Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Nariz de cera

13
Set22

the queen is dead, salute the entire truth

Cecília

From Kenya and Nigeria to South Africa and Uganda, Queen Elizabeth's death met with an outpouring of official condolences, mourning and memories of her frequent visits to Africa during her seven decades on the throne.

 

But the British monarch's passing also revived a sensitive debate over Africa's colonial past.

[...]

many Africans reflected more on the tragedies from colonial times, including events that occurred in the first decade of her rule.

Kenya gained independence from Britain in 1963, after an eight-year-long rebellion that left at least 10,000 people dead.

Britain agreed in 2013 to compensate over 5,000 Kenyans who had suffered abuse during the Mau Mau revolt, in a deal worth nearly 20 million pounds ($23 million).


"The Queen leaves a mixed legacy of the brutal suppression of Kenyans in their own country and mutually beneficial relations," The Daily Nation, Kenya's biggest newspaper, wrote in a weekend editorial.

Elizabeth was visiting Kenya in 1952 when her father died and she became queen.

"What followed was a bloody chapter in Kenya’s history, with atrocities committed against a people whose only sin was to demand independence."

"While the ties with Britain have been useful, it is difficult to forget those atrocities."

[...]

As part of recent restorations for the past, Nigeria and neighbouring Benin have seen the return from Britain and France of the first of thousands of artefacts plundered during colonial times.

Nigeria's so-called Benin Bronzes -- 16th to 18th century metal plaques and sculptures -- were looted from the palace of the ancient Benin Kingdom and ended up in museums across the US and Europe.


Nigeria's Buhari said the country's history "will never be complete without a chapter on Queen Elizabeth II".

While some praised her role leading up to Nigeria's independence, others pointed out she was head of state when Britain supported Nigerian army during the country's civil war.

More than one million people died between 1967-1970, mostly from starvation and disease, during the conflict after ethnic Igbo officers declared independence in the southeast.

"If anyone expects me to express anything but disdain for the monarch who supervised a government sponsored genocide...you can keep wishing upon a star," Nigerian-born US-based professor Uju Anya said, in a Twitter reference to the Biafra war that triggered fierce debate on social media.

Similar mixed reactions were expressed in South Africa, where President Cyril Ramaphosa called her an "extraordinary" figure.

But the opposition Economic Freedom Fighters or EFF movement was more dismissive, recalling decades of apartheid, in which Britain, the former coloniser, was often passive.

"We do not mourn the death of Elizabeth, because to us her death is a reminder of a very tragic period in this country and Africa's history," EFF said in a statement.

 

https://www.france24.com/en/live-news/20220912-queen-s-death-ignites-debate-over-africa-s-colonial-past

FcM_EgfWYAEL3h3.jpg

nocooments.png

 

  

21
Abr22

saudades das vibes

Cecília

Imagine que é convidado a responder à seguinte pergunta: «Em que medida considera que as pessoas negras e as pessoas brancas em Portugal são muito diferentes, diferentes, semelhantes ou muito semelhantes no que se refere aos valores que ensinam aos filhos?» Imagine que seguidamente teria de responder à mesma questão, agora relativamente ao grau de preocupação que brancos e negros têm com o bem-estar das famílias, a religião, a educação das crianças, os comportamentos sexuais, etc. Esta questão foi objeto de estudo numa pesquisa, já citada, realizada nos anos 90, no quadro do Eurobarómetro. Os resultados mostraram que, quanto mais os respondentes acentuavam as diferenças culturais entre os cidadãos dos países inquiridos e os imigrantes de países não-europeus, considerando-os culturalmente muito diferentes, mais manifestavam racismo biológico e mais consideravam que os imigrantes - por exemplo, pessoas negras no caso de Portugal - eram incapazes de se adaptar à sociedade de acolhimento [...] à primeira vista acentuar ou exagerar as diferenças culturais não pareceria estar relacionado com racismo tradicional e discriminação. Contudo, os resultados são claros e têm mostrado consistência ao longo de 30 anos de pesquisa. A preocupação de Lévi-Strauss tinha razão de ser: a associação subtil entre diferença e inferioridade é prova disso.

 

Jorge Vala  – Racismo, Hoje, Portugal em Contexto Europeu (2021)

Fundação Francisco Manuel dos Santos, Jorge Vala (2021)

 

 

21
Fev22

vergonhas [não tão] alheias I

Cecília

Uma pesquisa ilustra bem a resistência dos estereótipos à evidência e, das diferentes situações que envolvia, salientamos duas: uns participantes eram confrontados com fotografias de um grupo de pessoas negras, bem vestidas, descritas num pequeno texto como tendo obtido sucesso na vida; outros participantes eram confrontados com fotografias das mesmas pessoas negras, mas agora vestidas de forma simples e descritas como tendo fracassado na vida. Era pedido aos participantes que avaliassem a cor dos membros de cada um dos grupos, num contínuo de mais negro a mais branco. Os resultados foram claros: as pessoas que apareciam bem vestidas nas fotografias e no cenário de sucesso foram percebidas como mais brancas do que as vestidas de forma simples. Das diferenças de sucesso os participantes inferiram diferenças de cor. Ao que parece, quando a realidade não confirma o estereótipo, mudamos a (perceção da) realidade para manter o estereótipo. 

