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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

06 Abr, 2018

ópio Lee

O REMOTO REI DOS CORVOS, Edgar Allan Poe, deixa cair do seu bico, no centro de uma biblioteca, os restos de uma musa. Cansados de tanta melancolia, os ratos montam à sua volta um circo.    «Annabel Lee», «Annabel Lee», guincham os bichos, repartindo os ossos entre si.   Mostram os dentes, esticam-lhe a pele. Sabem que o poema não tem outro precursor a não ser a fome, nem outro seguidor a não ser o crime.    Golgona Anghel      Golgona Anghel in Com (...)
03 Abr, 2018

asfixia devagar

TUDO O QUE NÃO É LITERATURA ABORRECE-ME -  quixava-se um checo muito conhecido.  As nossas vidas, aliás, deviam acontecer sempre no futuro, onde, no fundo, sucedem todos os romances. O nosso estilo teria a nitidez dos tratados científicos e a força da descrição de uma batalha - embora os críticos tentassem transformar tudo isto num relatório criminal ou no argumento para um filme de Domingo à tarde. O Eduardo Prado Coelho era capaz de fazer isso.    Mas é preciso (...)
23 Mar, 2018

aproveita o vento

Serão processados os aborrecidos; ostracizados os coitados; perseguidos os crentes; fuzilados os fracos; odiados os feios; perdidas as esperanças.   Por ordem do autor. Contra a vontade de São Epifânio.      Golgona Anghel in Como Uma Flor de Plástico Na Montra De Um Talho (2013) Assírio & Alvim (2017)            
OLHE, PRECISO DE DINHEIRO Preciso de muito dinheiro. Quero abrir um negócio. Algo meu, sabe como é. Estou farto de patrões. Não posso passar a minha vida atrás de um balcão. A levar todas as noites com a baba dos perdidos nas trombas.  Já não tenho paciência. Com esta idade, já viu o que é. Sujeitar-se a todos os labregos. Já tentei noutros bancos, sim. Pedi também aos meus pais, é verdade; disse-lhes que era para me casar. Não, não tenho casa, nem automóvel.  Ma (...)