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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

14.10.19

escuto e sei e espero


Cecília

Com as portas abertas

eu sou o mar que entra. 

Mas sem esquecer o sangue,

eu escuto e sei e espero. 

 

António Ramos Rosa - Obra Poética I 

Assírio & Alvim (2018)

 

 

 

11.10.19

sinuosos arpões


Cecília

Num sinuoso acesso de dor 

subia-se à felicidade como um peixe

arpoado pela corola activa da fêmea.

Ajoelho ante essa fúria sensual... 

 

 

Paulo da Costa Domingos in CAMPO DE TÍLIAS

 

 

Paulo da Costa Domingos – Carmina (1971-1994)
Antígona (1995)

 

 

 

02.10.19

mucho mistrust


Cecília

(...)

quando a atracção natural

reunisse os corpos apesar da dúvida.

Lembrar-te-ás da força dos dias de cegueira

dias de puro instinto, tudo 

o mais esquecerás. O vento

contra. O aparente cansaço

que nos atira um ao encontro do outro. 

(...)

 

Paulo da Costa Domingos in CAMPO DE TÍLIAS

 

 

Paulo da Costa Domingos – Carmina (1971-1994)
Antígona (1995)

 

 

 

01.10.19

terno abrasivo


Cecília

Bastou uma pequena água

para que o Universo inteiro vestisse

a tua cinza perturbada delirante pelos rituais

da saliva e da pele. E o nosso sangue queimava

terno abrasivo. 

 

Paulo da Costa Domingos in CAMPO DE TÍLIAS

 

 

Paulo da Costa Domingos – Carmina (1971-1994)
Antígona (1995)

 

 

 

30.09.19

ser eterno dentro


Cecília

Volto a ser uma dama instada ao amor

às solicitações e aos rigores vibráteis do corpo

e mais, muito mais, à respiração ondulatória

porque eu sou da terra o sismo e o fulgor

só pelo negrume de meu amado respondo.

 

Entristecem-me as promessas mínimas do ventre aberto

por força do pouco e do muito ele querer

a paz do coágulo, a dor, o espasmo e o rubi

ai tudo posso dar-lhe, ao meu adepto, ruína das lutas,

o soma, o sarcófago e até o ser eterno dentro de mim.

 

 

Paulo da Costa Domingos in CAMPO DE TÍLIAS

 

 

Paulo da Costa Domingos – Carmina (1971-1994)
Antígona (1995)

 

 

(...)

He's gotta be sure
And it's gotta be soon
And he's gotta be larger than life

(...)

I could swear there is someone, somewhere
Watching me
Through the wind, and the chill, and the rain
And the storm, and the flood
I can feel his approach like a fire in my blood

(...)

 

28.09.19

sem perguntas ou condições


Cecília

Um dos mais infames costumes observados na Prisão de Fleet, nos séculos dezassete e dezoito, era a celebração de cerimónias de casamento por clérigos desonestos e dissolutos. Estes funcionários, na sua maioria presos por motivo de dívidas, insultavam a dignidade da sua sagrada profissão ao casarem nas instalações da Prisão de Fleet, a qualquer instante, quaisquer pessoas que se apresentassem perante si para esse propósito. Não eram feitas perguntas, como não se impunham condições, exceto em relação à taxa cobrada pelo serviço ou à quantidade de bebida a emborcar na ocasião. Aconteceu frequentes vezes clérigo, escrivão e noivos estarem embriagados por altura da celebração da cerimónia. 

 

Wray Delaney - Memórias de Uma Cortesã  (2016)

Quinta Essência, Oficina do Livro (2017)

 

 

 

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