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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

de ser como se é

Aquela cara de feições enormes, de gigante triste, volta-se de vez em quando para a multidão dos visitantes que estão para lá do vidro, a menos de um metro de distância; um lento olhar carregado de desolação de ser como se é, único exemplar no mundo de uma forma não escolhida, não amada, todo o cansaço de se carregar sobre os ombros a sua própria singularidade, todo o desgosto de ocupar o espaço e o tempo com a sua própria presença, tão embaraçante e tão vistosa.

 

 

 

Italo Calvino  - Palomar (1983)

Planeta DeAgostini (2001)

 

 

 

 

 

 

mundo é nós

Eram francamente opostos. Antagonizavam-se com honestidade e reconheciam isso no modo como se observavam de soslaio. 

 

 

Valter Hugo Mãe – Homens imprudentemente poéticos

Porto Editora (2016)

 

 

 

 

Nós Somos o Mundo


Dizem que o mundo está acabando
Não está acabando, não, a gente só peca se quiser
A gente é que está destruindo o mundo
Mas se nos unirmos, também podemos construí-lo

Minha gente, do jeito que o mundo está hoje em dia
Não pensem que a sorte está sempre do vosso lado
Gozem, gozem, gozem a vida
Mas andem sempre, sempre com cuidado
Gozem, gozem, gozem a vida
Mas andem sempre, sempre com cuidado

Uuu ia ia, ia ia ia ia ia oh ia

Minha gente, a amizade está mudando
Hoje te querem bem, amanhã já nem te conhecem
A amizade de hoje só vale se tens algo a dar às pessoas
Se não tens, já sabes que elas vão te passar pra trás

Acham que Deus deixou o mundo de lado
Mas somos nós que fazemos nosso mundo
Se pensarmos direito, bem lá no fundo
A gente é que está em dívida com Ele

ulissescoroa

 

aquilo que se vê

 

 

fecho os olhos. vejo luzes de cidades distantes. a noite

distante. vejo o brilho de um sonho tão impossível.

 

a escuridão é absoluta. a escuridão é infinita.

todos os cegos sabem que a escuridão é a morte.

 

fecho os olhos. vejo aquilo que se vê com os

olhos fechados.

 

 

José Luís Peixoto in OLHOS FECHADOS  - A Casa, a Escuridão (2002)

Quetzal Editores (2014)

 

 

para te ver e para não chorar

 

 a tua ausência é, em cada momento, a tua ausência.

não esqueço que os teus lábios existem longe de mim.

aqui há casas vazias. há cidades desertas. há lugares.

 

mas eu lembro que o tempo é outra coisa, e tenho

tanta pena de perder um instante dos teus cabelos.

 

aqui não há palavras. há a tua ausência. há o medo sem os

teus lábios, sem os teus cabelos. fecho os olhos para te ver

e para não chorar

 

 

José Luís Peixoto  - A Casa, a Escuridão (2002)

Quetzal Editores (2014)

 

dentro

Os seus olhos! Cecília tinha os olhos dentro da barriga! Quando entrei, os olhos estavam lá a ver-me! Eram enormes e estavam a sorrir para mim! (...) «Mas para que lhe servem aqui dentro, no escuro? Nunca poderá ver o que se passa lá fora».

«Todos olham para fora - falou a baleia Cecília. - Mas poucos são capazes de ver onde está mais escuro, dentro de nós.»

 

Daniela Palumbo - A Baleia Cecília (La Balena Cecilia , 1999)

Inst. Miss. Filhas de São Paulo (Agosto 2008)

 

 

 

o nariz há um ano: 

http://narizdecera.blogs.sapo.pt/bmv-4743

http://narizdecera.blogs.sapo.pt/gold-sucks-man-4998

http://narizdecera.blogs.sapo.pt/antonios-4595

http://narizdecera.blogs.sapo.pt/i-am-a-woman-above-everything-else-5141