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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

«Passamos o tempo a criar coisas para não nos mexermos, carros para não termos de andar, controlos remotos para não nos levantarmos do sofá, e depois pagamos um ginásio. Pagamos porque criamos utensílios que nos permitem evitar actividades físicas (...) E é exactamente por isso, devido a essa extrema sedentarização, que nos vemos obrigados a mexer-nos. Para isso, basta pagar por uma coisa que evitamos a todo o custo e pela qual trabalhamos tantas horas diárias durante tantos (...)
Com as portas abertas eu sou o mar que entra.  Mas sem esquecer o sangue, eu escuto e sei e espero.    António Ramos Rosa - Obra Poética I  Assírio & Alvim (2018)      
10 Out, 2019

só com loucos

Perfeitamente desesperado é o meu sonho  Os pássaros insultam-me na cama Só com doidos com doidos amaria  perfeitamente presente na frescura do mar    António Ramos Rosa - Obra Poética I  Assírio & Alvim (2018)        
01 Out, 2019

fala-se

No princípio de janeiro de 1956, vivia-se um dos invernos mais rigorosos de que há memória e quando António Joaquim Rodrigues Ribeiro chegou a Lisboa, a cidade estava debaixo de um temporal. A vaga de frio que submergia toda a Europa, chegara a Portugal com o seu cortejo de aguaceiros, temporais, trovoadas e cheias e enxurradas violentas que fustigaram campos, aldeias, vilas e cidades. As inundações catastróficas, no Porto e em Lisboa, ilustram bem o ímpeto das tempestades, que (...)
08 Set, 2019

a medida

(...) em nome do sofrimento e da felicidade em nome dos animais e dos utensílios criadores em nome de todas as vidas sacrificadas em nome dos sonhos  em nome das colheitas em nome das raízes  em nome dos países em nome das crianças  em nome da paz que a vida vale a pena que ela é a nossa medida que a vida é uma vitória que se constrói todos os dias  (...)   António Ramos Rosa in O BOI DA PACIÊNCIA   António Ramos Rosa - Obra Poética I  Assírio & (...)
30 Jul, 2019

cidade

a cidade é o local [ favorável para  criar os automatismos que conduzem às necessidades     Paulo da Costa Domingos in Lying Figure With Hypodermic Syringe, 1963     Paulo da Costa Domingos – Carmina (1971-1994) Antígona (1995)      
22 Jul, 2019

pedro(a)s

Conheci a maturidade infantil das crianças, mas também não é isso  (...) fartei-me de tentativas.   Desejo antes a ferida sólida que não sara, o enigma, essa coisa que se transporta inteira pelo Universo como o irreprimível grito do sangue no vento avisando o futuro de que não ficámos ilesos à espessa rede do Amor  (...) Aperta-me esse mitigado anel tão alto (...) porque a angústia, doce angor, e a esperança informam o meu sangue do regresso da tua ausência.   (...)
19 Mar, 2019

executar o destino

Se fôssemos capazes de raciocinar, deveríamos resignar-nos a esta evidência, de que o nosso destino é perfeitamente impossível de conhecer, de que qualquer conjectura é arbitrária e perfeitamente carente de qualquer fundamento real. Mas os homens só muito raramente são capazes de raciocinar, quando o que está em jogo é o seu próprio destino; preferem em todos os casos as posições extremas; por isso, conforme os seus caracteres, entre nós uns convenceram-se imediatamente de (...)