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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

com a falsidade nos entendemos

Perguntará o avisado leitor como é que esse documento foi escrito se, nesse tempo, a arte de escrever era desconhecida. Pergunta acertada, sim senhor! Nós poderíamos responder que a letra do fado tinha chegado até nós por tradição oral, ou por um pré-histórico e hoje desconhecido sistema gráfico. Podíamos, mas não o fazemos. Não senhores. Confessamos lealmente que este documento é falso. Foi forjado por nós. E porque não, se vivemos numa época em que tudo é falso, desde o sorriso das mulheres às notícias nos jornais? Porque não havemos também de mentir se mentem os propagandistas, os locutores, os políticos, os comerciantes e os titulares? Porque não havemos de enganar, adulterar a verdade e ludibriar o leitor se a humanidade é uma imensa e pavorosa burla? Sim, porque haveríamos de ser nós os únicos a ser verdadeiros, probos e honestos? Expliquem-nos porquê. 

 

 

Vilhena – História Universal da Pulhice Humana (1960/1961/1965)
Edição Completa, Integral e Nunca Censurada dos Três Volumes Originais Pré-História / O Egipto / Os Judeus

Herdeiros de José Vilhena / SPA 2015, E-Primatur (2016)

 

 

 

 

 

 

ritual da bicha-solitária

O problema com os homens que dançam ou passam o tempo nos bares é que a sua percepção é semelhante à da bicha-solitária.

- Porque dizes isso?

- Estão presos no ritual.

- Que ritual?

- O ritual da energia mal direccionada. 

 

 

Charles Bukowski in A Dança Do Cão Branco - Música para Água Ardente (1983)

Antígona (2015)

 

 

 

compreender a teoria

- Eu diria que a Nancy te deixou por causa de outro homem. Preto, branco, vermelho ou amarelo. Toma nota desta regra e estarás sempre protegido: uma mulher raramente deixa uma vítima sem ter outra à mão. 

- Meu - disse Paul -, eu preciso de ajuda, não de teoria. 

- A menos que compreendas a teoria, vais precisar sempre de ajuda...

 

 

Charles Bukowski in Harry Ann Landers - Música para Água Ardente (1983)

Antígona (2015)

 

 

 

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tom humano

Já notei que a maior parte dos homens se sente açulada e indignada quando, em pleno combate moral, recorremos à ternura e ao afecto. É vê-los feras amansadas e apanhadas de surpresa assim que recorremos à violência ou à dureza (...) Realidade estranha e deplorável, pois, em muitos casos, é igualmente aplicável à amizade (...) Quando não é refreado nem reprimido, o homem aproveita imediatamente para cometer abusos. Despreza quem o receia e maltrata quem o ama; receia quem o despreza e ama quem o maltrata. 

 

George Sand – Diário Íntimo

Antígona (2004)

 

 

 

revolução e flores

O que os homens e as mulheres fazem uns aos outros está para além da compreensão. 

 

Charles Bukowski in Bebedeira De Longa Distância - Música para Água Ardente (1983)

Antígona (2015)

 

 

 

 

 

 

mulher de alma forte

aprende então a ciência da vida, e quando te meteres a romancear, esforça-te por conhecer um pouco melhor o coração humano. Nunca tenhas por ideal uma mulher de alma forte, desinteressada, corajosa e casta. O público apupá-la-ia e saudá-la-ia pelo odioso nome de Lélia, a impotente. 

Impotente! Sim, arre!,impotente perante a adulação, impotente perante a vilania, impotente perante o medo que te tem (...) Mas, quando encontras uma fêmea que consegue passar sem ti, a tua vã virilidade transforma-se em exaltada paixão, e a tua exaltada paixão é repreendida com um sorriso, um adeus, um esquecimento eterno. 

