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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Mas em 1983 e em 1984, as autoridades responsáveis pela saúde dos portugueses não estavam informadas, logo, não sabiam como encarar o problema. Portanto, desmentem-no. A sida não existe. A exstir, é noutros países. Não há pragas nem epidemias. O director do Instituto Nacional do Sangue multiplica-se em entrevistas e vai à televisão desmentir a gravidade da situação e pedir às pessoas para não se preocuparem porque Portugal era um país de bons costumes. Só uma mulher, (...)
04 Mar, 2020

o problema

o problema não é descobrir a resposta, é escutar a pergunta    António Lobo Antunes – A Última Porta Antes da Noite (2018) Publicações Dom Quixote (2018)
António chegou a Amesterdão em 1974, numa altura em que a cidade estava na vanguarda de um sem número de movimentos, desde a ecologia à luta anti-apartheid, passando pela liberalização das drogas ditas leves, que eram ali encarados com o mesmo pragmatismo com que, em muitos outros países, se aceitam e até estimulam outros vícios como o jogo. Havia para todos os gostos. Grupos anarquistas, ecologistas, pacifistas, os krakers, com as suas redes de okupas, que pressionavam o governo, (...)
Um terramoto atingiu Londres quando eu tinha onze anos. O mundo abanou, caíram louças das prateleiras, utensílios, vidraças racharam-se e as pessoas correram para as ruas, gritando que era castigo de Deus. Infantilmente, encontrei conforto no tremer da terra. A ideia de que existia uma força maior do que a insignificância de homens e mulheres agradou-me. Nos dias que se seguiram ao terramoto, os arautos da desgraça anunciaram que pecados de Londres eram responsáveis pela terrível (...)
17 Dez, 2019

consumismo ritual

Já te foi dito, ó homem, o que convém, o que o Senhor reclama de ti: que pratiques a justiça, que ames a bondade, e que andes com humildade diante do teu Deus*   * Ó homem: é a resposta do profeta, marcando a preeminência da rectidão moral sobre o conformismo ritual.    
09 Dez, 2019

modernidade

Voltando a citar Pinker: «A aversão à modernidade é uma das grandes constantes da crítica social contemporânea. Quer seja a nostalgia pela intimidade das cidades pequenas, pela sustentabilidade  ecológica, pela solidariedade comunitária, pelos valores familiares, pela fé religiosa, pelo comunismo primitivo ou pela harmonia com os ritmos naturais, todos querem que o relógio retroceda. O que a tecnologia nos deu, questionam eles, excepto a alienação, a espoliação, a patologia (...)
03 Dez, 2019

pinturas e adornos

Vivemos uma era de enganos, de perucas, pinturas e adornos, em que tudo o que a natureza foi pródiga a oferecer à humanidade não passa senão de uma tela base que precisa de melhoramentos. A maioria de nós esconde-se por detrás de um rosto pintado, sendo muito poucos os que se deixam ver como realmente são.    Wray Delaney - Memórias de Uma Cortesã  (2016) Quinta Essência, Oficina do Livro (2017)    
02 Dez, 2019

desporto principal

a sociedade rica e na moda tem pouca ou nenhuma substância, vivendo obcecada apenas consigo. O seu desporto é principalmente os escândalos, alimenta-se de mexericos e custa a imaginar como passaria a sociedade os seus dias sem eles.    Wray Delaney - Memórias de Uma Cortesã  (2016) Quinta Essência, Oficina do Livro (2017)    
26 Nov, 2019

wahala

O riso é de longe o melhor remédio para todas as maleitas da vida. Demasiadas vezes são os nossos dias medidos por desgostos, e raros os momentos em que a sua medida é o humor.      Wray Delaney - Memórias de Uma Cortesã  (2016) Quinta Essência, Oficina do Livro (2017)