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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

17 Ago, 2017

aquilo que se vê

    fecho os olhos. vejo luzes de cidades distantes. a noite distante. vejo o brilho de um sonho tão impossível.   a escuridão é absoluta. a escuridão é infinita. todos os cegos sabem que a escuridão é a morte.   fecho os olhos. vejo aquilo que se vê com os olhos fechados.     José Luís Peixoto in OLHOS FECHADOS  - A Casa, a Escuridão (2002) Quetzal Editores (2014)    
   a tua ausência é, em cada momento, a tua ausência. não esqueço que os teus lábios existem longe de mim. aqui há casas vazias. há cidades desertas. há lugares.   mas eu lembro que o tempo é outra coisa, e tenho tanta pena de perder um instante dos teus cabelos.   aqui não há palavras. há a tua ausência. há o medo sem os teus lábios, sem os teus cabelos. fecho os olhos para te ver e para não chorar     José Luís Peixoto  - A Casa, a Escuridão (2002) Que (...)
10 Ago, 2017

só depois

há uma palavra mágica que se diz. há um momento. depois dessa palavra, só depois dessa palavra, pode começar o amor.     José Luís Peixoto in ENCANTAMENTO  - A Casa, a Escuridão (2002) Quetzal Editores (2014)        
09 Jul, 2017

(...)

sei hoje que apenas esperei (...) e esperar não é suficiente     José Luís Peixoto in PALAVRAS PARA A MINHA MÃE  - A Casa, a Escuridão (2002) Quetzal Editores (2014)    
09 Mai, 2017

fátima

(...) Então, quando essas palavras são publicadas, o segredo é libertado no mundo: mistura-se com o olhar dos outros. Por consequência, muda a forma como os outros veem e, também, a forma como os outros nos veem. Foi justamente nos olhares dos outros que encontrei as primeiras questões. Ainda sem terem lido uma página, quando se mencionava o tema "Fátima", todas as perguntas eram formas explícitas ou subliminares de me colocarem uma única pergunta: acredita? (...) Em nenhuma (...)
  Vivemos num individualismo muito cru. As pessoas são levadas a acreditar que a promoção do conforto físico e das aparências é o que mais conta. Existe uma desvalorização do conforto afectivo e moral. Existe a ideia errada de que podemos ser felizes sozinhos ou, pior ainda, contra os outros.   José Luís Peixoto             
26 Jan, 2017

quem tem razão?

Quem tem razão? Qual é o país mais certo? As crianças têm a sabedoria da sua inocência, o livre descontrolo dos sonhos. Os velhos têm a memória distorcida do que experimentaram, têm tudo o que conseguiram não esquecer. Os outros, entre crianças e velhos, têm as suas lutas e ilusões.   José Luís Peixoto, in UP, Janeiro de 2017.   in http://www.joseluispeixoto.net/toda-a-vida-120409