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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

xô = eu+eu

12.05.21

Meio pequeno, provinciano, deslumbrado. Como entender este ser extraordinário que desce a avenida da Liberdade com um chapéu colonial branco, a barba em bico, o queixo bem erguido e um papagaio de madeira em cores berrantes, empoleirado nos ombros? 

 

Manuela Gonzaga – António Variações, Entre Braga e Nova Iorque (2018)

Manuela Gonzaga e Bertrand Editora (2018)

 

 

ad maiora natus sum

12.05.21

O sol é uma noite suave

[...]

Reconheço um caminho entre dois reinos.

[...]

Ser sem qualidades,

consciência sem palavras.

 

Paciência na cor e na pedra

do ser. O esplendor dos sulcos brancos.

Abóbada de ausência, círculo do universo.

O que permanece ondula entre o verde e o vento. 

 

 

António Ramos Rosa in MEDIADORA DA AUSÊNCIA - Obra Poética I

Assírio & Alvim (2018)

 

 

overdoses homeopáticas

11.05.21

- Falando por mim, só começo a gostar do Variações através da sucessiva passagem das maquetes que tínhamos feito com ele. Só começo a gostar, quando se cria uma familiaridade com aquele som e com aquele timbre. Porque a primeira reação é...overdose. Depois, e se há uma palavra que pode definir bem o Variações é uniqueness. Isto é, há uma singularidade nele que acaba por conquistar inevitavelmente o seu terreno, e acaba por conquistar as pessoas. Como conquistou - diz Rui Pêgo. 

 

Manuela Gonzaga – António Variações, Entre Braga e Nova Iorque (2018)
Manuela Gonzaga e Bertrand Editora (2018) 

 

 

bota sofrimento nisso (ou como volta tudo ao mesmo)

11.05.21

Foi, realmente, um momento esplendoroso, «um desses milagres que alteram a mentalidade das pessoas», que possibilitou no curto espaço de um ano que se passasse do amargo ceticismo português - que é dizer mal de tudo e não acreditar em nada -, para a euforia de tudo se cometer. De repente, há um turbilhão chamado «rock português». Um movimento com uma energia imparável. Surgem os UHF, os Xutos & Pontapés, os Táxi, os Jafumega e muitos, muitos outros

 

Manuela Gonzaga – António Variações, Entre Braga e Nova Iorque (2018)
Manuela Gonzaga e Bertrand Editora (2018)

 

chefes de nação e cíclicas beatitudes

11.05.21

O presidente israelita Ben-Gurion pede ao Yad Vashem (Alta Autoridade para a Shoah) para averiguar o caso e fazer uma recomendação importante, pois já havia iniciativas, vindas de certos sectores, para nomear Salazar e Franco como Justos Entre as Nações. Os processos de averiguação do Yad Vashem, como comentou o embaixador Bessa Lopes no seu estudo, são extremamente rigorosos, e concluíram que, de facto, o "Justo", neste caso, era Aristides de Sousa Mendes. 

 

António Moncada S. Mendes – Aristides de Sousa Mendes, Memórias de Um Neto
Edições Saída de Emergência e António Moncada S. Mendes  (2017)

 

 

te colmo de bendiciones

10.05.21

Nada a dizer no entanto Quem sobe à fogueira

quem foi para o deserto? Não há palavras mais 

 

António Ramos Rosa in  A IMPONDERÁVEL ABORDAGEM - Obra Poética I

Assírio & Alvim (2018)

 

Aunque tu, me has echado en el abandono
Aunque tu, has muerto todas mis ilusiones
Y en vez, de maldecirte con gusto en coro
En mis sueños te colmo, en mis sueños te colmo
De bendiciones
Sufro la inmensa pena de tu extravío
Siento el dolor profundo de tu partida
Y lloro sin que sepas que el llanto mio
Tiene lagrimas negras, tiene lagrimas negras
Como mi vida
Tu me quieres dejar, yo no quiero sufrir
Contigo me voy mi santa aunque me cueste morir
Un jardinero de amor, siembra una flor y se va
Otro viene la cultiva, de cual de los dos sera
Amada prenda querida, no puedo vivir sin verte
Porque mi fin es quererte y amarte toda la vida
Yo te lo digo mi amor, te lo repito otra vez
Contigo me voy mi santa porque contigo moriré
Yo te lo digo mi amor, que contigo moriré
Contigo me voy mi santa te lo repito otra vez

 

Lagrimas Negras
Omara Portuondo

conexões sem rede

10.05.21

Sou um rapaz com um fato de flanela cinzenta. Ela encontrou-me. Toca-me na nuca. Beija-me. Tudo se desmorona [...] Qual a coisa que faz mexer o meu coração, as minhas pernas? Foi então que aqui cheguei e te vi, verde como um arbusto, como um ramo, muito quieto, Louis, com os olhos vítreos. «Estará morto?», pensei, e beijei-te. Por baixo do vestido cor-de-rosa, o meu coração saltava, semelhante às folhas, que, e muito embora nada exista que as faça mexer, não param de oscilar. Agora, chega-me ao nariz o odor a gerânios; chega-me ao nariz o odor a terra vegetal. Danço. Ondulo. Deixo-me cair sobre ti como uma rede de luz. Deixo-me ficar deitada em cima de ti, a tremer. 

 

Virginia Woolf – As Ondas (1931)

Colecção Mil Folhas / Bibliotex SL / M.E.D.I.A.S.A.T. e Promoway Portugal Ltda (2002)

 

 

unfiltered and loud, proud of this skin full of scars

08.05.21

Estrias de ignorância para enunciar 

o canto material 

 

António Ramos Rosa in PRONUNCIAR A TERRA - Obra Poética I

Assírio & Alvim (2018)