 

George Sand – Diário Íntimo

Antígona (2004)

 

 

 

 

seduções

Alguns dos seus versos, se tomados em separado, pareciam ter força, mas quando eram considerados no seu todo, percebia-se que o Victor não estava a dizer nada (...) No entanto, a Vicki (...) como a maior parte das mulheres, facilmente se deixava seduzir por tolos

 

 

Charles Bukowski in Sujo Sofrimento - Música para Água Ardente (1983)

Antígona (2015)

 

 

 

inseguranças indiferentes

Apagaram-se as luzes. Ninguém conseguia dormir, mas todos tentaram. Eu nem me dei a esse trabalho. Eu estava sentado junto à janela e fiquei a olhar para a asa e para as luzes em baixo. Estava tudo organizado em belas linhas rectas. Ninhos de formigas. 

Deslizámos até ao aeroporto internacional de L.A. Ann, amo-te. Espero que o meu carro arranque. Espero que o lava-louça não esteja entupido. Estou contente por não ter fodido com uma groupie. Estou contente por não ser muito bom a meter-me na cama com mulheres estranhas. Estou contente por ser um idiota. Estou contente por não saber nada. Estou contente por não ter sido assassinado. Quando olho para as minhas mãos e vejo que ainda estão agarradas aos meus pulsos, digo a mim próprio: Tenho sorte. 

Desço do avião arrastando o sobretudo do meu pai e a mala dos poemas. A Ann veio ter comigo. Vi a cara dela e pensei, merda, eu amo-a. O que é que vou fazer? O melhor que podia fazer era mostrar-me indiferente e depois seguir com ela para o parque de estacionamento. Nunca devemos deixar que saibam que gostamos delas, senão, matam-nos. 

 

Charles Bukowski in Para Dentro E Para Fora E Por Cima - Música para Água Ardente (1983)

Antígona (2015)

 

 

 

 

simpatia

Era Francine. Francine gostava de o impressionar. Francine gostava de pensar que o impressionava. Mas ela era um horror de tédio. Leslie pensava muitas vezes que era simpático da sua parte deixá-la aborrecê-lo como ela o aborrecia. Um tipo normal desligar-lhe-ia o telefone na cara como se fosse uma guilhotina. 

 

 

Charles Bukowski in Noite Fria - Música para Água Ardente (1983)

Antígona (2015)

 

 

 

a hipótese

O meu meio de transporte era um Comet de 62. A jovem da casa em frente sentia-se muitíssimo ofendida com o meu carro velho. Tinha de estacionar em frente à casa dela porque era uma das poucas zonas planas do bairro e o meu carro não arrancava em subidas. Mal pegava em terreno plano, pelo que eu ficava ali sentado, a bombar o acelerador e a carregar na ignição, e o som era nojento e contínuo. A mulher começava a gritar como se estivesse a enlouquecer. Era uma das poucas vezes em que eu sentia vergonha de ser pobre. Ficava ali sentado, a dar gasadas e a rezar para que o Comet de 62 arrancasse, ao mesmo tempo que tentava ignorar os gritos de raiva que saíam da casa dispendiosa. Bombava e bombava, o carro arrancava, andava alguns metros, e ia-se abaixo outra vez. 

« Tira esse chaço da frente da minha casa ou eu chamo a polícia!» Depois os longos gritos loucos. Por fim, ela saía, de quimono, uma jovem loura, linda, mas ao que parece, completamente louca. Corria até à porta do carro a gritar e um dos seios saltava para fora. Guardava-o e o outro seio saltava para fora. E depois uma perna espreitava pela racha do quimono. «Minha senhora, por favor», dizia-lhe eu, «estou a tentar».

Finalmente, conseguia pôr o carro a andar e ela ficava no meio da rua, com os dois seios de fora, a gritar: «Não voltes a estacionar aqui o carro, nunca mais, nunca mais, nunca mais!» Era em alturas como aquela que eu considerava a hipótese de procurar emprego. 

 

 

Charles Bukowski in Um Par de Gigolôs - Música para Água Ardente (1983)

Antígona (2015)

 

 

 

mar07021.JPG

 fonte imagem: http://www.roadhouserestorables.com/gpage36.html

 

 

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