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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

O Banqueiro Anarquista


Cecília

30
Mai19

Nunca o português tem uma acção sua, quebrando com o meio, virando as costas aos vizinhos. Age sempre em grupo, pensa sempre em grupo. Está sempre à espera dos outros para tudo.

Somos incapazes de revolta e de agitação. Quando fizemos uma “revolução” foi para implantar uma coisa igual ao que já estava. Manchámos essa revolução com a brandura com que tratámos os vencidos. E não nos resultou uma guerra civil, que nos despertasse; não nos resultou uma anarquia, uma perturbação das consciências. Ficámos miseravelmente os mesmos disciplinados que éramos.

Trabalhemos ao menos – nós, os novos – por perturbar as almas, por desorientar os espíritos. Cultivemos, em nós próprios, a desintegração mental como uma flor de preço. Construamos uma anarquia portuguesa.

 

Fernando Pessoa

 

 

in https://antigona.pt/collections/5-euros/products/o-banqueiro-anarquista

Leituras da Casa - Sessão 9 - Sábado, 26 de Janeiro


Cecília

24
Jan19

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No próximo sábado, 26 de Janeiro, às 17h00, as Leituras da Casa dedicam a primeira sessão de 2019 ao livro O Modernismo Brasileiro e o Modernismo Português, de Arnaldo Saraiva.

O convidado desta sessão é o poeta e músico brasileiro Luca Argel.
A moderação é de Rui Manuel Amaral.

 

Agradecemos a sua presença. A entrada é livre.
Livraria da INCM, Praça dos Leões (Praça Gomes Teixeira, 1 a 7), Porto.

 

 

foi a cerveja


Cecília

08
Ago18

Na mesa junto à janela virada para Poente, ensaia-se uma Última Ceia: a companhia de teatro arranjou doze apóstolos e um Cristo (...) De repente, a meio de uma dança, Borja caminha para a mesa onde se desenrola a Última Ceia e manda retirar o vinho, pois é um erro histórico. O Cristo está impávido, mas São João acha que não faz sentido e afasta o seu copo do alcance do professor, que começa a discursar:

- Ninguém sabe, caros Jesus Cristo e seus apóstolos, por que razão o homem se sedentarizou, já que está provado que ser nómada dá muito menos trabalho. Então porque sucedeu essa mudança radical? Muito simples, vou explicar-vos, queridos apóstolos e Nosso Senhor: foi a cerveja. Para ter cerveja era preciso cultivar. E assim nasceu a sociedade como a conhecemos. Graças à cerveja, temos hospitais e bibliotecas. Não existiriam livros se não fosse a cerveja. Não existiriam escritores nem ciência. Os nómadas não têm prisões nem conhecem o castigo, mas por outros lado não têm bibliotecas. Os nómadas não têm nada disto, porque andam de um lado para o outro e as prisões não podem ser transportadas, tal como as tipografias e os hospitais e as livrarias. E tudo isso se deve ao facto de alguns povos terem querido beber cerveja e, para isso, precisarem de se sedentarizar. No tempo de Cristo, no vosso tempo, andavam todos a beber cerveja. Na verdade, as bebidas alcoólicas confundiam-se entre si, pois era normal juntar frutos a bebidas de cereais e cereais a bebidas de frutos. Mas o que é certo é que o Egipto tinha inúmeras cervejeiras e exportava grandes quantidades para a Palestina. O que se bebia no espaço geográfico em que Cristo habitava era cerveja. O vinho era uma bebida de romanos, dos invasores. Cristo não iria beber a bebida dos ricos, dos opressores (...) mas a dos pobres, das putas e dos pecadores. Isso é que era a cerveja, um símbolo do povo. Jesus Cristo bebia cerveja, que sempre foi chamada de pão líquido, pois é verdadeiramente pão com água. 

 

 

Afonso Cruz - Jesus Cristo Bebia Cerveja (2012)

Penguin Random House (2016)

 

 

 

 

livros órfãos


Cecília

01
Set17

Muy a principios de la década de 1990, aquella idea suya tomó cuerpo. Un apasionado lector creó, para rendirle homenaje, la «biblioteca de los libros rechazados». Así fue como nació la Brautigan Library, que da acogida a todos los libros huérfanos de editorial que vieron la luz en los Estados Unidos. En la actualidad se halla en Vancouver * en el estado de Washington.

 

 

* En internet se encuentra fácilmente información acerca de las actividades de esa biblioteca en la página web www.thebrautiganlibrary.org

 

 

David Foenkinos - La biblioteca de los libros rechazados (2016)
Titulo original: Le Mystère Henri Pick
Traducción de María Teresa Gallego Urrutia y Amaya García Gallego
Penguin Random House Grupo Editorial S.A.U. (febrero, 2017)

 

livros (I)


Cecília

23
Fev17

 

 (...) pegaste num exemplar e levaste-o à caixa para se regularizar o teu direito de propriedade sobre ele. 

Deste ainda uma espreitadela desnorteada aos livros em redor (ou melhor: foram os livros que te olharam com o ar desnorteado dos cães e gatos que das grades do canil municipal vêem um ex-companheiro afastar-se pela trela do dono que veio recuperá-lo), e saíste. 

 

 

Italo Calvino – Se Numa Noite de Inverno Um Viajante (1979)
Coleção Mil Folhas PÚBLICO (2002)

 

 

 

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 Pietro Antonio Rotari

jeune fille au livre