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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

11.07.19

inerência(s) do social


Cecília

Responsabilidade Social

FPF entregou material educativo e desportivo aos 23 alunos que gozam de bolsas de estudo federativas.

A Federação Portuguesa de Futebol formalizou, segunda-feira, a entrega de kits pedagógicos aos alunos do ensino secundário que beneficiam de bolsas de estudo, numa iniciativa conjunta com o Ministério da Educação.

Alexandre, Cláudio, Guilherme, Tânia, Guilherme, Catarina, Maria, Carlos, Guilherme, Manuel, Rodrigo, Flávia, Matilde, Tatiana, Luís, Marta, Gonçalo, Julita, Melissa, Leandro, Beatriz, Filipe e Vasco receberam, presencialmente ou nos seus locais de residência, computador pessoal, um tablet, acesso a vários eventos culturais na Fundação de Serralves, na Fundação Calouste Gulbenkian, além de material e livros de apoio escolar. Os bolseiros FPF receberam igualmente material desportivo e, cortesia da MEO-Altice, passes para assistirem ao festival de música MEO Marés Vivas.

Este kit pedagógico, entregue pessoalmente pela diretora da FPF Mónica Jorge aos alunos que se puderam deslocar à Cidade do Futebol, foi desenhado no sentido de apoiar o desenvolvimento académico e desportivo dos alunos do ensino secundário.

Esta ação de intervenção social, recorde-se, foi destinada a alunos que frequentam o 10.º ano no presente ano letivo. O júri que selecionou os bolseiros foi composto pelo jornalista Carlos Daniel, a apresentadora Catarina Furtado (Fundadora e Presidente da associação "Corações Com Coroa" e Embaixadora de Boa Vontade do Fundo das Nações Unidas para a População) e os internacionais Bernardo Silva (Futebol), Matilde Fidalgo (Futebol Feminino) e Pedro Cary (Futsal).

 

in https://www.fpf.pt/News/Todas-as-not%C3%ADcias/Not%C3%ADcia/news/23979?fbclid=IwAR19rs1EEDVrslU9Vf0L7UwobMiqnp1RE1oZ0vAGTb9RCLKVX8DVJB1rN8Q&smkid=1%3AU4UmNS9q2Vk&utm_source=smarkio_email&utm_campaign=NLFPF_20190711&utm_medium=email

 

1452_original.jpg

 René Magritte
The False Mirror
1929

 

26.06.19

passeata


Cecília

A pessoa, o lugar, o objeto
estão expostos e escondidos
ao mesmo tempo só a luz,
e dois olhos não são bastante
para captar o que se oculta
no rápido florir de um gesto.

É preciso que a lente mágica
enriqueça a visão humana
e do real de cada coisa
um mais seco real extraia
para que penetremos fundo
no puro enigma das figuras.

Fotografia – é o codinome
da mais aguda percepção
que a nós mesmos nos vai mostrando
e da evanescência de tudo,
edifica uma penanência,
cristal do tempo no papel.

Das luas de rua no Rio
em 68, que nos resta
mais positivo, mais queimante
do que as fotos acusadoras,
tão vivas hoje como então,
a lembrar como a exorcizar?

Marcas de enchente e do despejo,
o cadáver inseputável,
o colchão atirado ao vento,
a lodosa, podre favela,
o mendigo de Nova York
a moça em flor no Jóquei Clube,

Garrincha e nureyev, dança
de dois destinos, mães-de-santo
na praia-templo de Ipanema,
a dama estranha de Ouro Preto,
a dor da América Latina,
mitos não são, pois são fotos.

Fotografia: arma de amor,
de justiça e conhecimento,
pelas sete partes do mundo
a viajar, a surpreender
a tormentosa vida do homem
e a esperança a brotar das cinzas.

 

Carlos Drummond de Andrade - “Diante das Fotos de Evandro Teixeira”

 

 

Passeata dos Cem Mil

 

 

 

 

23.07.18

Chacina da Candelária


Cecília

- A minha avó é mouca - diz Rosa. 

- No fundo, somos todos. Só ouvimos o que nos interessa. 

 

 

Afonso Cruz - Jesus Cristo Bebia Cerveja (2012)

Penguin Random House (2016)

 

 

 

 

A população pede chacinas, principalmente quando não são com seus filhos. Se está morrendo na mão da polícia é porque alguma coisa errada estava fazendo. Até depois descobrir que não é isso"


Patrícia de Oliveira da Silva, irmã de vítima da chacina

 

 

 

21.06.18

binários


Cecília

Numa época em que a intolerância dos mais velhos em relação aos jovens e dos jovens em relação aos mais velhos chegou ao cúmulo, em que os mais velhos não fazem outra coisa senão acumular argumentos para dizerem finalmente aos jovens aquilo que eles merecem, e os jovens não esperam mais do que estas ocasiões para demonstrarem que os mais velhos não percebem nada, o senhor Palomar (...) percebe que ninguém quer sair dos binários do seu próprio discurso para responder a perguntas que, sendo provenientes de um outro discurso, obrigariam a repensar as mesmas coisas com outras palavras, e até mesmo a encontrar-se em territórios desconhecidos, longe dos percursos seguros. 

