Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

24 Abr, 2019

cuspir como Deus

Kuhn é um insensato. Não vê, na cama ao lado, Beppo, o grego, que tem vinte anos, e que depois de amanhã irá para o gás; e que, sabendo-o, fica deitado olhando fixamente a lâmpada sem dizer nada e sem pensar em mais nada? Não sabe Kuhn que a próxima será a sua vez? Não percebe Kuhn que hoje aconteceu uma coisa abominável que nenhuma oração propiciatória, nenhum perdão, nenhuma expiação dos culpados, nada, em suma, que esteja em poder do homem fazer, poderá nunca mais cancelar? (...)
08 Out, 2018

prisão

Para encherem a noite, os grilos não precisam mais que de uma lura.  Mesmo no cativeiro continuam a cantar...   Para o homem, momentos há -- e é doloroso reconhecê-lo -- em que até o universo é uma prisão.   Jorge Sousa Braga - Ao Relento     in O Poeta Nu [poesia reunida] Assírio & Alvim (abril 2014)        
25 Jun, 2018

gritar

Gritar é coisa de pessoa sozinha, pensa. Quando temos pessoas para nos ouvir não precisamos de gritar, pois não?    Afonso Cruz - Jesus Cristo Bebia Cerveja (2012) Penguin Random House (2016)     Solitários (1894) EDVARD MUNCH    
29 Mai, 2018

ser poeta

Ninguém pode ser poeta se não contiver em si amor e fé.     George Sand – Diário Íntimo Antígona (2004)        
Seria preciso que estivéssemos todos toldados por uma credulidade imbecil (...) ou atulhados em vaidade como os nossos literatos modernos, para tomar assim um efeito por uma causa, e para nos deixarmos deslumbrar cegamente com o poder exercido por certos poetas sobre o século em que vivem, quando é mais natural, porém, que seja o século a exercer o seu poder sobre tais cérebros poéticos, e os force, como outrora Deus, a Pitonisa, a testemunhar, pelos gritos de dor e de cólera, o (...)
09 Abr, 2018

a hipótese

O meu meio de transporte era um Comet de 62. A jovem da casa em frente sentia-se muitíssimo ofendida com o meu carro velho. Tinha de estacionar em frente à casa dela porque era uma das poucas zonas planas do bairro e o meu carro não arrancava em subidas. Mal pegava em terreno plano, pelo que eu ficava ali sentado, a bombar o acelerador e a carregar na ignição, e o som era nojento e contínuo. A mulher começava a gritar como se estivesse a enlouquecer. Era uma das poucas vezes em que (...)