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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

12.11.19

saber saber


Cecília

 

Sem cultura, não somos capazes de apreciar certas coisas. 

 

 

Afonso Cruz_ O macaco bêbedo foi à ópera - Da embriaguez à civilização (2019)
Fundação Francisco Manuel dos Santos e Afonso Cruz (2019)

 

 

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in https://ribeiraopretoculturaljaf.blogspot.com/2019/02/geracao-mimimi.html

 

 

07.11.19

coisas boas / boas obras


Cecília

frei Fernando Ventura, que apresentou o livro Jesus Cristo Bebia Cerveja, disse, por ocasião do lançamento, quando lhe perguntei se Jesus bebia cerveja: «É óbvio que sim. Jesus gostava de coisas boas.»

Deus Pai também. No final de cada um dos dias da Criação, Ele constatava que a obra era boa (...) O axiarquismo da Sua conduta leva-nos a concluir o seguinte: devemos a nossa existência a coisas boas, como o amor e a cerveja. Sabemos que a vida é boa, quando no final do dia ponderamos o que fizemos e concluímos que valeu a pena, que foram boas obras. 

 

 

Afonso Cruz_ O macaco bêbedo foi à ópera - Da embriaguez à civilização (2019)
Fundação Francisco Manuel dos Santos e Afonso Cruz (2019)

 

 

 

01.11.19

o que nos distingue


Cecília

«Beber quando não temos sede e fazer amor em qualquer altura do ano, minha senhora; é isso que nos distingue dos animais» (Pierre-Augustin Caron de Beaumarchais, Le Mariage de Figaro).

 

 

Afonso Cruz_ O macaco bêbedo foi à ópera - Da embriaguez à civilização (2019)
Fundação Francisco Manuel dos Santos e Afonso Cruz (2019)

 

 

 

 

10.10.19

galáxia espiral barrada


Cecília

« O álcool é uma molécula rara na natureza. Além da sua produção pelas leveduras, a síntese alcoólica está limitada à germinação de sementes e alguns tipos de bactérias. Essas bactérias tendem a gerar maus sabores - que podem estragar a cerveja e a sidra -, mas, para gáudio dos cervejeiros, dificilmente competem com as leveduras. O álcool também é produzido sem intervenção biológica, em nuvens interestelares. A maior destas nuvens moleculares próxima do centro da Via Láctea chama-se Sagitário B2, e contém álcool suficiente para encher 1028 garrafas de vodca, que, curiosamente, pesariam cinco vezes mais do que todos os planetas do Sistema Solar» (Nicholas P. Money, The Rise of Yeast - How the Sugar Fungus Shaped Civilization). 

Quando falamos em 100 000 000 000 000 000 000 000 000 000 garrafas de vodca, só em uma das nuvens moleculares da Via Láctea, já não nos parece tão pouco (tenho amigos que discordariam, mas não serão a maioria). São restos, mas, de certo ângulo, causam a sua impressão. Talvez o «lácteo» da nossa galáxia não seja o baptismo mais apropriado. 

 

Afonso Cruz_ O macaco bêbedo foi à ópera - Da embriaguez à civilização (2019)
Fundação Francisco Manuel dos Santos e Afonso Cruz (2019)

 

27.09.19

livre de influências


Cecília

...as ficções sociais não são gente, em quem se possa dar tiros... Você compreende bem? Não era como o soldado de um exército que mata doze soldados de um exército contrário; era como um soldado que mata doze civis da nação do outro exército. É matar estupidamente, porque não se elimina combatente nenhum... Eu não podia portanto pensar em destruir, nem no todo nem em nenhuma parte, as ficções sociais. Tinha então que subjugá-las, que vencê-las subjugando-as, reduzindo-as à inactividade (...) Procurei ver qual era a primeira, a mais importante, das ficções sociais. Seria essa que me cumpria, mais que a nenhuma outra, tentar subjugar, tentar reduzir à inactividade. A mais importante, da nossa época pelo menos, é o dinheiro. Como subjugar o dinheiro, ou, em palavras mais precisas, a força, ou a tirania do dinheiro? Tornando-me livre da sua influência, reduzindo-o à inactividade pelo que me dizia respeito a mim (...)  Como podia eu tornar-me superior à força do dinheiro? O processo mais simples era afastar-me da esfera da sua influência, isto é, da civilização; ir para um campo comer raízes e beber água das nascentes; andar nu e viver como um animal. Mas isto, mesmo que não houvesse dificuldade em fazê-lo, não era combater uma ficção social; não era mesmo combater: era fugir. Realmente, quem se esquiva a travar um combate não é derrotado nele. Mas moralmente é derrotado, porque não se bateu. O processo tinha que ser outro - um processo de combate e não de fuga. Como subjugar o dinheiro, combatendo-o? Como furtar-me à sua influência e tirania, não evitando o seu encontro? O processo era só um - adquiri-lo, adquiri-lo em quantidade bastante para lhe não sentir a influência... 

