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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Nariz de cera

21
Mar22

World Poetry Day

Cecília


 

 

 

THE MUSHROOMS OF DONBAS
In spring Donbas disappears in the fog, and the sun hides behind heaps of earth.
So you need to know where you’re going,
you need to know the man who can make the arrangements.

This man was a worker in the former pumping station
worn down by alcohol.
When we met, he said, “We, the workers of the pumping station,
were always considered the elite of the proletariat, yeah, the elite.
When everything fell the fuck apart, many
just put their hands down. But not the workers
of the pumping station, not us.
We organized an independent mining union,
we took over three buildings of the former plant
and started to grow mushrooms there.”

“Mushrooms?” I couldn’t believe it.
“Yes. Mushrooms. We wanted to grow cactus with mescaline, but
cactus won’t grow here in Donbas.

You know what’s important when you grow mushrooms?
It’s important to get high, that’s right, friend – it’s important to get high.
We get high, believe me, even now we have to get high, maybe it’s because
we are the elite of the proletariat.

And so – we take over three buildings and start our mushrooms.
Well, there’s – the joy of work, elbow grease,
you know – the heady feeling of work and accomplishment.
And what’s more important – everyone gets high! Everyone’s high even without mushrooms!

The problems began a few months later. This is gangland
territory, you know, recently a gas station was burnt down,
they were so eager to burn it down, they didn’t even manage to
fill up, so of course the police caught them.
And so, one gang decides to take us on, decides to take away
our mushrooms, can you believe it? I think in our place anyone else
would have bent over, that’s the way it is – everyone bends over here,
according to the social hierarchy.

But we get together and think – well, mushrooms – this is a good thing,
it’s not a matter of mushrooms, or elbow grease,
or even the pumping station, although this was one of the arguments.
We just thought – they are coming up, they will grow
our mushrooms will grow, you could say they’ll ripen to harvest
and what are we going to tell our children, how are we going to look them in the eye?
There are just things you have to answer for, things
you can’t just let go.
You are responsible for your penicillin,
and I am responsible for mine.

In a word, we just fought for our mushroom plantations. There we
beat them. And when they fell on the warm hearts of the mushrooms
we thought:

Everything that you make with your hands, works for you.
Everything that reaches your conscience beats
in rhythm with your heart.
We stayed on this land, so that it wouldn’t be far
for our children to visit our graves.
This is our island of freedom
our expanded
village consciousness.
Penicillin and Kalashnikovs – two symbols of struggle,
the Castro of Donbas leads the partisans
through the fog-covered mushroom plantations
to the Azov Sea.

“You know,” he told me, “at night, when everyone falls asleep
and the dark land sucks up the fog,
I feel how the earth moves around the sun, even in my dreams
I listen, listen to how they grow –

the mushrooms of Donbas, silent chimeras of the night,
emerging out of the emptiness, growing out of hard coal,
till hearts stand still, like elevators in buildings at night,
the mushrooms of Donbas grow and grow, never letting the discouraged
and condemned die of grief,
because, man, as long as we’re together,
there’s someone to dig up this earth,
and find in its warm innards
the black stuff of death
the black stuff of life.

 

The Mushrooms of Donbas

Serhiy Zhadan

2007, Serhiy Zhadan
From: Maradona
Publisher: Folio, Kharkiv, 2007


© Translation: 2011, Virlana Tkacz and Wanda Phipps
Publisher: First published on PIW, 2011

 

14
Mar22

express(amente)

Cecília

...descerei do comboio e poisarei os pés na plataforma. Então, a minha liberdade desfraldará as velas, afastando para bem longe estas restrições que queimam e enchem de pregas - horas de ordem e disciplina, e o estar aqui no momento preciso.

