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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

04 Nov, 2019

décadas de bocejo

Mas neste início da década de 70, enquanto o mundo dá voltas e que voltas!, os jornais, em Portugal, ocupam-se em noticiar, em grandes parangonas de primeira página, acidentes de automóvel ou calamidades atmosféricas, misturando-as com fotografias de atrizes ou princesas em evidência por qualquer razão menor (...) Um interminável bocejo.    Manuela Gonzaga – António Variações, Entre Braga e Nova Iorque (2018) Manuela Gonzaga e Bertrand Editora (2018)        
26 Jun, 2019

passeata

A pessoa, o lugar, o objeto estão expostos e escondidos ao mesmo tempo só a luz, e dois olhos não são bastante para captar o que se oculta no rápido florir de um gesto. É preciso que a lente mágica enriqueça a visão humana e do real de cada coisa um mais seco real extraia para que penetremos fundo no puro enigma das figuras. Fotografia – é o codinome da mais aguda percepção que a nós mesmos nos vai mostrando e da evanescência de tudo, edifica uma penanência, cristal do (...)
27 Fev, 2019

a última marcha

Todos os prisioneiros sãos (excluindo alguns bem aconselhados que, à última hora, se despiram e se esconderam nalguma cama de enfermaria) partiram na noite de 18 de janeiro de 1945. Deviam ser cerca de vinte mil, provenientes de vários campos. Desapareceram quase todos durante a marcha de evacuação: Alberto foi um deles. Talvez alguém escreva um dia a história destes homens.    Primo Levi – Se Isto É Um Homem (1947) Coleção Mil Folhas PÚBLICO (2002)     THE DEATH MARCH (...)
22 Fev, 2019

a notícia

Não temos regresso. Ninguém deve sair daqui, pois poderia levar para o mundo, juntamente com a marca gravada na carne, a terrível notícia do que, em Auschwitz, o homem teve coragem de fazer ao homem.    Primo Levi – Se Isto É Um Homem (1947) Coleção Mil Folhas PÚBLICO (2002)      
Ela caminha Nós vemos a nossa vida passar No fio Nós vemos os anos passarem Nós tentamos seguir o caminho certo E nós não podemos rebobinar Todos esses nós em nossas vidas Se pudéssemos desamarrá-los Então me diga como funciona Me diga como funciona Me diga como funciona Me diga como funciona De qualquer forma, andamos em fila Em grupos ou não, caminhamos sozinhos Goste ou não, temos um valor de mercado da juventude até a mortalha Caminhe ou morra, mas caminhe (...)
07 Jun, 2018

velhice

É errado pensar que a velhice é um declive por onde vamos caindo: muito pelo contrário, subimos, e a passos largos, surpreendentes. O trabalho intelectual faz-se tão rapidamente como nas crianças o trabalho físico. Não é que não nos aproximemos do fim da vida, mas fazemo-lo como se fosse um objectivo, e não o derradeiro e fatal baixio onde encalharemos para sempre.      George Sand – Diário Íntimo Antígona (2004)