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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

24.04.19

cuspir como Deus


Cecília

Kuhn é um insensato. Não vê, na cama ao lado, Beppo, o grego, que tem vinte anos, e que depois de amanhã irá para o gás; e que, sabendo-o, fica deitado olhando fixamente a lâmpada sem dizer nada e sem pensar em mais nada? Não sabe Kuhn que a próxima será a sua vez? Não percebe Kuhn que hoje aconteceu uma coisa abominável que nenhuma oração propiciatória, nenhum perdão, nenhuma expiação dos culpados, nada, em suma, que esteja em poder do homem fazer, poderá nunca mais cancelar?

Se eu fosse Deus, cuspiria para o chão a oração de Kuhn. 

 

Primo Levi – Se Isto É Um Homem (1947)
Coleção Mil Folhas PÚBLICO (2002)

 

 

 

15.05.18

aprende a esperar


Cecília

Aprende a esperar, pois ninguém conhece o futuro, e é mais do que certo que não o conseguirás submeter à tua vontade. 

 

 

George Sand – Diário Íntimo

Antígona (2004)

 

 

 

 

08.03.18

escritores


Cecília

Como si el reconocimiento consistiera en que lo comprendieran a uno. Nadie entiende nunca a nadie, y desde luego nadie entiende a los escritores. Van errabundos por reinos de emociones cojas y, la mayoría de las veces, no se entienden a sí mismos. 

 

 

David Foenkinos - La biblioteca de los libros rechazados (2016)
Titulo original: Le Mystère Henri Pick
Traducción de María Teresa Gallego Urrutia y Amaya García Gallego
Penguin Random House Grupo Editorial S.A.U. (febrero, 2017)

 

 

Amish Letter Writer

Horace Pippin

 

17.05.17

marear


Cecília

Resta-nos ser mareantes e marear (...) Em «nós»

 

Maria Gabriela Llansol - O Começo de Um Livro É Precioso
Assírio & Alvim (outubro 2003)

 

 

 

Somos a fachada de uma coisa morta
E a vida como que a bater à nossa porta

Quando formos velhos
Se um dia formos velhos
Quem irá querer saber quem tinha razão
De olhos na falésia
Espera pelo vento
Ele dá-te a direcção


Ninguém é quem queria ser
Eu queria ser ninguém


A idade é oca e não pode ser motivo
Estás a ver o mundo feito um velho arquivo

Eu caminho e canto pela estrada fora
E o que era mentira pode ser verdade agora
Se o cifrão sustenta a química da vida
Porque tens ainda medo de morrer
Faltará dinheiro
Faltará cultura
Faltará procura dentro do teu ser


Ninguém é quem queria ser
Eu queria ser ninguém

 

Diz-me se ainda esperas encontrar o sentido
Mesmo sendo avesso a vê-lo em ti vestido
Não tens de olhar sem gosto
Nem de gostar sem ver

Ninguém é quem queria ser
Ninguém é quem queria ser
Eu queria ser ninguém

 

 Manuel Cruz - Ninguém É Quem Queria Ser

 

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