 

 

Italo Calvino - Palomar (1983)

Planeta DeAgostini (2001)

 

 

 

 

12.04.18

pessoas em trâns(e)ito


Cecília

 Depois, quando estava prestes a enfiar-se à frente do velho sedan, o puto que ia ao volante acelerou, aproximou-se, cortou-lhe a passagem e voltou a pôr-se ao lado do outro carro.

Frank voltou a enfiar-se atrás do carro dos putos. Continuavam a conversar e a rir. Viu o autocolante do pára-choques. JESUS AMA-TE. 

Depois reparou num decalque no vidro traseiro. THE WHO.

Bem, tinham Jesus e tinham os The Who. Por que raio é que não o deixavam passar? 

 

 

Charles Bukowski in Mercadoria Danificada - Música para Água Ardente (1983)

Antígona (2015)

 

 

 

 

09.04.18

a hipótese


Cecília

O meu meio de transporte era um Comet de 62. A jovem da casa em frente sentia-se muitíssimo ofendida com o meu carro velho. Tinha de estacionar em frente à casa dela porque era uma das poucas zonas planas do bairro e o meu carro não arrancava em subidas. Mal pegava em terreno plano, pelo que eu ficava ali sentado, a bombar o acelerador e a carregar na ignição, e o som era nojento e contínuo. A mulher começava a gritar como se estivesse a enlouquecer. Era uma das poucas vezes em que eu sentia vergonha de ser pobre. Ficava ali sentado, a dar gasadas e a rezar para que o Comet de 62 arrancasse, ao mesmo tempo que tentava ignorar os gritos de raiva que saíam da casa dispendiosa. Bombava e bombava, o carro arrancava, andava alguns metros, e ia-se abaixo outra vez. 

« Tira esse chaço da frente da minha casa ou eu chamo a polícia!» Depois os longos gritos loucos. Por fim, ela saía, de quimono, uma jovem loura, linda, mas ao que parece, completamente louca. Corria até à porta do carro a gritar e um dos seios saltava para fora. Guardava-o e o outro seio saltava para fora. E depois uma perna espreitava pela racha do quimono. «Minha senhora, por favor», dizia-lhe eu, «estou a tentar».

Finalmente, conseguia pôr o carro a andar e ela ficava no meio da rua, com os dois seios de fora, a gritar: «Não voltes a estacionar aqui o carro, nunca mais, nunca mais, nunca mais!» Era em alturas como aquela que eu considerava a hipótese de procurar emprego. 

 

 

Charles Bukowski in Um Par de Gigolôs - Música para Água Ardente (1983)

Antígona (2015)

 

 

 

mar07021.JPG

 fonte imagem: http://www.roadhouserestorables.com/gpage36.html

 

 

20.02.18

impulso da criação


Cecília

- Qual é o seu conselho para os escritores jovens?

- Bebam, fodam, e fumem muitos cigarros. 

- Qual é o seu conselho para os escritores mais velhos?

- Se ainda estão vivos, não precisam do meu conselho. 

- Qual é o impulso que o leva a criar um poema? 

- O que é que te leva a cagar? 

 

 

Charles Bukowski in O Grande Poeta - Música para Água Ardente (1983)

Antígona (2015)

 

 

02.08.16

eterno Zeca sempre


Cecília

"… de facto, os jovens por vezes não se destacam do sistema. Limitam-se a constatar que não há saídas. Essa atitude tem de ser modificada e são eles que a têm de modificar. Se for preciso partir a loiça, escavacar tudo isto, acabar com a burocracia para criar uma sociedade diferente, eles que o façam. Partam mesmo a loiça. Mas são eles que o têm de fazer. Não são os homens da minha geração. Os homens e as mulheres. Aliás, sem as mulheres não se pode fazer nada. Pressinto que, de facto, as mulheres vão ter um papel muito importante na futura sociedade, contanto que não tentem imitar os homens no que eles têm de mau…"

 

 

 

 

José Afonso 

( 2 de agosto, 1929 - 23 de fevereiro, 1987)

 

 

 

 

fonte: http://www.aja.pt/eu-dizia/

 

 

 

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