 

 

Fernando Pessoa - O Banqueiro Anarquista (1922)
Antígona (2018)

 

 

 

26.09.19

proveitos


Cecília

Ora a acção é sempre mais proveitosa que a propaganda, excepto para os indivíduos cujo feitio os indica essencialmente como propagandistas - os grandes oradores, capazes de electrizar multidões e arrastá-las atrás de si, ou os grandes escritores, capazes de fascinar e convencer com os seus livros. 

 

Fernando Pessoa - O Banqueiro Anarquista (1922)
Antígona (2018)

 

 

 

05.09.19

antes ser-do-contra-a-contranatura


Cecília

«La sort natural d'un homme n'est ni d'être enchaîné, ni d'être égorgé; mais tous les hommes sont faits, comme les animaux et les plantes, pour vivre certain temps, pour produire leur semblables, et pour mourir. - Voltaire»*

* A sorte natural dum homem não é a de ser agrilhoado, nem a de ser degolado; mas todos os homens são feitos, como os animais e as plantas, para viverem um certo tempo, para produzirem os seus semelhantes e para morrerem» (Voltaire, Lettres Philosophiques)

 

 

Álvaro Guerra – Razões de Coração (1991)
Coleção Mil Folhas PÚBLICO (2002)

 

 

 

01.09.19

faltas


Cecília

É mais nos dedos que me faltas

 

 

Paulo da Costa Domingos in ABSIDE

 

 

Paulo da Costa Domingos – Carmina (1971-1994)
Antígona (1995)

 

 

Toutes les machines ont un cœur, t'entends? 
Toutes les machines ont un cœur, dedans 
Qui bat, qui bat, qui bat 
Comme on se bat maman 
Comme on se bat pourtant
On n'avait pas prévu ça 
D'avoir des doigts Messenger
Des pouces ordinateur 
Sur les machines on passe des heures 
Sur les machines on dessine un cœur 
Qui bat, qui bat, qui bat 
On tape nos vies dedans 
Autant de likes et de leurres, de flammes 
De selfies, de peurs, de smileys en couleur
Toutes les machines ont un cœur, t'entends? 
Toutes les machines ont un cœur, dedans 
Qui bat, qui bat, qui bat 
Comme on se bat maman 
Comme on ne sait pas vraiment
Comment se sortir de là 
Le monde la gueule qu'il a
Qui c'est qui lui a fait ça? 
C'est pas nous, c'est pas moi, t'entends? 
Le bruit des machines permanent
Qui bat, qui bat, qui bat
Battu pour le moment 
Je suis tout juste capable 
De voir le monde en grand 
Tant que le monde est portable
Toutes les machines ont un cœur, t'entends? 
Toutes les machines ont un cœur, dedans 
Qui bat, qui bat, qui bat 
Comme on se bat maman 
Comme on se bat pourtant
Tu dis «à quoi ça sert, t'as rien de mieux à faire? 
Sais-tu le temps que tu perds?» 
Toutes les machines ont un cœur, pourtant 
Un monde meilleur caché dedans 
Qui bat, qui bat, qui bat 
Moi des idées j'en ai mille
Tout au bout de mes doigts 
Des étincelles et des îles 
Des ailes que je déploie 
Maman, maman c'est moi 
C'est moi, c'est moi le moteur, t'entends? 
Dans toutes les machines y a mon cœur dedans
Qui bat, qui bat, qui bat 
Comme je me bats maman 
Si le monde est mon mobile 
Mon cœur pour le moment 
Est comme le monde maman
Et le monde est fragile 
Et le monde est fragile 
Et mon cœur est fragile
Et le monde est fragile
Et le monde est fragile
Toutes les machines ont un cœur, t'entends? 
Toutes les machines ont un cœur, dedans 
Et mon cœur est fragile
30.07.19

vã soberba


Cecília

Antecede o conhecimento a vagabundagem 

 

 

Paulo da Costa Domingos in Violeta Náutica

 

 

Paulo da Costa Domingos – Carmina (1971-1994)
Antígona (1995)

 

 

A Negação de Pedro, 1610

Caravaggio

 

Presa de indizível remorso, o apóstolo retirou-se, envergonhado de si mesmo. Dando alguns passos, alcançou os muros exteriores, onde se deteve a chorar amargamente. Ele, que fora sempre homem ríspido e resoluto (...) ali se encontrava, abatido como uma criança, em face de sua própria falta. Começava a entender a razão de certas experiências dolorosas de seus irmãos em humanidade (...) Foi aí que o antigo pescador refletiu mais austeramente, lembrando as advertências amigas de Jesus, quando lhe dizia: - “Pedro, o homem do mundo é mais frágil do que perverso!. . .“

in http://www.doutrinaespirita.com.br/?q=node/920

 

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