na EN264, A última Nau

 

Paulo da Costa Domingos - Carmina (1971 - 1994)

Antígona (1995)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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