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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

cor chinesa

Façamos aqui um pequeno parêntesis para explicar um dos problemas capitais da criação humana, isto é: o aparecimento de diversos tipos de indivíduos com cores estranhas. (Não nos referimos, evidentemente, à cor política, mas à coloração da própria pele) [...] Outra teoria pretende que o fenómeno tem diversa explicação. Assim, atribue a invenção dos peles-vermelhas, não a Deus - como pode parecer óbvio - mas ao Sr. Cecil B. de Mille e outros produtores de filmes com índios em tecnicolor. Os negros, (segundo a mesma teoria), foram descobertos por um empresário americano de divertimentos públicos, pois todos conhecem essas interessantes festazinhas do folclore estadunidense onde um negro sempre faz o papel do actor principal exibindo-se pendurado numa árvore, regado com gasolina e ardendo. 

Só o aparecimento da raça amarela é que não tem explicação. Os chineses vieram ao mundo há coisa apenas de alguns anos, e logo 600 milhões duma assentada. Ninguém sabe porque foram criados, pois só têm trazido dores de cabeça aos delegados ocidentais da ONU 

 

 

 

Vilhena – História Universal da Pulhice Humana (1960/1961/1965)
Edição Completa, Integral e Nunca Censurada dos Três Volumes Originais Pré-História / O Egipto / Os Judeus

Herdeiros de José Vilhena / SPA 2015, E-Primatur (2016)

 

 

 

 

 

 

 

 

portugal fica para depois e os portugueses também

 

Foste de verdade, não de feito, a voz de Portugal. 

(...)

A Portugal, a voz vem-lhe sempre depois da idade 

e tu quiseste acertar-lhe a voz com a idade

e aqui erraste tu,

não a tua voz de Portugal

não a idade que já era hoje. 

(...)

Tu levaste empunhada no teu sonho a bandeira de Portugal

vertical

sem pender pra nenhum lado 

o que não é dado pra portugueses.

Ninguém viu em ti, Fernando,

senão a pessoa que leva uma bandeira

e sem a justificação de ter havido festa. 

Nesta nossa querida terra onde ninguém a ninguém admira

e todos a determinados idolatram.

Foi substituído Portugal pelo nacionalismo 

que é maneira de acabar com partidos 

e de ficar talvez o partido de Portugal

mas não ainda apenas Portugal!

Portugal fica para depois

e os portugueses também 

como tu. 

 

José de Almada Negreiros, ODE A FERNANDO PESSOA
Poemas Escolhidos José de Almada Negreiros - Assírio & Alvim | Porto Editora 2016

 

 

5 de outubro de 1910

" Mas, depois que vi e examinei essa proposta, reconheci com pasmo que ela de nada serviria a bem da Nação, nem contra os tais famosos costumes de administração.

As consequências desses costumes, que o Sr. Ministro não quis denunciar-nos como devia, são no entanto bem frisantes e dolorosas, e definem-se em duas palavras: uma dívida pública de perto de 800.000.000$000 réis; uma dívida flutuante que vai até 72.000.000$000 réis; impostos que têm sempre aumentado, até quase quintuplicarem, de 1852 para cá; e, por outro lado, o País sem instrução, nem exército, nem defesa das costas, e fronteiras, nem marinha, nem, auxílio aos operários, nem nada do que se pede e precisa, porque nem sequer temos estradas, já que as existentes, que nos custaram dezenas de milhares de contos de réis, destruiu-as a triste iniciativa e casmurrice do Sr. João Franco num dos seus Ministérios anteriores, não consentindo nas reparações necessárias, e inutilizando assim um importante capital nacional que, pelo contrário, era mister valorizar e aumentar.

Nós não temos absolutamente nada.

Os costumes de administração foi o que deram: o País à beira da ruína; o desgraçado consumidor a braços com o imposto de consumo, que o leva à tuberculose e à miséria; o contribuinte cada dia mais incapacitado de panar as contribuições sempre crescentes; o proprietário disposto a abandonar as suas terras; o viticultor impossibilitado cie colocar os seis vinhos.

Sr. Presidente: é a situação mais ruinosa e mais miseranda que se pode encontrar percorrendo a história, ainda mesmo dos povos que mais têm descido na sua economia e nas suas finanças.

(...)

Que espécie de contas são essas, que é preciso tanto tempo para as liquidar, e são precisos créditos especiais para as regularizar e encerrar?

A quem respeitam essas contas? Quando foram abertas? Que conhecimento se deu delas à Câmara? Onde está o relatório do Sr. Ministro da Fazenda explicando que contas são essas? Que enigma ouguet apens é este, armado à ingenuidade da Câmara, ou à desejada cumplicidade de uma parte dela, para lhe arrancar o voto de aprovação, que constituirá o encobrimento de crimes, por isso que se dará poderes para, pelos créditos autorizados, se desviar dinheiro da sua legal aplicação

(...)

E por isso insisto em perguntar:

Para quem foram esses dinheiros? Quem autorizou essas despesas ilegais? Por que razão são precisos créditos especiais para o encerramento das respectivas operações?"

 

Discurso de Afonso Costa, deputado republicano, na Câmara dos Deputados

em 20 de Novembro de 1906.

 

 

 

Afonso Costa, ainda hoje, é o único presidente do Governo e ministro das Finanças português que, em contexto democrático, obteve dois superavites 1912-13 e 1913-14

 

(cf. Nuno Valério - Os Orçamentos no Parlamento Português, 2001) 

 

in https://www.publico.pt/politica/noticia/afonso-costa-e-o-revisionismo-em-historia-1701826

 

 

 

 

 

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