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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

antes ser-do-contra-a-contranatura


Cecília

05
Set19

«La sort natural d'un homme n'est ni d'être enchaîné, ni d'être égorgé; mais tous les hommes sont faits, comme les animaux et les plantes, pour vivre certain temps, pour produire leur semblables, et pour mourir. - Voltaire»*

* A sorte natural dum homem não é a de ser agrilhoado, nem a de ser degolado; mas todos os homens são feitos, como os animais e as plantas, para viverem um certo tempo, para produzirem os seus semelhantes e para morrerem» (Voltaire, Lettres Philosophiques)

 

 

Álvaro Guerra – Razões de Coração (1991)
Coleção Mil Folhas PÚBLICO (2002)

 

 

 

faltas


Cecília

01
Set19

É mais nos dedos que me faltas

 

 

Paulo da Costa Domingos in ABSIDE

 

 

Paulo da Costa Domingos – Carmina (1971-1994)
Antígona (1995)

 

 

Toutes les machines ont un cœur, t'entends? 
Toutes les machines ont un cœur, dedans 
Qui bat, qui bat, qui bat 
Comme on se bat maman 
Comme on se bat pourtant
On n'avait pas prévu ça 
D'avoir des doigts Messenger
Des pouces ordinateur 
Sur les machines on passe des heures 
Sur les machines on dessine un cœur 
Qui bat, qui bat, qui bat 
On tape nos vies dedans 
Autant de likes et de leurres, de flammes 
De selfies, de peurs, de smileys en couleur
Toutes les machines ont un cœur, t'entends? 
Toutes les machines ont un cœur, dedans 
Qui bat, qui bat, qui bat 
Comme on se bat maman 
Comme on ne sait pas vraiment
Comment se sortir de là 
Le monde la gueule qu'il a
Qui c'est qui lui a fait ça? 
C'est pas nous, c'est pas moi, t'entends? 
Le bruit des machines permanent
Qui bat, qui bat, qui bat
Battu pour le moment 
Je suis tout juste capable 
De voir le monde en grand 
Tant que le monde est portable
Toutes les machines ont un cœur, t'entends? 
Toutes les machines ont un cœur, dedans 
Qui bat, qui bat, qui bat 
Comme on se bat maman 
Comme on se bat pourtant
Tu dis «à quoi ça sert, t'as rien de mieux à faire? 
Sais-tu le temps que tu perds?» 
Toutes les machines ont un cœur, pourtant 
Un monde meilleur caché dedans 
Qui bat, qui bat, qui bat 
Moi des idées j'en ai mille
Tout au bout de mes doigts 
Des étincelles et des îles 
Des ailes que je déploie 
Maman, maman c'est moi 
C'est moi, c'est moi le moteur, t'entends? 
Dans toutes les machines y a mon cœur dedans
Qui bat, qui bat, qui bat 
Comme je me bats maman 
Si le monde est mon mobile 
Mon cœur pour le moment 
Est comme le monde maman
Et le monde est fragile 
Et le monde est fragile 
Et mon cœur est fragile
Et le monde est fragile
Et le monde est fragile
Toutes les machines ont un cœur, t'entends? 
Toutes les machines ont un cœur, dedans 
Et mon cœur est fragile

vã soberba


Cecília

30
Jul19

Antecede o conhecimento a vagabundagem 

 

 

Paulo da Costa Domingos in Violeta Náutica

 

 

Paulo da Costa Domingos – Carmina (1971-1994)
Antígona (1995)

 

 

A Negação de Pedro, 1610

Caravaggio

 

Presa de indizível remorso, o apóstolo retirou-se, envergonhado de si mesmo. Dando alguns passos, alcançou os muros exteriores, onde se deteve a chorar amargamente. Ele, que fora sempre homem ríspido e resoluto (...) ali se encontrava, abatido como uma criança, em face de sua própria falta. Começava a entender a razão de certas experiências dolorosas de seus irmãos em humanidade (...) Foi aí que o antigo pescador refletiu mais austeramente, lembrando as advertências amigas de Jesus, quando lhe dizia: - “Pedro, o homem do mundo é mais frágil do que perverso!. . .“

in http://www.doutrinaespirita.com.br/?q=node/920

 

natureza


Cecília

03
Jun19

essa pergunta que regressa ciclicamente ao seu espírito: o que é a Natureza?

Raimundo olha à sua volta e, nas ruas de Mafra ou nas colinas verdes salpicadas de moinhos e casitas brancas não vislumbra anjos, nem madonas, nem santos, nem cordeiros de Deus. O que vê é uma outra natureza habitada por rudes cavadores, saloias dobradas para a terra das hortas, o oleiro com o barro nas mãos como uma segunda pele, o sapateiro na banca a furar o couro com a sovela, o tanoeiro a ajustar as aduelas de folha numa celha, o ferreiro com o corpo de bronze entre o fole e a bigorna, o regatão bocejando à porta da lojeca, o carpinteiro de formão apontado a uma tábua de pinho, o aguadeiro de porta em porta, a alombar com o barril.

É essa gente que ele tem ganas de pintar. E decide que essa gente e essa gana são, para ele, a Natureza. A Natureza que ele gostaria de trazer para fora da obscuridade das igrejas e da privança dos palácios. 

 

Álvaro Guerra – Razões de Coração (1991)
Coleção Mil Folhas PÚBLICO (2002)

 

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Na eira , 1861

Tomás da Anunciação

 

 

comportamento perigosamente seguro


Cecília

09
Mai19

Não existe meio mais seguro para fugir do mundo do que a arte, e não há forma mais segura de se unir a ele do que a arte.

 

Johann Goethe

 

 

 

conhecimento dos homens


Cecília

07
Mai19

O resultado deste feroz processo de selecção natural poder-se-ia ler nas estatísticas do movimento do Lager. Em Auschwitz, no ano de 1944, dos velhos prisioneiros judeus (...) dos pequenos números inferiores a cento e cinquenta mil, sobreviviam poucas centenas (...) Só sobreviviam, os médicos, os alfaiates, os sapateiros, os músicos, os cozinheiros, os jovens homossexuais atraentes, os amigos ou patrícios de uma ou outra autoridade do campo; e ainda indivíduos particularmente ferozes, vigorosos e desumanos, desempenhando (em consequência de uma investidura por parte do comando SS, que neste sentido mostravam ter um conhecimento dos homens deveras diabólico) os cargos de Kapo, de Blockältester, ou outros; 

 

Primo Levi – Se Isto É Um Homem (1947)
Coleção Mil Folhas PÚBLICO (2002)

 

 

 

couraças


Cecília

07
Mai19

Porque os russos irão chegar. O solo treme noite e dia debaixo dos nossos pés; no silêncio vazio da Buna o ruído baixo e surdo das artilharias ecoa agora ininterruptamente. Respira-se um ar tenso, um ar de solução final. Os polacos deixaram de trabalhar, os franceses voltaram a andar de cabeça erguida. Os ingleses piscam-nos o olho e cumprimentam-nos às escondidas com o «V» do indicador e do médio; e nem sempre às escondidas.

Mas os alemães são surdos e cegos, fechados numa couraça de obstinação e de desconhecimento deliberado. Mais uma vez marcaram a data do início da produção da borracha sintética: será a 1 de Fevereiro de 1945. 

 

Primo Levi – Se Isto É Um Homem (1947)
Coleção Mil Folhas PÚBLICO (2002)