 

Virginia Woolf – As Ondas (1931)

Colecção Mil Folhas / Bibliotex SL / M.E.D.I.A.S.A.T. e Promoway Portugal Ltda (2002)

 

 

16
Fev22

how can I

Cecília

Deixar-me-ei cair na margem do rio e ficarei a ver os peixes deslizar por entre as canas. As palmas das minhas mãos ficarão cheias de marcas provocadas pelas agulhas dos pinheiros. Lá conseguirei tirar de dentro de mim aquilo que aqui foi construído; qualquer coisa dura. 

 

Virginia Woolf – As Ondas (1931)

Colecção Mil Folhas / Bibliotex SL / M.E.D.I.A.S.A.T. e Promoway Portugal Ltda (2002)

 

 

15
Fev22

livres

Cecília

Mesmo assim, iguais a crianças, vamos contando histórias uns aos outros, e, para as conseguirmos decorar, inventamos estas frases ridículas, rebuscadas, belas. Estou tão cansado de histórias, tão cansado de frases que assentam tão bem! Para mais, detesto projectos de vida concebidos em folhas de blocos de apontamentos! Começo a sentir saudades de um tipo de linguagem semelhante à que é usada pelos amantes, composta por palavras soltas e inarticuladas 

 

Virginia Woolf – As Ondas (1931)

Colecção Mil Folhas / Bibliotex SL / M.E.D.I.A.S.A.T. e Promoway Portugal Ltda (2002)

 

 

24
Jan22

sei bem, sé

Cecília

Temos, temos, temos - que palavra detestável. Mais uma vez, eu, que me julgara imune, que dissera: "Agora, estou livre de tudo", descubro que a onda se abateu contra mim, espalhando tudo o que possuía, deixando-me o trabalho de voltar a juntar e a montar as peças 

 

Virginia Woolf – As Ondas (1931)

Colecção Mil Folhas / Bibliotex SL / M.E.D.I.A.S.A.T. e Promoway Portugal Ltda (2002)

 

 

20
Dez21

nada adquirido

Cecília

Os valores do pluralismo e da diversidade são hoje mais partilhados. Ao mesmo tempo, o espaço de liberdade democrática torna viáveis as oposições às novas normas que legitimam o pluralismo, a diversidade ou a igualdade entre humanos. Nada é por isso um dado adquirido, e as grandes mudanças emancipatórias que ocorreram e estão a ocorrer podem facilmente retroceder, em nome de um processo que se reclame ele próprio da liberdade democrática. 

 

Jorge Vala – Racismo, Hoje, Portugal em Contexto Europeu (2021)

Fundação Francisco Manuel dos Santos, Jorge Vala (2021)

 

 

17
Dez21

salve

Cecília

Durante a ditadura, era na escola que, ao mesmo tempo que se aprendia a ler e a escrever, se aprendia a missão «ultramarina, cristã e redentora» de Portugal, a sua vocação para «civilizar» outros povos, legitimada pela crença na superioridade moral dos Portugueses. A escola, como primeiro lugar de socialização institucional, era também um espaço de aprendizagem indireta de valores pessoais e dos ideais de vida coletiva que sustentavam a ditadura [...]

Foi assim possível mostrar como esses manuais, de forma muito subtil, comunicavam uma hipervalorização da autoridade e da submissão, manifestada, por exemplo, nas interações verticais adulto-criança na escola e na família, em detrimento das interações horizontais entre crianças. Nos ideais de vida coletiva, destacavam-se os valores da ruralidade e das tradições, uma ordem natural onde cada um deveria ocupar o lugar que lhe estava destinado e um mundo que apenas funcionaria bem se fossem respeitadas as hierarquias sociais. Na visão sobre a sociedade portuguesa, outros trabalhos sobre os manuais escolares da mesma época destacaram a exaltação da pátria e da portugalidade, «uma grande família», e dos seus símbolos de universalidade e de vocação civilizadora. Ao mundo dos portugueses em África opunha-se um outro mundo: «arredores infestados por selvagens».

 

Jorge Vala – Racismo, Hoje, Portugal em Contexto Europeu (2021)

Fundação Francisco Manuel dos Santos, Jorge Vala (2021)

 

 

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