 

Jorge Vala  – Racismo, Hoje, Portugal em Contexto Europeu (2021)

Fundação Francisco Manuel dos Santos, Jorge Vala (2021)

 

 

18
Fev22

anything you wish me, that be your portion

Cecília

Ele assusta-se, de certo modo. Não gosta que lhe falem disso, de certas coisas. Diz que falaram daquilo que não conheciam. Ela não tem a certeza. Diz:

- Engana-se, talvez não seja verdade. Conhecemos tudo de certa maneira, tudo e todos, quero eu dizer. Repare na morte, como a conhecemos bem.

 

Marguerite Duras – Olhos Azuis, Cabelo Preto (1986)

Colecção Mil Folhas / Bibliotex SL / M.E.D.I.A.S.A.T. e Promoway Portugal Ltda (2002)

 

 

18
Fev22

Africa [minha]

Cecília

As coisas importantes levam tempo a voltar aos sonhos.

 

 

Marguerite Duras – Olhos Azuis, Cabelo Preto (1986)

Colecção Mil Folhas / Bibliotex SL / M.E.D.I.A.S.A.T. e Promoway Portugal Ltda (2002)

 

 

16
Fev22

how can I

Cecília

Deixar-me-ei cair na margem do rio e ficarei a ver os peixes deslizar por entre as canas. As palmas das minhas mãos ficarão cheias de marcas provocadas pelas agulhas dos pinheiros. Lá conseguirei tirar de dentro de mim aquilo que aqui foi construído; qualquer coisa dura. 

 

Virginia Woolf – As Ondas (1931)

Colecção Mil Folhas / Bibliotex SL / M.E.D.I.A.S.A.T. e Promoway Portugal Ltda (2002)

 

 

27
Abr21

coração com estética

Cecília

 

«Visto-me assim, diferente e colorido, porque me sinto bem. No entanto, nunca me preocupei com a moda. Preocupo-me sim, com a estética.»

 

 

Manuela Gonzaga – António Variações, Entre Braga e Nova Iorque (2018)
Manuela Gonzaga e Bertrand Editora (2018) 

 

 

26
Abr21

lutas (citadinas)

Cecília

À época, o problema habitacional na Holanda assumira proporções de crise, com a incapacidade de resposta por parte da construção civil para resolver o alojamento dos retornados holandeses do Suriname - independente a partir de 1975 - e dos trabalhadores estrangeiros que, ao fim de alguns anos no país obtiveram autorização para mandar vir os seus familiares. Assim, a luta dos krakers teve, desde o início, a simpatia geral dos holandeses, muito embora nem sempre os seus métodos tivessem sido unanimemente apoiados...

Quando foram anunciados planos para demolir a maior parte das casas do bairro de Nieuwmarkt, a fim de se expandir a linha de metropolitano, explodiu uma contestação violenta por parte dos krakers secundados por residentes locais. Associados a outros movimentos, como os provos, os seus porta-vozes ameaçaram lançar LSD nas condutas de abastecimento público de água. E dado que estavam a desenrolar-se os preparativos para a boda da princesa herdeira Beatriz com o príncipe Claus von Amsberg, antigo diplomata alemão, ameaçaram também vir a boicotar os festejos do casamento, soltando ratinhos nas ruas à passagem do cortejo nupcial. Os jovens contestatários do mundo inteiro riram a bandeiras despregadas a imaginar cavalos à desfilada a atirar os ilustres ocupantes das carruagens, príncipes, princesas, presidentes da república, para os canais, perante uma população involuntariamente alucinada por via da água pública. Por fim, a cidade acabou por contemporizar com os movimentos radicais. Não houve ratinhos no casamento de Beatriz e Claus, nem alucinogénios na água canalizada. Os velhos edifícios salvaram-se, e o traçado do metropolitano foi alterado, muito embora a linha Stopera (da Câmara à Opera) tivesse sido construída 1

 

1 Os krakers vieram a conseguir apoio no próprio Parlamento, e por volta de 1980 foi implantada uma nova política de arrendamento. Amesterdão não tem casas desocupadas nem degradadas. 

 

Manuela Gonzaga – António Variações, Entre Braga e Nova Iorque (2018)
Manuela Gonzaga e Bertrand Editora (2018) 

 

 

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Links

  •  
  • Arquivo

    1. 2022
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2021
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2020
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2019
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2018
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2017
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2016
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    Em destaque no SAPO Blogs
    pub