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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

22 Out, 2019

tempo

  Põe o tempo o cuidado que ignora o ouvido e que o livro não dá. É dele este silêncio, este saber, este ouvir e calar. (...) É dele o pouco a pouco, o aproximado, o justo.  (...) É doce e grande  o tempo. (...) Põe o tempo o cuidado. Mas não põe as estrelas.   Perde o olhar o brilho. Mas o mar não se perde.        António Ramos Rosa in Antecipação à Velhice - Obra Poética I Assírio & Alvim (2018)        
08 Abr, 2019

tempo da cura

e eu de olhos fechados e nuca apoiada na parede a rezar uma Avé Maria que tinha obrigação de pôr as coisas em ordem e não punha      António Lobo Antunes – A Última Porta Antes da Noite (2018) Publicações Dom Quixote (2018)          
Dou-te um nome de água para que cresças no silêncio.   Invento a alegria da terra que habito porque nela moro.   Invento do meu nada esta pergunta. (Nesta hora, aqui.)   (...)   Amor, eu sei que vives num breve país.   Os olhos imagino e o beijo na cintura, ó tão delgada.   Se é milagre existires, teus pés nas minhas palmas.  Ó maravilha, existo  no mundo dos teus olhos.   Ó vida perfumada cantando devagar.   Enleio-me na clara dança do teu (...)
01 Mar, 2019

???

Não sei se isto é amor. Procuro o teu olhar, Se alguma dor me fere, em busca de um abrigo; E apesar disso, crê! nunca pensei num lar Onde fosses feliz, e eu feliz contigo. Por ti nunca chorei nenhum ideal desfeito. E nunca te escrevi nenhuns versos românticos. Nem depois de acordar te procurei no leito Como a esposa sensual do Cântico dos Cânticos. Se é amar-te não sei. Não sei se te idealizo A tua cor sadia, o teu sorriso terno... Mas sinto-me sorrir de ver esse sorriso Que me (...)
30 Jan, 2019

sem

  Aqui esperavam-nos o comboio e a escolta para a viagem. Aqui recebemos as primeiras pancadas: e o facto foi tão novo e insensato que não sentimos dor, nem no corpo nem na alma. Só um profundo espanto: como se pode bater num homem sem raiva?     Primo Levi – Se Isto É Um Homem (1947) Coleção Mil Folhas PÚBLICO (2002)     Scène du massacre des innocent - 1824 Léon Cogniet    
02 Out, 2018

janela

  Um país precisa de uma janela por onde se possa olhar     Jorge Sousa Braga - Janela do Convento de Cristo em Tomar     in O Poeta Nu [poesia reunida] Assírio & Alvim (abril 2014)       crédito foto:https://www.flickr.com/photos/mhelenaconceicao/10419487436