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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Nariz de cera

04
Fev21

amor sem perdão

Cecília

Ele não estava bem e não cantou bem, mas o produto final era muito melhor do que ouvíamos habitualmente. Aborreci-me por não poder aplaudir sem reservas. Mas se se mente a um homem sobre o seu talento só porque ele está sentado à nossa frente essa é a mais imperdoável das mentiras, porque isso encoraja-o a continuar, e para um homem sem talento é a pior maneira de lhe destruir a vida. Mas muita gente fazia isso, sobretudo amigos e parentes. 

 

Charles Bukowski – Mulheres (1978)
Coleção Mil Folhas PÚBLICO (2003)

 

 

18
Jan21

fação

Cecília

em 2004, no 50.º aniversário da morte de Aristides, o arcebispo de Bordéus, Jean-Pierre Ricard, celebrou missa em sua homenagem, e evocou muitas das frases do meu avô, com destaque para a que acabou por se tornar a sua mais conhecida: «Assim declaro que darei com todo o entusiasmo vistos para todos, independentemente da origem de quem o peça. O meu desejo é antes "estar com Deus contra os homens do que com os homens contra Deus". 

 

António Moncada S. Mendes – Aristides de Sousa Mendes, Memórias de Um Neto
Edições Saída de Emergência e António Moncada S. Mendes  (2017)

 

 

11
Jan21

à volta de um homem

Cecília

«A primeira coisa que eu gostei em ti», disse Lydia, «foi não teres uma televisão em tua casa. O meu ex-marido via televisão todas as noites e durante todo o fim-de-semana. Tínhamos até que fazer amor em função dos horários dos programas.»

«Hum...»

«Outra coisa que me agradou em tua casa foi a imundície.[...] 

« Tu julgas um homem pelo que está à sua volta, não é?»

«Claro. Quando vejo um homem com uma casa limpa, sei que há qualquer coisa que está mal. E se for demasiado limpa, é porque é bicha.» 

 

Charles Bukowski – Mulheres (1978)
Coleção Mil Folhas PÚBLICO (2003)

 

 

17
Dez20

sem pedigree

Cecília

Sara era uma mulher gentil. Eu tinha de endireitar-me. Quando um homem precisava de muitas mulheres era porque nenhuma delas prestava. Um homem podia perder a sua identidade por foder demasiado. Sara merecia mais do que eu lhe dava. Agora tinha de ser eu a dar. 

 

Charles Bukowski – Mulheres (1978)
Coleção Mil Folhas PÚBLICO (2003)

 

 

07
Dez20

evidente

Cecília

Dee Dee deu-me Alka-Seltzer e um copo de água. A única coisa que me ajudou a melhorar foi uma rapariga sentada do outro lado da sala de espera. Tinha um corpo fabuloso, boas e esguias pernas, e trazia uma mini-saia. E vestia meias compridas, com ligas, e sob a saia, cuecas cor-de-rosa.

Calçava sapatos de salto alto.

« Estás a olhar para ela, não estás?», perguntou Dee Dee.

«Não posso evitar.»

«É uma desavergonhada.»

«Evidente.»

Charles Bukowski – Mulheres (1978)
Coleção Mil Folhas PÚBLICO (2003)

 

 

03
Dez20

noblesses

Cecília

- Se quer realmente divertir-se, talvez seja altura de se dedicar a uma ou duas obras de caridade [...]

- Noblesse oblige, no caso de quem muito recebeu, e esse tipo de coisas [...] Deve fazer parte do conselho de administração de uma obra de caridade, doar algum dinheiro e fazer a sua parte para ajudar os pobres. As damas admiram um homem com um pouco de caridade no coração, porque sugere que tem dinheiro no banco, se é que me percebe [...]

- Acha que devo abraçar a causa de algumas obras de caridade?

- Por favor, MacHugh, não seja extravagante. Comece por uma [...] Se exagerar, ou se for demasiado generoso, as pessoas dirão que está a tentar comprar a sua entrada na sociedade educada [...]

- Tenho de comprar certidões do Almack, comprar aposentos independentes que estejam na moda mas não sejam demasiado ostensivos, manter todos os alfaiates e fabricantes de botas de Bond Street ocupados, fazer o que se espera de mim na Tatts, apesar de já ter seis cavalos apenas em Londres, mandar fazer uma carruagem e um faetonte perfeitamente funcional, e frequentar bordéis e antros de jogo, mas não podem ver-me gastar muito dinheiro em caridade? 

 

Grace Burrowes – Coração Ardente (2017)

Quinta Essência (2019)

 

 

30
Nov20

emulsões

Cecília

E isso era mau? Que um homem não bajulasse a sociedade e não arriscasse a sua honra por qualquer motivo? Que tivesse casado por amor, e não por ... emolumentos em troca dos seus serviços de garanhão?

- Win, sinto-me aborrecido - admitiu Colin, o que lhe pareceu ao mesmo tempo patético e corajoso. 

- Todos nos sentimos assim -respondeu Montague, dando-lhe uma palmadinha no braço. - O aborrecimento está maravilhosamente na moda. Justifica toda a espécie de extravagâncias. 

 

Grace Burrowes – Coração Ardente (2017)

Quinta Essência (2019)

 

Deliverance from Boredom (Caridade de São Nicolau de Bari) -1550

Carlo Portelli / Girolo Macchietti

 

24
Nov20

cadáveres há muitos

Cecília

Em França, a editora Gallimard publica, em 2015, o romance Le Consul, escrito por um romancista de origem argelina, Salim Bachi, que faz uma análise muito fina da psicologia de Aristides. Salim Bachi, laureado com o prémio Goncourt - primeiro romance, cita São Francisco de Assis, antes do primeiro capítulo: «O homem obediente é como um cadáver que se deixa colocar, sem protestar, onde os outros quiserem.» 

 

António Moncada S. Mendes – Aristides de Sousa Mendes, Memórias de Um Neto
Edições Saída de Emergência e António Moncada S. Mendes  (2017)

 

 

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