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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

a medida


Cecília

08
Set19

(...)

em nome do sofrimento e da felicidade

em nome dos animais e dos utensílios criadores

em nome de todas as vidas sacrificadas

em nome dos sonhos 

em nome das colheitas em nome das raízes 

em nome dos países em nome das crianças 

em nome da paz

que a vida vale a pena que ela é a nossa medida

que a vida é uma vitória que se constrói todos os dias 

(...)

 

António Ramos Rosa in O BOI DA PACIÊNCIA

 

António Ramos Rosa - Obra Poética I 

Assírio & Alvim (2018)

 

 

 

amor, eu sei que vives


Cecília

07
Mar19

Dou-te um nome de água

para que cresças no silêncio.

 

Invento a alegria

da terra que habito

porque nela moro.

 

Invento do meu nada

esta pergunta.

(Nesta hora, aqui.)

 

(...)

 

Amor, eu sei que vives

num breve país.

 

Os olhos imagino

e o beijo na cintura,

ó tão delgada.

 

Se é milagre existires,

teus pés nas minhas palmas. 

Ó maravilha, existo 

no mundo dos teus olhos.

 

Ó vida perfumada

cantando devagar.

 

Enleio-me na clara

dança do teu andar.

 

Por uma água tão pura

vale a pena viver.

 

Um teu joelho diz-me

a indizível paz.

 

António Ramos Rosa in Teu Corpo Principia

 

António Ramos Rosa - Obra Poética I 

Assírio & Alvim (2018)

 

 

 

 

rolou, rolará


Cecília

21
Fev19

unânime sabor enorme das folhas que nas mãos

se enrolam frescas

somos quase a água de um segredo

 

como se nascêssemos

com os punhos rolados no mar

o solo até à boca

os ossos vivos no abraço 

 

In Perto do Mar

 

 

António Ramos Rosa - Obra Poética I 

Assírio & Alvim (2018)

 

 

 

 

na distância


Cecília

18
Fev19

Todos te viram ninguém te viu e foi então que vi

eras tu não eras tu jamais e eras tu

e sem nome na tua boca sem tua boca

eu vivi na distância inerte e nu 

 

António Ramos Rosa - Obra Poética I 

Assírio & Alvim (2018)

 

 

 

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Cecília

01
Jan19

A tua marcha lenta enerva-me e satura-me

As constelações são mais rápidas nos céus 

a terra gira com um ritmo mais verde que o teu passo

Lá fora os homens caminham realmente

Há tanta coisa que eu ignoro

e é tão irremediável este tempo perdido

Ó boi da paciência sê meu amigo!

 

António Ramos Rosa - Obra Poética I 

Assírio & Alvim (2018)