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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

mulher de alma forte

aprende então a ciência da vida, e quando te meteres a romancear, esforça-te por conhecer um pouco melhor o coração humano. Nunca tenhas por ideal uma mulher de alma forte, desinteressada, corajosa e casta. O público apupá-la-ia e saudá-la-ia pelo odioso nome de Lélia, a impotente. 

Impotente! Sim, arre!,impotente perante a adulação, impotente perante a vilania, impotente perante o medo que te tem (...) Mas, quando encontras uma fêmea que consegue passar sem ti, a tua vã virilidade transforma-se em exaltada paixão, e a tua exaltada paixão é repreendida com um sorriso, um adeus, um esquecimento eterno. 

 

George Sand – Diário Íntimo

Antígona (2004)

 

 

 

 

não segurar o orgulho

Contei o meu desgosto a Delacroix, pois de que mais poderia falar, senão disso? E ele deu-me um bom conselho: deixar de ter coragem. «Deixai-vos ir», disse-me. «Quando eu próprio me sinto assim, não me deixo tomar pelo orgulho; não nasci Romano. Entrego-me ao meu desespero. Consome-me, debilita-me, mata-me. Quando se farta, aborrece-se e deixa-me em paz.» 

 

George Sand – Diário Íntimo

Antígona (2004)

 

 

 

pai para sempre

 - A morte não tresanda - disse a mulher -, só os vivos tresandam, só os moribundos tresandam, só os putrefactos tresandam. A morte não tresanda.

 

 

Charles Bukowski in Uma Brasa de Mulher - Música para Água Ardente (1983)

Antígona (2015)

 

 

 

(obrigada B. pelo privilégio de me ter tornado mãe contigo. pela honra de ser mãe das tuas filhas. direi sempre às nossas meninas que são filhas de um homem bom. o melhor homem que conheci até hoje. para sempre , eu e tu, - pai e mãe - pais em planos espirituais diferentes.

Amor, Luz, Paz)

 

presente pontual

Así que ese era Rouche, un hombre que llegaba con mucho retraso a la mejor version de sí mismo (...) Pero mientras iba andando hacia la biblioteca, tuvo por fin la sensación de que estaba conquistando el presente. Estaba exactamente donde debía estar. 

 

 

 

David Foenkinos - La biblioteca de los libros rechazados (2016)
Titulo original: Le Mystère Henri Pick
Traducción de María Teresa Gallego Urrutia y Amaya García Gallego
Penguin Random House Grupo Editorial S.A.U. (febrero, 2017)

 

 

 

 

barras

- Chega um ponto em que a doença começa a andar mais depressa na maior parte dos casos já não sabem quem são

o sobrinho do meu marido a interrogar-se a si mesmo

- E eu sei quem sou?

sem encontrar resposta, não

- Sou empregado de escritório

isso é fácil, saberei quem sou de facto, se calhar há mais pessoas em mim, o médico com a ruiva que na semana passada lhe trouxe o filho com anginas e ao cruzar os joelhos o deixou ver a barra da meia além da qual, antes da saia, um ou dois dedos de pele, o médico, com a ruiva na cabeça, a consultar análises a quem a barra da meia alterava os resultados

 

 

António Lobo Antunes – Para Aquela Que Está Sentada No Escuro À Minha Espera (2016)
Publicações D. Quixote | Leya (2016)

 

 

 

La Maison du pendu, Auvers-sur-Oise (1873)

Paul Cézanne

 
  

cansada, não!

mas só não se cansa a andar

quem sabe o que faz cansar.

E não é andar que cansa;

cansa não acreditar 

que no fim de muito andar 

'tá o Castelo no ar 

e aberta a porta d'entrar.

 

José de Almada Negreiros, O MENINO D'OLHOS DE GIGANTE
Poemas Escolhidos José de Almada Negreiros - Assírio & Alvim | Porto Editora 2016

então diante de mim

Eu perdi a vez de ser simples, 

perdi a vez feliz de ignorar,

perdi a sábia ignorância,

perdi a graça de não saber.

Deixei passar a vez de ir na corrente 

e de ser como toda a gente 

às carambolas da sorte. 

 

Eu perdi a vez de ser analfabeto,

esse segredo para não ser doutor 

e para não saber também

o que as letras sabem 

do mundo e de mim. 

 

(...) ser ignorante não dói 

não dói tanto como não ignorar!

 

Eu deixei passar a vez de ir na onda 

e de ter o entendimento repartido pelos mais, 

começaram por ensinar-me as letras 

e as letras acabaram por dar comigo 

e eu vi-me então diante de mim 

despegado da onda e da corrente 

diferente de toda a gente 

independente da multidão. 

 

 

José de Almada Negreiros, SEGUNDA MANHàin AS QUATRO MANHÃS
Poemas Escolhidos José de Almada Negreiros - Assírio & Alvim | Porto Editora 2016

 

 

 

 

 

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