Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

ginásio da despreocupação

08.01.21

Eu detestava aquele tipo de agitação, o género de sexo à Los Angeles, Hollywood, Bel Air, Malibu e Laguna Beach. Estranhos quando nos encontrávamos, estranhos quando partíamos - um ginásio de corpos anónimos a masturbarem-se mutuamente. As pessoas sem moral consideravam-se muitas vezes livres, mas sobretudo eram incapazes do mínimo sentimento ou de amor. Por isso eram despreocupadas. Os mortos a foderem os mortos. Não havia nem risos nem humor nos seus jogos - era um cadáver a foder outro cadáver. 

 

Charles Bukowski – Mulheres (1978)
Coleção Mil Folhas PÚBLICO (2003)

 

 

medo

08.12.20

«Dee Dee», disse ele, «daqui a meia hora tenho uma entrevista com o Rod Stewart. Tenho de ir.» Partiu.

Dee Dee pediu outra rodada. «Porque é que não és simpático para as pessoas?»

«Medo», respondi. 

 

Charles Bukowski – Mulheres (1978)
Coleção Mil Folhas PÚBLICO (2003)

 

A MORTE E O AVARENTO (1494)

Hieronymus Bosch 

é complicado

25.11.20

- Podes pedir desculpa a Lorde Colin, Win?

- Essa é a parte complicada. Um homem desculpa-se quando não errou, como gesto educado, e para manter as aparências. Quando errou, a questão torna-se mais complicada. 

Puro disparate masculino. 

- Foi isso que aprendeste em Oxford? 

 

Grace Burrowes – Coração Ardente (2017)

Quinta Essência (2019)

 

 

cadáveres há muitos

24.11.20

Em França, a editora Gallimard publica, em 2015, o romance Le Consul, escrito por um romancista de origem argelina, Salim Bachi, que faz uma análise muito fina da psicologia de Aristides. Salim Bachi, laureado com o prémio Goncourt - primeiro romance, cita São Francisco de Assis, antes do primeiro capítulo: «O homem obediente é como um cadáver que se deixa colocar, sem protestar, onde os outros quiserem.» 

 

António Moncada S. Mendes – Aristides de Sousa Mendes, Memórias de Um Neto
Edições Saída de Emergência e António Moncada S. Mendes  (2017)

 

 

pedreiras celestiais

19.11.20

o meu pai morrera há uns meses na explosão da pedreira, não sobrou muita coisa mas o que sobrou num caixão decente, com o fato do cunhado porque não se chega ao Paraíso de capacete e mangas arregaçadas 

 

António Lobo Antunes – A Última Porta Antes da Noite (2018)

Publicações Dom Quixote (2018)

 

 Derrocada nas pedreiras de Borba - 19 de novembro de 2018

 

justos

18.11.20

Há cerca de 22 mil pessoas no mundo que são reconhecidas como Justos Entre as Nações, mas diplomatas são menos de cem. Atualmente, há quatro portugueses nessa lista: o padre Joaquim Carreira, o embaixador Sampaio Garrido, José Brito Mendes e Aristides de Sousa Mendes. São heróis que devem ser conhecidos e estudados em todas as escolas. Mas há outros Justos estrangeiros que merecem ser conhecidos: o cônsul japonês Sugihara, que também desobedeceu ao seu governo em 1940 e, como Aristides, passou vistos a milhares de refugiados na Lituânia; Giorgio Perlasca, italiano, fez-se passar por diplomata espanhol para "falsificar" documentos, salvando muitos refugiados; Giovanni Roncalli (que veio a ser o Papa João XXIII, em 1958) "falsificou" certificados católicos de batismo para salvar judeus; e Georg Duckwitz, adido na embaixada alemã em Copenhaga, que soube dos planos nazis de deportação para a população judaica dinamarquesa - conseguiu avisar as comunidades e ajudou milhares de pessoas a fugir para a Suécia, salvando-as assim da morte certa [...]

Para salvar inocentes da morte, todos os meios são justos, e nenhum destes homens cometeu crimes ao fazê-lo, contrariamente ao que certos indivíduos extremistas escreveram em Portugal. A medalha dos "Justos" do Yad Vashem tem inscrito: «Quem salva uma vida, salva a humanidade.» Por vezes, a tradução varia, o que origina diferentes versões, mas a ideia é que cada pessoa contém em si todos os elementos do universo, todo o bem e todo o mal e, como está escrito nos livros santos, o «homem é feito à imagem e semelhança de Deus». 

 

António Moncada S. Mendes – Aristides de Sousa Mendes, Memórias de Um Neto
Edições Saída de Emergência e António Moncada S. Mendes  (2017)

 

 

caminhada

11.11.20

Como se seguisse o exemplo do samaritano, a contrariar ordens vindas de homens, Aristides abdicou da carreira, da família, dos amigos e do seu estatuto social, num país que vivia num sistema ditatorial e onde as aparências valiam muito. Preferiu o castigo que se abateu sobre ele e a raiva de certos grupos sociais, que perdura até aos nossos dias neste país. Porém, morreu com a certeza de que a aposta a respeito de Deus tinha sido totalmente ganha. 

Filósofos, pensadores e santos acolheram com grande satisfação a atitude rebelde de Aristides. A Humanidade precisava (e precisa) de gestos desta natureza e dimensão para continuar a sua caminhada. 

 

António Moncada S. Mendes – Aristides de Sousa Mendes, Memórias de Um Neto
Edições Saída de Emergência e António Moncada S. Mendes  (2017)

 

 

felizcidades,felissidades,felis-há-des,...,.(II)

02.11.20

 

Criminalizar quem faz a travessia é a punição. Na Europa em 2020, culpabilizamos quem é refugiado e esta é a maneira como o fazemos.

Esta também é uma mensagem que é intencionalmente passada para que mais pessoas não venham, para que passem a mensagem e a ideia de que as condições são tão más que ninguém queira vir. Há pessoas a suicidar-se no campo diariamante.

Se as sujeitarmos a condições que as façam prefir morrer nas bombas da Síria, pelos talibã no Afeganistão ou na travessia, se as desumanizarmos ao ponto de quererem morrer, certamente que os contactos que têm na Turquia ou nos países de origem serão persuadidos a não vir – é uma tática consciente e política.

 

in https://www.sapo.pt/noticias/atualidade/artigos/entre-a-pandemia-e-a-crise-humanitaria-medica-portuguesa-em-lesbos-relata-desumanizacao-e-avisa-isto-esta-a-ser-feito-com-o-consentimento-de-todos

 

(covid, oms, gds, ordem dos médicos, app) entretanto, no mundo...

21.10.20

Petition for President Buhari to be charged before the ICC for crimes against humanity.

fotong.png

Soldiers shot at Nigerians protesting against police brutality, Amnesty International says

 

Quisiera de mi mente se borrara

aquello que pasado no se olvida:

El odio del hombre que por vida

con sangre de inocentes se gozara. 

[...]

en entraña de gente enloquecida,

la suma de los muertos que ganara. 

 

 

Antonio Portero Soro – Signo de vida (1999)

J.A. Ferrer-Sama y J. Ramírez, Editores Asociados (1999)