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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

convenções, proteções, regimes e estímulos

Cecília, 23.10.20

Em momentos críticos, a ajuda dos irmãos César e José Paulo, e de primos direitos como Silvério e outros foi essencial para lhe dar algum ânimo e esperança nos últimos 14 anos de vida. A maior parte dos primos direitos vinha do lado Amaral e Abranches que, diga-se em abono da verdade, no verão de 1940 não o aplaudiram exatamente. Esses primos tinham carreiras e famílias a proteger, e estavam bem conscientes da verdadeira natureza do Estado Novo, sabiam que podiam ser atingidos por ricochete devido ao gesto rebelde do primo Aristides - que se tornaria um proscrito e uma espécie de refugiado no seu próprio país. 

Um primo de Aristides, Adolfo Abranches Pinto, que foi general e ministro do exército durante quatro anos, entre 1950 e 1954, que exerceu funções de adido militar em Washington D.C. [...] foi chamado a participar em visitas de comissões internacionais aos campos de concentração, tendo de efetuar relatórios descrevendo o horror que aí viu e a vergonha que são para a espécie humana. Um dia, o primo Adolfo disse para a sua família mais próxima: «Compreendo a posição e a atitude do Aristides durante a guerra. Ele prestou um grande serviço à Humanidade!»

Dizer estas palavras é revelador de bons sentimentos, mas teria sido muito mais benéfico e corajoso da parte de um general - um homem de armas - dizê-lo diretamente a Aristides e a César. Mas a verdade é que o regime ditatorial de Salazar não existia propriamente para estimular a coerência e a dignidade. E as paredes tinham ouvidos... 

 

António Moncada S. Mendes – Aristides de Sousa Mendes, Memórias de Um Neto
Edições Saída de Emergência e António Moncada S. Mendes  (2017)

 

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(covid, oms, gds, ordem dos médicos, app) entretanto, no mundo...

Cecília, 21.10.20

Petition for President Buhari to be charged before the ICC for crimes against humanity.

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Soldiers shot at Nigerians protesting against police brutality, Amnesty International says

 

Quisiera de mi mente se borrara

aquello que pasado no se olvida:

El odio del hombre que por vida

con sangre de inocentes se gozara. 

[...]

en entraña de gente enloquecida,

la suma de los muertos que ganara. 

 

 

Antonio Portero Soro – Signo de vida (1999)

J.A. Ferrer-Sama y J. Ramírez, Editores Asociados (1999)

 

 

patamares de consciência

Cecília, 06.10.20

https://www.facebook.com/BlackOnBlackCtv/videos/3336583673029763/

 

Se você fica neutro em situações de injustiça, você escolhe o lado do opressor.

Desmond Tutu

 

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não à ventura (II)

Cecília, 11.09.20

Há um país na terra

que a mão tranquila alcança

 

Há um país onde o corpo

se veste com o corpo

da terra 

 

António Ramos Rosa in HÁ UM PAÍS NA TERRA QUE A MÃO TRANQUILA ALCANÇA  - Obra Poética I

Assírio & Alvim (2018)

 

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silêncio que se vai contar um fado (I)

Cecília, 23.07.20

- São rosas, senhor - grunhia a dona Maria da Conceição. - São rosas!

Dizia-o com os olhos tão abertos que conseguíamos ver o trapo em que a rainha transportava o pão abrir-se. O pão para os pobres. E de lá de dentro saltavam flores.

- Flores vermelhas - continuava. - Vermelhas como o sangue com que se fez a nação.

De maneira que era tudo muito bem explicado. Voltávamos para casa cheios de pensamentos acerca dessa rainha, que se metia em alhadas por causa dos pobres. Os pobres que o rei, o rei mauzão, não queria ajudar. E a história de Inês de Castro: «Poupai ao menos os meus filhos, eles não têm culpa, senhor», dizia a professora. Mas a melhor parte era quando D. Pedro dava caça aos assassinos da sua amante, que nos era descrita como sua esposa. Legítima esposa. «E arrancou-lhes o coração pelas costas!», dizia a professora. Sobre o facto, também, de os filhos de D. Inês e D. Pedro serem ilegítimos, nem uma palavra. Acerca do embaraço que isso colocava à coroa, muito menos. Sobre os problemas com Castela, muito menos ainda. Nada. Silêncio.

