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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

sóbria fusão

Cecília, 16.07.20

Sóbrio o teu corpo me pede 

penetração: nomes puros:

os de boca, braços, mãos

sobre a terra e sobre os muros.

 

Sóbrio o teu corpo me pede

nomes justos, nomes duros:

os de terra, fogo e punhos,

claros, acres, escuros. 

 

António Ramos Rosa in ANIMAL OLHAR - Obra Poética I

Assírio & Alvim (2018)

 

 

saber receber

Cecília, 02.07.20

Meus olhos não fabricam

a realidade [...]

Meus olhos não fabricam mas encontram. 

A terra que se enche já vem cheia 

[...]

Os homens dançam por vezes.

Este momento é teu. 

 

António Ramos Rosa in ANIMAL OLHAR  - Obra Poética I

Assírio & Alvim (2018)

 

 

a maneira

Cecília, 07.05.20

a maneira como as pessoas vivem quando julgam que não olham para elas sempre me surpreendeu, tudo aquilo que se esconde à vista 

 

António Lobo Antunes – A Última Porta Antes da Noite (2018)

Publicações Dom Quixote (2018)

 

 

lembram-se sempre

Cecília, 16.04.20

uma gabardina antiga que pouco depois de casado já não me servia e a minha mulher guardava porque a tinha vestida na primeira vez que a vi, lembram-se sempre do que nós já esquecemos e censuram-nos por isso, nem sequer com palavras, basta um olhar 

 

António Lobo Antunes – A Última Porta Antes da Noite (2018)

Publicações Dom Quixote (2018)

 

 

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olhar para as coisas como elas são

Cecília, 15.04.20

Não havia volta a dar (...) Há coisas que não param depois de terem sido postas em movimento (...) 

Às vezes é preciso que os anos passem para que uma pessoa consiga olhar para as coisas como elas são. E assim de uma maneira geral as coisas não são o que queríamos.

Mas isso tu já sabes. 

 

Hugo Mezena – Gente Séria (2017)

Planeta Manuscrito (2018)

 

 

 

 

alterações (eco)comportamentais

Cecília, 29.10.19

Abro os olhos

e a terra é verde.

 

Enlaço troncos

e o mundo é meu. 

 

 

António Ramos Rosa in SEIS POEMAS DA TERRA - Obra Poética I

Assírio & Alvim (2018)

 

 

 

tempo

Cecília, 22.10.19

 

Põe o tempo o cuidado

que ignora o ouvido

e que o livro não dá.

É dele este silêncio,

este saber,

este ouvir e calar.

(...)

É dele o pouco a pouco,

o aproximado,

o justo. 

(...)

É doce e grande 

o tempo.

(...)

Põe o tempo o cuidado.

Mas não põe as estrelas.

 

Perde o olhar o brilho.

Mas o mar não se perde. 

 

 

 

António Ramos Rosa in Antecipação à Velhice - Obra Poética I

Assírio & Alvim (2018)