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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

02 Out, 2019

personalidade

Em Lisboa António teve, pela primeira vez, a consciência pungente do abismo que separava as gentes da capital dos camponeses que aqui se apeavam atordoados. Tudo os denunciava, a começar pela própria ingenuidade, pelo espanto indisfarçável, sem falar na forma como se vestiam, andavam e falavam. Eram os alvos fáceis e recorrentes da troça citadina. «Ó patego, olha o balão.» - O António quando cá chegou, foi trabalhar com uns primos (...) mas julgo que nunca abusaram dele, (...)
28 Mai, 2019

de perto

Se vista de longe, Lisboa é uma bonita cidade, espalhada pelas colinas, iluminada pelo Sol que espreita em tímidas abertas pelos buracos das nuvens cinzentas, expondo os telhados avermelhados e os campanários das suas muitas igrejas, os picos dos Jerónimos apontados ao céu, os torreões da Sé, o zimbório da nova Basílica da Estrela, o vasto Terreiro do Paço aberto para o rio luminoso. Mas Philipe de Villepin considera que no encanto daquele casario empinado nas encostas que descem (...)
08 Mai, 2019

lx 1808

O INTENDENTE GERAL DA POLICIA DO REINO DE PORTUGAL Considerando o perigo que póde  seguir-se da multidão de Cães vagabundos, que girão pelas ruas de Lisboa no tempo dos grandes calores;   Considerando outrosim nos des- agradaveis acontecimentos, que dahi muitas vezes resultão, prin- cipalmente de noite; e que os seus ladros, ao mesmo tempo que perturbão o socego dos Ha- bitantes, advertem os Roubado- res do seguimento da justiça, ORDENA O QUE SE SEGUE: (...) V (...)
10 Mar, 2019

se

a confusão decadente com que agora tentam cumprir as ordens cada vez mais insensatas do Imperador, enquanto cavalga para a retaguarda com um pequeno destacamento de cavaleiros, no caminho de Mação, à cata dos retardatários que se arrastam Debaixo de chuva, fazendo das espingardas bordões ou amontoados à matroca em carros de bois roubados nas quintas, de pés estrapados em farrapos sujos, entregues à exaustão e à fome. Se o rasto caótico daquela marcha tivesse acontecido em (...)
Não lamentes, ó Nize, o teu estado; Puta tem sido muita gente boa; Putissimas fidalgas tem Lisboa, Milhões de vezes putas teem reinado: Dido foi puta, e puta d'um soldado; Cleopatra por puta alcança a c'roa; Tu, Lucrecia, com toda a tua proa, O teu conno não passa por honrado: Essa da Russia imperatriz famosa, Que inda ha pouco morreu (diz a Gazeta) Entre mil porras expirou vaidosa: Todas no mundo dão a sua greta: Não fiques pois, ó Nize, duvidosa Que isso de virgo e honra é (...)
Que fazer então? Matar a enteada com gás da Companhia ficava caríssimo e os tempos que correm exigem a mais apertada economia. Para tirar as dúvidas, puxou de papel e lápis e fez as contas: Tendo a sua casa 185 m3 e custando 40$00 cada metro do referido gás, a vingança importar-lhe-ia em cerca de sete contos e quinhentos. Impossível!... (E aqui deixo o meu protesto para ser exarado em acta na próxima reunião de vereadores. Que porcaria de cidade é esta, onde morrer fica quase (...)
07 Set, 2017

tão

  Janelas de Lisboa, 1981     Maluda                 não me habituava a Lisboa, tão estranha, tão grande           António Lobo Antunes – Para Aquela Que Está Sentada No Escuro À Minha Espera (2016) Publicações D. Quixote | Leya (2016)                
Foi no dia 29 de Março de 1852 que se verificou o naufrágio do vapor Porto, à entrada da barra do Douro e à vista de centenas de pessoas que nada puderam fazer para socorrer os náufragos (...) O barco, que levava aos comandos o experiente piloto António Pinto, saíra do rio Douro, na véspera, ou seja a 28 de Março de 1852, que era um domingo, com destino a Lisboa (...). O Porto era um vapor já cansado, já com alguns anos de uso. Evidenciava a necessidade urgente de alguns (...)