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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

tempo da cura


Cecília

08
Abr19

e eu de olhos fechados e nuca apoiada na parede a rezar uma Avé Maria que tinha obrigação de pôr as coisas em ordem e não punha 

 

 

António Lobo Antunes – A Última Porta Antes da Noite (2018)

Publicações Dom Quixote (2018)

 

 

 

 

 

a vaquinha que nos ri


Cecília

04
Jul18

Um Mestre da sabedoria passeava por uma floresta com seu jovem discípulo, quando avistou ao longe um sítio de aparência pobre, e resolveu fazer uma breve visita.

Durante o percurso ele falou ao aprendiz sobre a importância das visitas e das oportunidades de aprendizado que temos, também com as pessoas que mal conhecemos.

Chegando ao sítio constatou a pobreza do lugar, sem acabamento, casa de madeira e os moradores, um casal e três filhos, vestidos com roupas sujas e rasgadas. Aproximou-se do senhor, que parecia ser o pai daquela família, e perguntou: “Neste lugar não há sinais de pontos de comércio, nem de trabalho. Como vocês sobrevivem”?

Calmamente veio a resposta:

“Meu senhor, temos uma vaquinha que nos dá vários litros de leite todos os dias. Uma parte nós vendemos ou trocamos na cidade mais próxima por outros gêneros de alimentos. Com a outra parte fazemos queijo, coalhada, etc., para o nosso consumo… e assim vamos sobrevivendo”.

O Mestre agradeceu a informação, contemplou o lugar por uns momentos, despediu-se e foi embora. No meio do caminho, em tom grave, ordenou ao seu fiel discípulo:

“Pegue a vaquinha, leve-a até o precipício e empurre-a lá para baixo”.

Em pânico, o jovem ponderou ao Mestre que a vaquinha era o único meio de sobrevivência daquela família. Percebendo o silêncio do Mestre, sentiu-se obrigado a cumprir a ordem. Assim, empurrou a vaquinha morro abaixo, vendo-a morrer.

Essa cena ficou marcada na memória do jovem durante alguns anos. Certo dia, ele decidiu largar tudo o que aprendera e voltar ao mesmo lugar para contar tudo àquela família, pedir perdão e ajudá-los.

Quando se aproximava, avistou um sítio muito bonito todo murado, com árvores floridas, carro na garagem e algumas crianças brincando no jardim. Ficou desesperado imaginando que aquela humilde família tivera que vender o sítio para sobreviver.

Apertou o passo e ao chegar lá foi recebido por um caseiro simpático, a quem perguntou sobre a família que ali morou há alguns anos.

“Continuam morando aqui”, respondeu rapidamente o caseiro.

Surpreso, ele entrou correndo na casa e viu que era efetivamente a mesma família que visitara antes com o Mestre. Depois de elogiar o local, dirigiu-se ao senhor que era o dono da vaquinha que havia morrido:

- “Como o senhor conseguiu melhorar este sítio e ficar tão bem de vida”?

A resposta veio com entusiasmo:

- “Tínhamos uma vaquinha que caiu no precipício e morreu. Daí em diante tivemos que aprender a fazer outras coisas e desenvolver habilidades que nem sabíamos que tínhamos”.

E completou feliz:

- “Assim, conseguimos conquistar o sucesso que seus olhos vêem agora”!

 

Moral desta história:

Todos nós temos uma “vaquinha”, que nos dá as coisas básicas para sobreviver, mas que nos obriga a conviver com uma cega rotina.

As vezes precisamos empurrar uma vaquinha para vir as mudanças em nossas vidas.

Identifique a sua “vaquinha”.



Veja mais Mensagens: História da Vaquinha » Mensagem do Dia http://mensagemdodia.com/historia-da-vaquinha/#ixzz5KHgBuFwA

 

 

vache a lunette  G.jpg

 vache à lunettes

Anne HUDRY

 

aquilo que se vê


Cecília

17
Ago17

 

 

fecho os olhos. vejo luzes de cidades distantes. a noite

distante. vejo o brilho de um sonho tão impossível.

 

a escuridão é absoluta. a escuridão é infinita.

todos os cegos sabem que a escuridão é a morte.

 

fecho os olhos. vejo aquilo que se vê com os

olhos fechados.

 

 

José Luís Peixoto in OLHOS FECHADOS  - A Casa, a Escuridão (2002)

Quetzal Editores (2014)