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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

vã soberba


Cecília

30
Jul19

Antecede o conhecimento a vagabundagem 

 

 

Paulo da Costa Domingos in Violeta Náutica

 

 

Paulo da Costa Domingos – Carmina (1971-1994)
Antígona (1995)

 

 

A Negação de Pedro, 1610

Caravaggio

 

Presa de indizível remorso, o apóstolo retirou-se, envergonhado de si mesmo. Dando alguns passos, alcançou os muros exteriores, onde se deteve a chorar amargamente. Ele, que fora sempre homem ríspido e resoluto (...) ali se encontrava, abatido como uma criança, em face de sua própria falta. Começava a entender a razão de certas experiências dolorosas de seus irmãos em humanidade (...) Foi aí que o antigo pescador refletiu mais austeramente, lembrando as advertências amigas de Jesus, quando lhe dizia: - “Pedro, o homem do mundo é mais frágil do que perverso!. . .“

in http://www.doutrinaespirita.com.br/?q=node/920

 

comportamento perigosamente seguro


Cecília

09
Mai19

Não existe meio mais seguro para fugir do mundo do que a arte, e não há forma mais segura de se unir a ele do que a arte.

 

Johann Goethe

 

 

 

conhecimento dos homens


Cecília

07
Mai19

O resultado deste feroz processo de selecção natural poder-se-ia ler nas estatísticas do movimento do Lager. Em Auschwitz, no ano de 1944, dos velhos prisioneiros judeus (...) dos pequenos números inferiores a cento e cinquenta mil, sobreviviam poucas centenas (...) Só sobreviviam, os médicos, os alfaiates, os sapateiros, os músicos, os cozinheiros, os jovens homossexuais atraentes, os amigos ou patrícios de uma ou outra autoridade do campo; e ainda indivíduos particularmente ferozes, vigorosos e desumanos, desempenhando (em consequência de uma investidura por parte do comando SS, que neste sentido mostravam ter um conhecimento dos homens deveras diabólico) os cargos de Kapo, de Blockältester, ou outros; 

 

Primo Levi – Se Isto É Um Homem (1947)
Coleção Mil Folhas PÚBLICO (2002)

 

 

 

voltar a ser


Cecília

28
Fev19

Depois de arranjar a janela partida e depois de o aquecedor começar a difundir calor, pareceu que em cada um a tensão afrouxara, e foi então que Towaroski (um franco-polaco de vinte e três anos, doente de tifo) propôs aos outros doentes que oferecessem cada um uma fatia de pão a nós os três que tivemos o trabalho, e a proposta foi aceite. 

Um dia antes, tal acontecimento não teria sido concebível. A lei do Lager dizia: «come o teu pão e, se puderes, o do teu vizinho», e não deixava lugar à gratidão. Isto significava claramente que o Lager estava morto.

Foi este o primeiro gesto humano que aconteceu entre nós. Julgo que se poderia fixar naquele momento o início do processo pelo qual, nós que não morremos, de Häftlinge voltámos lentamente a ser homens. 

 

 

Primo Levi – Se Isto É Um Homem (1947)
Coleção Mil Folhas PÚBLICO (2002)

 

 

Resurrection of the Messiah

Justin BUA

 

a notícia


Cecília

22
Fev19

Não temos regresso. Ninguém deve sair daqui, pois poderia levar para o mundo, juntamente com a marca gravada na carne, a terrível notícia do que, em Auschwitz, o homem teve coragem de fazer ao homem. 

 

Primo Levi – Se Isto É Um Homem (1947)
Coleção Mil Folhas PÚBLICO (2002)

 

 

 

condição humana


Cecília

12
Fev19

nossa condição humana, que é inimiga de tudo o que é infinito. Opõe-se-lhe o nosso sempre insuficiente conhecimento do futuro; e a isto se chama, num caso, esperança; no outro, incerteza do amanhã. Opõe-se-lhe a certeza da morte, que impõe um limite a qualquer alegria, mas também a qualquer dor. 

 

Primo Levi – Se Isto É Um Homem (1947)
Coleção Mil Folhas PÚBLICO (2002)

 

 

 

não temos nada a ensinar


Cecília

21
Jun18

Depois decide: «Não há contradição entre as duas posições. A solução de continuidade entre as gerações depende da impossibilidade de transmitir a experiência, de fazer evitar aos outros os erros já cometidos por nós. A verdadeira distância entre duas gerações é dada pelos elementos que têm em comum e que obrigam à repetição cíclica das mesmas experiências, como nos comportamentos das espécies animais transmitidos como herança biológica; ao passo que os elementos da verdadeira diversidade existente entre nós e eles são, pelo contrário, o resultado das modificações irreversíveis que cada época traz consigo (...) Por isso não temos nada a ensinar: sobre aquilo que mais se parece com a nossa experiência não podemos influir; naquilo que traz o nosso cunho, não sabemos reconhecer-nos.» 

 

 

Italo Calvino - Palomar (1983)

Planeta DeAgostini (2001)