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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

convicções e baionetas


Cecília

13
Mai19

Vai ao ponto de aconselhar prudência, ao menos esperar os pareceres da hierarquia, a palavra esclarecida do Bispo de Lisboa, do Inquisidor. A Santa Madre Igreja sempre soube conviver em paz com os governos, sempre colocou acima de tudo o sossego dos fiéis e o respeito das leis. Lérias - resmunga o abade de Ribamar. - Cá para mim, hereges que me invadam a casa estão a pedir é cachaporra nos lombos! É uma fanfarronada, mas sempre alivia. Teodósio cala-se, numa censura cautelosa, a depreciar a tendência trauliteira do pároco. Serão mais as vozes do que as nozes quando o abade vir uma baioneta apontada ao saco das tripas. 

 

Álvaro Guerra – Razões de Coração (1991)
Coleção Mil Folhas PÚBLICO (2002)

 

 

 

(...) durante a segunda invasão do Porto pelos franceses, no âmbito da Guerra Peninsular, o tenente-coronel Lameth, particularmente prestigiado entre as tropas de Napoleão, foi morto em Santiago de Riba-Ul numa emboscada liderada por Bernardo Barbosa Cunha, natural de Arrifana.

Foi em retaliação a esse ataque que o marechal Nicolas Soult - tio de Lameth - deu ordem às suas tropas para rumarem a Arrifana, onde, em 17 de abril de 1809, sob o comando do general Jean Guillaume Thomières, assassinaram 71 pessoas, entre as quais 62 arrifanenses que procuraram refúgio na igreja local (...)

"Dando cumprimento às ordens do marechal Soult, o general Thomières fez uma investida sobre Arrifana, exigindo que os assassinos fossem entregues para serem fuzilados e os respetivos cadáveres expostos" (...)

Perante o cerco do exército francês, acrescentou, "a população procurou refúgio no interior da igreja, que acabou por revelar-se uma ratoeira - os franceses obrigaram todos os homens válidos a saírem do templo, selecionando em seguida um em cada cinco para serem fuzilados no Campo da Buciqueira".

in https://www.dn.pt/lusa/interior/feira-recria-com-600-figurantes-o-massacre-de-arrifana-durante-as-invasoes-francesas-10828709.html

 

assados


Cecília

27
Jun18

Descoberto o fogo, inventaram os assados mas arranjaram também lenha para se queimarem pois logo apareceu quem inventasse o inferno, o castigo, o pecado (67) e outras coisas que tais, acabando-se de uma vez para sempre a paz entre os homens. 

 

(67) Onde as criaturas se afundaram com regalo e para todo o sempre. 

 

 

Vilhena – História Universal da Pulhice Humana (1960/1961/1965)
Edição Completa, Integral e Nunca Censurada dos Três Volumes Originais Pré-História / O Egipto / Os Judeus

Herdeiros de José Vilhena / SPA 2015, E-Primatur (2016)

 

 

Os Sete Pecados Mortais e os Quatro Novíssimos do Homem (1500)

Hieronymus Bosch

(As quatro últimas etapas do homem são a morte, o juízo final, o paraíso e o inferno).

 

 

 

bruno de nola


Cecília

17
Fev17

Ao peso da sua condenação se deverá, certamente, o silêncio quase total dos contemporâneos, quaisquer que fossem as suas razões - «alguns por medo, outros por remorso» - e as formas externas de que se revestiram: e que vão desde as versões piedosamente «atenuadas» do suplício (e não menos empenhadas em justificá-lo), à remoção do nome Frei Giordano «dos registos da Ordem de S. Domingos» e das Universidades e Academias em que tinha ensinado.

Silenciaram também o facto da sua morte, com unânime cumplicidade, não só «os escritores da história profana» - que não deixaram, porém, de relatar as condenações de outros heréticos «daquele fim de século» - como ainda «os da história eclesiástica» e até os que, em vida, o protegeram, lhe deram  hospitalidade e partilharam da sua amizade.  

 

Giordano Bruno - Acerca Do Infinito, Do Universo E Dos Mundos

Fundação Calouste Gulbenkian (junho 1998)

 

 Giordano Bruno

(Nola, Reino de Nápoles, 1548 — Roma, Campo de Fiori, 17 de fevereiro, 1600)

 

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Apresento-vos agora a minha especulação acerca do infinito, do universo e dos mundos inumeráveis. 

(...)

começa-se a demonstrar a infinidade do universo, e apresenta-se o primeiro argumento, tirado o facto de não saberem onde termina o mundo aqueles que mediante a fantasia lhe querem fabricar muralhas. 

 

 

Giordano Bruno - Acerca Do Infinito, Do Universo E Dos Mundos

Fundação Calouste Gulbenkian (junho 1998)