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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

ações


Cecília

15
Set19

... cada um tem que, por suas próprias forças, criar liberdade e combater as ficções sociais. 

 

 

Fernando Pessoa - O Banqueiro Anarquista (1922)
Antígona (2018)

 

 

 

9/11 still happens today


Cecília

11
Set19

it had identified just more than 56,000 first responders, volunteers and others with health problems stemming from 9/11. By March of 2019, that number had risen to more than 95,000, with roughly 500 to 900 new cases being identified each month. The program has identified 2,355 deaths associated with 9/11-related health problems. That's nearly as many as died at the World Trade Center because of the crashes.

Chronic and debilitating problems with sinuses, reflux and asthma are the most-diagnosed ailments, but as of May, more than 12,500 cases of cancer had also been diagnosed.

 

in https://edition.cnn.com/2019/06/12/politics/jon-stewart-911-bill-first-responders/index.html

 

 

antes ser-do-contra-a-contranatura


Cecília

05
Set19

«La sort natural d'un homme n'est ni d'être enchaîné, ni d'être égorgé; mais tous les hommes sont faits, comme les animaux et les plantes, pour vivre certain temps, pour produire leur semblables, et pour mourir. - Voltaire»*

* A sorte natural dum homem não é a de ser agrilhoado, nem a de ser degolado; mas todos os homens são feitos, como os animais e as plantas, para viverem um certo tempo, para produzirem os seus semelhantes e para morrerem» (Voltaire, Lettres Philosophiques)

 

 

Álvaro Guerra – Razões de Coração (1991)
Coleção Mil Folhas PÚBLICO (2002)

 

 

 

knickknack


Cecília

03
Set19

No passado dia 19 de Agosto, o Presidente da República, depois de ter dado luz verde às alterações a diversos códigos fiscais uns dias antes, promulgou o chamado pacote laboral que introduz diversas alterações no Código do Trabalho. Em causa, estão 3 mudanças fundamentais: regras dos contratos a prazo, período experimental e bancos de horas.

 

Bancos individuais e grupais

 

A principal novidade consiste numa reviravolta relativamente aos bancos de horas individuais: conforme referimos em Abril de 2018, o Governo tinha previsto a sua extinção imediata. Contudo, na redacção final, aqueles que já foram acordados ainda se mantêm em vigor por mais um ano. Para além disso, o último artigo da lei permite a criação de novos bancos de horas individuais durante algum tempo.

 

in Newsletter Revista Gerente

 

 

 

 

who i am: antiga


Cecília

23
Ago19

Já chegou o homem novo, aquele

por Whit-

man anunciado, embora

sujeito a insuspeitos 

refrões financeiros. Basta 

que um fale 

conhecemo-los todos, todos

igualmente superficiais,

trazem na lapela o sinal

emblemático da sua pobreza 

de espírito. Outros trazem mais 

a regra da indiferença 

e nós, as mulheres, cobrimo-nos 

com as pinturas da guerra 

declarada ao sucesso 

do homem novo. Moderno

como um fogo cáustico, tudo

devora, a Natureza 

e as próprias raízes, tudo

sobrevoa cego de apenas ver 

em diferido. 

 

Nós ouvimos o real uivar

prisioneiro da sombra, o mapa distor-

cido, a cartografia desta doença 

planetária que murcha e desagrega 

o cérebro à lareira, no bramido

à vida pondo fim. Desapareceu 

dos lábios a doce palavra 

«companheiro», somente

a beiça voraz escancara dentes

dourados, rupestres, as presas

do bom hálito do homem novo.

Tanto faz ficares connosco, porque

partir é onde ilusionistas 

e agências nos transportam, só

a cortês nesga do rio nos leva:

ásperas, pedra-pomes. Desgraça,

demais confiámos o corpo à margem

calma, aos risonhos bebedouros, - insinuavam:

pejados de alma, mas alma, alma,

é coisa para antigos

livros poéticos. 

 

Paulo da Costa Domingos in OUVIMOS O REAL

 

 

Paulo da Costa Domingos - Carmina (1971 - 1994)
Antígona (1995)

 

 

 

 

a única rebelião autêntica


Cecília

19
Ago19

A única rebelião autêntica da Igreja foi a de Cristo contra os Césares, que daí para cá é tudo uma história de conluios com os Impérios. 

 

 

Álvaro Guerra – Razões de Coração (1991)
Coleção Mil Folhas PÚBLICO (2002)

 

 

Christ in Limbo 

follower of Hieronymus Bosch

 

(sweet) combustível da anarquia


Cecília

13
Ago19

Defronte de mim o meu amigo, o banqueiro, grande comerciante e açambarcador notável, fumava como quem não pensa (...) Voltei-me para ele, sorrindo. 

-- É verdade: disseram-me há dias que você em tempos foi anarquista...

-- Fui, não: fui e sou. Não mudei a esse respeito. Sou anarquista. 

-- Essa é boa! Você anarquista! Em que é que você é anarquista?... Só se você dá à palavra qualquer sentido diferente...

-- Do vulgar? Não; não dou. Emprego a palavra no sentido vulgar. 

-- Quer você dizer, então, que é anarquista exactamente no mesmo sentido em que são anarquistas esses tipos das organizações operárias? Então entre você e esses tipos da bomba e dos sindicatos não há diferença nenhuma?

-- Diferença, diferença, há... Evidentemente que há diferença. Mas não é a que você julga (...) Você comparou-me a esses parvos dos sindicatos e das bombas para indicar que sou diferente deles. Sou, mas a diferença é esta: eles (sim, eles e não eu) são anarquistas só na teoria; eu sou-o na teoria e na prática (...) Ia eu dizendo que, como era lúcido por natureza, me tornei anarquista consciente. Ora o que é um anarquista? É um revoltado contra a injustiça de narcermos desiguais socialmente  - no fundo é só isto. (...) Ora, na altura da nossa propaganda em que lhe estou falando, descobri uma coisa. No grupo de propaganda - não éramos muitos; éramos uns quarenta, salvo erro - dava-se este caso: criava-se tirania. (...)

