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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Edouard Manet (1832-1883) La plage à marée basse     Estamos nus e gramamos. (...) As paisagens continuam a existir. As paisagens são suaves. Continuam também a existir outras coisas que dão matéria para poemas. A vida continua.  Felizmente que há ódios, comichões, vaidades. A estupidez, esta crassa crença intratável, esta confiança indestrutível    em si mesmo, é o que felizmente dá uma densidade, uma plenitude a isto. Num mundo descoroçoante de puras imagens é bom (...)
02 Jul, 2017

mar

Um certo dia, chegou à aldeia o Tio Jaime Litorânio, que achou grave que os seus familiares nunca tivessem conhecido os azuis do mar.  Que a ele o mar lhe havia aberto a porta para o infinito. Podia continuar pobre mas havia, do outro lado do horizonte, uma luz que fazia a espera valer a pena. Deste lado do mundo, faltava essa luz que nasce não do Sol mas das águas profundas.  A fome, a solidão, a palermice do Zeca, tudo isso o Tio atribuía a uma única carência: a falta de (...)