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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

antes ser-do-contra-a-contranatura


Cecília

05
Set19

«La sort natural d'un homme n'est ni d'être enchaîné, ni d'être égorgé; mais tous les hommes sont faits, comme les animaux et les plantes, pour vivre certain temps, pour produire leur semblables, et pour mourir. - Voltaire»*

* A sorte natural dum homem não é a de ser agrilhoado, nem a de ser degolado; mas todos os homens são feitos, como os animais e as plantas, para viverem um certo tempo, para produzirem os seus semelhantes e para morrerem» (Voltaire, Lettres Philosophiques)

 

 

Álvaro Guerra – Razões de Coração (1991)
Coleção Mil Folhas PÚBLICO (2002)

 

 

 

sistema fixo


Cecília

27
Ago19

(...) peixe voador fodido estrebuchando. Vago.

Eco único irredimível. Sob

as folhas murchas dos aerop DESPACHEM-SE hortos

                                                                                              [consum

idos em moralizar um sistema corrupto. Fixo.

 

 

Paulo da Costa Domingos in ARA

 

 

Paulo da Costa Domingos – Carmina (1971-1994)
Antígona (1995)

 

 

 

Operação Neptuno


Cecília

06
Jun19

share.jpghttps://www.army.mil/d-day/

At the core, the American citizen soldiers knew the difference between right and wrong, and they didn't want to live in a world in which wrong prevailed. So they fought, and won, and we all of us, living and yet to be born, must be forever profoundly grateful.


Stephen Ambrose

 

I'm very disappointed, and I hate leaving the world feeling this way.

 

Pvt. Jack Port, now 97, on the state of the world currently

 

 

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Ao desembarque e a todos os movimento associados foi dado o nome de código de Operação Neptuno. O objetivo de estabelecer uma testa de ponte que desse acesso ao noroeste francês. A operação tinha sido pensada para o dia anterior mas devido ao mau tempo foi adiado para 6 de junho.

Ao todo, 83 115 soldados ingleses e canadianos, mais 73 000 do exército americano desembarcaram na costa da Normandia num espaço de 80 quilómetros das praias ao qual deram nomes de código de Utah, Omaha, Gold, Juno e Sword (...) 

Entre as cinco praias, Utah foi onde se registaram menos baixas: 197 homens foram foram mortos ou feridos. 

Omaha foi onde se sofreu mais baixas, 2 400 soldados norte-americanos foram mortos.

in https://www.rtp.pt/noticias/mundo/dia-d-as-imagens-os-mapas-e-os-numeros-do-desembarque-na-normandia_es1152387

 

 

 

tráfego de colheres


Cecília

13
Mar19

Além disso, os enfermeiros tiram lucros enormes do tráfego das colheres. O Lager não fornece colher aos recém-chegados, apesar de não se poder comer de outra forma a sopa semilíquida. As colheres são fabricadas na Buna, à revelia e nos intervalos, pelos Häftlinge que trabalham como operários especializados em Kommandos de ferreiros e latoeiros: trata-se de utensílios grosseiros e maciços, extraídos de chapas trabalhadas a martelo, frequentemente com o cabo afiado, de forma a servir ao mesmo tempo como faca para cortar o pão. Os próprios fabricantes vendem-nas directamente aos recém-chegados: uma colher simples vale meia ração, uma colher-faca três quartos de ração de pão. Ora, é permitido por lei entrar no Ka-Be com a colher, mas não sair com ela. Aos doentes curados, no acto da saída e antes da entrega da roupa, a colher é requisitada pelos enfermeiros, que a põem à venda na Bolsa. Juntando as colheres dos doentes de saída às dos mortos e dos seleccionados, os enfermeiros perfazem por dia a quantia correspondente à venda de cerca de cinquenta colheres. Pelo contrário, os que tiverem alta são obrigados a voltar ao trabalho com a desvantagem inicial de meia ração de pão a gastar para a aquisição de uma nova colher (...) 

Em conclusão: o roubo na Buna, punido pela direcção civil, é autorizado e encorajado pelos SS; o roubo no campo, reprimido severamente pelos SS, é considerado entre os civis como uma normal operação de troca; o roubo entre Häftlingue geralmente é punido, mas a punição atinge com igual gravidade o ladrão e a vítima. Queríamos agora convidar o leitor a reflectir sobre o que podiam significar no Lager as nossas palavras «bem» e «mal», «justo» e «injusto»; cada um julgue, na base do quadro que traçámos e dos exemplos acima referidos, quanto do nosso comum mundo moral podia subsistir aquém do arame farpado. 

 

 

Primo Levi – Se Isto É Um Homem (1947)
Coleção Mil Folhas PÚBLICO (2002)

 

 

 

Black Square

Kazimir Malevich

 

 

se


Cecília

10
Mar19

a confusão decadente com que agora tentam cumprir as ordens cada vez mais insensatas do Imperador, enquanto cavalga para a retaguarda com um pequeno destacamento de cavaleiros, no caminho de Mação, à cata dos retardatários que se arrastam Debaixo de chuva, fazendo das espingardas bordões ou amontoados à matroca em carros de bois roubados nas quintas, de pés estrapados em farrapos sujos, entregues à exaustão e à fome. Se o rasto caótico daquela marcha tivesse acontecido em Espanha, poucos sobrariam para contar os padecimentos e teriam acabado na ponta das impiedosas facas toledanas. Aqui, o que quase os derrota é a aspereza das sendas, a pobreza dos povos, a chuva e a lama onde se atascam as batarias de artilharia e onde os infantes perdem as botas e o moral. Se, na caminhada para Lisboa, lhes aparecesse um exército minimamente preparado teriam conhecido um vexame ou um massacre, ou ambas as coisas. 

