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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Eu era teimosa, ele era teimoso. Não me lembro do motivo, sei que nos pegámos os dois. Eu era muito mais pequena, devia-me ter calado. Mas começámos à tareia e o meu pai não gostou. Deu uma tareia nele. Eu fugi  e meti-me debaixo da cama. O meu pai procurou-me até ao fim, não tas vou perdoar. E depois, a tareia que tinha dado ao António deu-me a mim também - relato de Maria Amélia.  Mas não há memórias que o descrevam a subir às árvores para ir aos ninhos, ou outras (...)
"Está um tempo insuportável! Como é que o governo não trata disto?" (...) resmungou o lobo. "Estou a dizer-lhes que a culpa é do Governo, e se não acreditam em mim, devoro-os a todos já!"       Oscar Wilde – O Menino-Estrela (1891) Ilustração: Luís Henriques Oficina dos Sonhos - Clássicos - Porto Editora (2008)                
30 Ago, 2017

pés à cabeça

A vida é feita de escolhas, caminhos, aventuras, mas também de deveres e educação.   Isabel Silva - prefácio Lara Xavier  - Bombeiro dos pés à cabeça (2017) LeYa, S.A. Iniciativa: os Mosqueteiros, Intermarché, BricoMarché, Roady Centro Auto Parceiro Institucional: Liga dos Bombeiros Portugueses Media Partner: TVI        
28 Jul, 2017

dentro

Os seus olhos! Cecília tinha os olhos dentro da barriga! Quando entrei, os olhos estavam lá a ver-me! Eram enormes e estavam a sorrir para mim! (...) «Mas para que lhe servem aqui dentro, no escuro? Nunca poderá ver o que se passa lá fora». «Todos olham para fora - falou a baleia Cecília. - Mas poucos são capazes de ver onde está mais escuro, dentro de nós.»   Daniela Palumbo - A Baleia Cecília (La Balena Cecilia , 1999) Inst. Miss. Filhas de São Paulo (Agosto 2008)    
04 Jul, 2017

ta(ma)ncos

Troc…  troc…  troc…  troc… ligeirinhos, ligeirinhos, troc…  troc…  troc…  troc… vão cantando os tamanquinhos…   Madrugada.   Troc…  troc…  pelas portas dos vizinhos vão batendo, Troc…  troc…  vão cantando os tamanquinhos…   Chove.  Troc…  troc…  troc…  no silêncio dos caminhos alagados, troc…  troc… vão cantando os tamanquinhos…   E até mesmo, troc…  troc… os que têm sedas e arminhos, sonham, troc…  (...)
02 Jul, 2017

mar

Um certo dia, chegou à aldeia o Tio Jaime Litorânio, que achou grave que os seus familiares nunca tivessem conhecido os azuis do mar.  Que a ele o mar lhe havia aberto a porta para o infinito. Podia continuar pobre mas havia, do outro lado do horizonte, uma luz que fazia a espera valer a pena. Deste lado do mundo, faltava essa luz que nasce não do Sol mas das águas profundas.  A fome, a solidão, a palermice do Zeca, tudo isso o Tio atribuía a uma única carência: a falta de (...)
Em certa altura, chegou ao limite das terras até onde se aventurara sozinho. Dali para diante começava o planeta Marte, efeito literário de que ele não tem responsabilidade, mas com que a liberdade do autor acha poder aconchegar a frase.  Dali para diante, para o nosso menino, será só uma pergunta sem literatura:  «Vou ou não vou?»    (...)   E se as histórias para crianças passassem a ser de leitura obrigatória para os adultos? Seriam eles capazes de aprender (...)