Uns mandavam em outros e levavam-nos para onde queriam; uns impunham-se a outros e obrigavam-nos a ser o que eles queriam; uns arrastavam outros por manhas e por artes para onde eles queriam. Não digo que fizessem isto em coisas graves; mesmo, não havia coisas graves ali em que o fizessem. Mas o facto é que isto acontecia sempre e todos os dias, e dava-se não só em assuntos relacionados com a propaganda, como fora deles, em assuntos vulgares da vida. Uns iam insensivelmente para chefes, outros insensivelmente para subordinados (...) E repare que se passava num grupo de gente que se unira para especialmente para fazer o que pudesse para o fim anarquista - isto é, para combater, tanto quanto possível, as ficções sociais, e criar, tanto quanto possível, a liberdade futura (...) Agora ponha o caso num grupo muito maior, muito mais influente (...) Então é que eu vi com que bestas e com que covardões estava metido! (...) Aquela corja tinha nascido para escravos. Queriam ser anarquistas à custa alheia. Queriam a liberdade, logo que fossem os outros que lha arranjassem, logo que lhes fosse dada como um rei dá um título!

 

Fernando Pessoa - O Banqueiro Anarquista (1922)

Antígona (2018)

 

 

 

 

arGOLAdaS


Cecília

29
Jul19

Vai apreensivo com o destino do Lourenço (...) O homem tem cinco filhos e deve estar a esta hora a arrepelar-se para inventar com que lhes dar de comer. 

Põe-se Frei Pedro a arquitectar planos para tirar o Lourenço da encrenca e ocorre-lhe que a solução poderá passar pelo padre Sepúlveda (...) 

Santas tardes, senhor abade. E vá de lhe trinar a miséria do Lourenço, da mulher e dos cinco filhos, com acordes trágicos e tons patrióticos. Pois, que se há-de fazer... É a vida - conforma-se o cura. Frei Pedro simula espanto e indigna-se, que não se pode cruzar os braços e deixar à fome o mártir do despotismo jacobino! E, na embalagem, avança a sugestão. E se, este ano, o senhor padre Sepúlveda abdicasse do abadágio e, em seu lugar, se procedesse à recolha dos géneros pelas famílias, para acudir ao Lourenço, até se achar remédio mais duradouro? O cura empalidece, e estaca junto aos rebentos das tronchudas, fulminado. Ó Frei Pedro, o abadágio é uma tradição secular! Então quer que eu dê esse desgosto aos meus paroquianos?! Frei Pedro põe os olhos em alvo. Só este ano... O abade retoma o passeio, a fugir àquele raio que siderou o seu sossego, àquele apelo que o mói. Bom, bom, bom... Deixe lá isso comigo - diz, iluminado pela disposição de esfolar a paróquia. - Cá me arranjarei para que haja peditório para o Lourenço. E abadágio. 

 

 

Álvaro Guerra – Razões de Coração (1991)
Coleção Mil Folhas PÚBLICO (2002)

 

 

 

 

inerência(s) do social


Cecília

11
Jul19

Responsabilidade Social

FPF entregou material educativo e desportivo aos 23 alunos que gozam de bolsas de estudo federativas.

A Federação Portuguesa de Futebol formalizou, segunda-feira, a entrega de kits pedagógicos aos alunos do ensino secundário que beneficiam de bolsas de estudo, numa iniciativa conjunta com o Ministério da Educação.

Alexandre, Cláudio, Guilherme, Tânia, Guilherme, Catarina, Maria, Carlos, Guilherme, Manuel, Rodrigo, Flávia, Matilde, Tatiana, Luís, Marta, Gonçalo, Julita, Melissa, Leandro, Beatriz, Filipe e Vasco receberam, presencialmente ou nos seus locais de residência, computador pessoal, um tablet, acesso a vários eventos culturais na Fundação de Serralves, na Fundação Calouste Gulbenkian, além de material e livros de apoio escolar. Os bolseiros FPF receberam igualmente material desportivo e, cortesia da MEO-Altice, passes para assistirem ao festival de música MEO Marés Vivas.

Este kit pedagógico, entregue pessoalmente pela diretora da FPF Mónica Jorge aos alunos que se puderam deslocar à Cidade do Futebol, foi desenhado no sentido de apoiar o desenvolvimento académico e desportivo dos alunos do ensino secundário.

Esta ação de intervenção social, recorde-se, foi destinada a alunos que frequentam o 10.º ano no presente ano letivo. O júri que selecionou os bolseiros foi composto pelo jornalista Carlos Daniel, a apresentadora Catarina Furtado (Fundadora e Presidente da associação "Corações Com Coroa" e Embaixadora de Boa Vontade do Fundo das Nações Unidas para a População) e os internacionais Bernardo Silva (Futebol), Matilde Fidalgo (Futebol Feminino) e Pedro Cary (Futsal).

 

in https://www.fpf.pt/News/Todas-as-not%C3%ADcias/Not%C3%ADcia/news/23979?fbclid=IwAR19rs1EEDVrslU9Vf0L7UwobMiqnp1RE1oZ0vAGTb9RCLKVX8DVJB1rN8Q&smkid=1%3AU4UmNS9q2Vk&utm_source=smarkio_email&utm_campaign=NLFPF_20190711&utm_medium=email

 

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 René Magritte
The False Mirror
1929