Os reis desfilavam à nossa frente, seguidos pelos seus séquitos, sempre prontos a partir para a guerra. Havia comandantes a rezar à Virgem Maria atrás de uma pedra antes de a batalha começar. Reis que iam voltar numa manhã de nevoeiro que acabaria por chegar. D. Afonso Henriques, que tinha mentido ao papa acerca da doação de uns quantos sacos de ouro ao ano e por isso estava no inferno.

Depois vinham as perguntas. Quem foi o terceiro rei da dinastia de Avis? Como se chamavam os pretendentes ao trono durante o interregno que perdurou de mil trezentos e oitenta e três a mil trezentos e oitenta e cinco? Por quantas embarcações era constituída a armada portuguesa que partiu nesse saudoso ano de mil quatrocentos e quinze à conquista de Ceuta? 

 

Hugo Mezena – Gente Séria (2017)

Planeta Manuscrito (2018)

 

 

dor cicatriz

Cecília, 17.06.20

é tão difícil falar com uma pessoa que não fala 

 

António Lobo Antunes – A Última Porta Antes da Noite (2018)

Publicações Dom Quixote (2018)

 

 

A região continua com falhas nas telecomunicações

 

Tal como há tês anos, Dina Duarte diz que as comunicações continuam a falhar. Admite “alguma mágoa” porque apesar de todo o esforço que a associação tem feito para alertar para a falta de telecomunicações, “nada melhorou em termos de qualidade de sinal”.

Dificuldades que a Associação de Vítimas do Incêndio de Pedrógão Grande quer denunciar junto do Governo, depois de esgotadas todas as outras vias. Dina Duarte garante que já foram feitas inúmeras queixas junto da Autoridade Nacional de Comunicações (ANACOM), e junto de todos os operadores de telecomunicações, mas sem sucesso. Agora vira-se para o Governo, com quem quer reunir para denunciar o que está mal na região de Pedrogão Grande, numa altura em que continuam por aplicar 815 mil euros de donativos de cidadãos e de empresas.

in https://www.agroportal.pt/pedrogao-grande-associacao-de-vitimas-quer-que-seja-feita-justica-pois-ninguem-foi-a-julgamento/

 

Portugal

Cecília, 10.06.20

A palavra rei, por sua vez, queria dizer algo mais do que uma pessoa que estava sentada num trono a mandar. D.Afonso Henriques prometera uma certa quantidade de sacos com ouro ao papa, entregue todos os anos. Mas nunca lhos chegara a dar. Estava no inferno. E tinha metido a própria mãe numa prisão.

Ao usar as palavras dessa maneira, obtivera o seu próprio país. 

Mas isto só queria dizer que ele fora mais esperto do que os outros. Tinha usado as palavras um bocadinho melhor. No que dizia respeito ao papa, bastara dizer-lhe que lhe dava os sacos com ouro. Eram só palavras. Não custava nada. E passar por cima da frase «respeitar pai e mãe» também não constituíra para ele um problema. 

Um conjunto de palavras, afinal, que não se aplicavam sempre. Nem a tudo. Porque se as tivesse levado à letra, não se tinha feito Portugal. 

 

Hugo Mezena – Gente Séria (2017)

Planeta Manuscrito (2018)

 

longe... mas aqui

Cecília, 02.06.20

Num país velho, sem antiguidade pura

morre-se à míngua de uma palavra nova,

num país que soçobra e subsiste, longe,

longe, mas aqui. 

 

António Ramos Rosa in PARA RESPIRAR UM POUCO - Obra Poética I

Assírio & Alvim (2018)

 

 

wahala

Cecília, 26.11.19

O riso é de longe o melhor remédio para todas as maleitas da vida. Demasiadas vezes são os nossos dias medidos por desgostos, e raros os momentos em que a sua medida é o humor. 

 

 

Wray Delaney - Memórias de Uma Cortesã  (2016)

Quinta Essência, Oficina do Livro (2017)