 

Álvaro Guerra – Razões de Coração (1991)
Coleção Mil Folhas PÚBLICO (2002)

 

 

 

 

a vaquinha que nos ri


Cecília

04
Jul18

Um Mestre da sabedoria passeava por uma floresta com seu jovem discípulo, quando avistou ao longe um sítio de aparência pobre, e resolveu fazer uma breve visita.

Durante o percurso ele falou ao aprendiz sobre a importância das visitas e das oportunidades de aprendizado que temos, também com as pessoas que mal conhecemos.

Chegando ao sítio constatou a pobreza do lugar, sem acabamento, casa de madeira e os moradores, um casal e três filhos, vestidos com roupas sujas e rasgadas. Aproximou-se do senhor, que parecia ser o pai daquela família, e perguntou: “Neste lugar não há sinais de pontos de comércio, nem de trabalho. Como vocês sobrevivem”?

Calmamente veio a resposta:

“Meu senhor, temos uma vaquinha que nos dá vários litros de leite todos os dias. Uma parte nós vendemos ou trocamos na cidade mais próxima por outros gêneros de alimentos. Com a outra parte fazemos queijo, coalhada, etc., para o nosso consumo… e assim vamos sobrevivendo”.

O Mestre agradeceu a informação, contemplou o lugar por uns momentos, despediu-se e foi embora. No meio do caminho, em tom grave, ordenou ao seu fiel discípulo:

“Pegue a vaquinha, leve-a até o precipício e empurre-a lá para baixo”.

Em pânico, o jovem ponderou ao Mestre que a vaquinha era o único meio de sobrevivência daquela família. Percebendo o silêncio do Mestre, sentiu-se obrigado a cumprir a ordem. Assim, empurrou a vaquinha morro abaixo, vendo-a morrer.

Essa cena ficou marcada na memória do jovem durante alguns anos. Certo dia, ele decidiu largar tudo o que aprendera e voltar ao mesmo lugar para contar tudo àquela família, pedir perdão e ajudá-los.

Quando se aproximava, avistou um sítio muito bonito todo murado, com árvores floridas, carro na garagem e algumas crianças brincando no jardim. Ficou desesperado imaginando que aquela humilde família tivera que vender o sítio para sobreviver.

Apertou o passo e ao chegar lá foi recebido por um caseiro simpático, a quem perguntou sobre a família que ali morou há alguns anos.

“Continuam morando aqui”, respondeu rapidamente o caseiro.

Surpreso, ele entrou correndo na casa e viu que era efetivamente a mesma família que visitara antes com o Mestre. Depois de elogiar o local, dirigiu-se ao senhor que era o dono da vaquinha que havia morrido:

- “Como o senhor conseguiu melhorar este sítio e ficar tão bem de vida”?

A resposta veio com entusiasmo:

- “Tínhamos uma vaquinha que caiu no precipício e morreu. Daí em diante tivemos que aprender a fazer outras coisas e desenvolver habilidades que nem sabíamos que tínhamos”.

E completou feliz:

- “Assim, conseguimos conquistar o sucesso que seus olhos vêem agora”!

 

Moral desta história:

Todos nós temos uma “vaquinha”, que nos dá as coisas básicas para sobreviver, mas que nos obriga a conviver com uma cega rotina.

As vezes precisamos empurrar uma vaquinha para vir as mudanças em nossas vidas.

Identifique a sua “vaquinha”.



Veja mais Mensagens: História da Vaquinha » Mensagem do Dia http://mensagemdodia.com/historia-da-vaquinha/#ixzz5KHgBuFwA

 

 

vache a lunette  G.jpg

 vache à lunettes

Anne HUDRY

 

tom humano


Cecília

28
Abr18

Já notei que a maior parte dos homens se sente açulada e indignada quando, em pleno combate moral, recorremos à ternura e ao afecto. É vê-los feras amansadas e apanhadas de surpresa assim que recorremos à violência ou à dureza (...) Realidade estranha e deplorável, pois, em muitos casos, é igualmente aplicável à amizade (...) Quando não é refreado nem reprimido, o homem aproveita imediatamente para cometer abusos. Despreza quem o receia e maltrata quem o ama; receia quem o despreza e ama quem o maltrata. 

 

George Sand – Diário Íntimo

Antígona (2004)

 

 

 

cumes intelectuais


Cecília

13
Abr18

Eu não sabia que o génio, preso numa cela ou livre no exterior, caminha sempre sozinho, oprimido, sofredor, ignorado. Eu não sabia que nada de belo ou nobre se junta em torno dos cumes intelectuais e que não existe uma hierarquia moral aceite pelos homens de talento. 

 

George Sand – Diário Íntimo

Antígona (2004)